Certos ambientes carregam um peso que não se explica, apenas se sente. Um necrotério, por si só, já opera nesse limite desconfortável entre o silêncio e o inevitável. Em “The Mortuary Assistant”, esse espaço que deveria provocar inquietação constante acaba esvaziado por uma condução que parece ignorar o próprio potencial. O que deveria ser um mergulho no horror psicológico se transforma em uma experiência fria, quase inerte.

A trama acompanha Rebecca Owens, interpretada por Willa Holland, recém-formada que conquista seu lugar em um necrotério e passa a enfrentar eventos que escapam da lógica. Existe uma ideia potente aqui. O contato diário com a morte, somado ao isolamento do turno noturno, cria um terreno fértil para tensão crescente. O problema surge quando o filme não consegue transformar essa premissa em atmosfera real, deixando tudo no campo da intenção.
Baseado em um jogo que construiu uma base sólida de fãs, o longa dirigido por Jeremiah Kipp parece perder justamente aquilo que sustentava sua origem. A sensação de ameaça constante, aquela presença invisível que cresce aos poucos, simplesmente não se materializa. Sem atmosfera, o terror deixa de existir, e o que sobra é uma sequência de cenas que tentam assustar sem construir qualquer envolvimento prévio.
As atuações também pesam contra a experiência. Holland, que já demonstrou presença em outros trabalhos, aqui enfrenta uma personagem sem profundidade e com motivações pouco desenvolvidas. Falta densidade, falta conflito interno, falta humanidade. Ao seu lado, Paul Sparks entrega um desempenho apático, que reforça a sensação de distanciamento ao invés de criar tensão.
O roteiro insiste em caminhos previsíveis e, por vezes, desconexos. Em vez de explorar o psicológico, aposta em elementos de horror pouco inspirados, inseridos de forma abrupta. A narrativa não evolui, apenas se arrasta, como um experimento que nunca encontra sua forma final. A promessa de um terror imersivo se dissolve em uma condução confusa, incapaz de sustentar qualquer impacto duradouro.
Tecnicamente, o filme também falha em aspectos fundamentais. A fotografia não contribui para a construção de clima, a iluminação carece de identidade e a trilha sonora passa despercebida. Em um gênero que depende tanto da forma quanto do conteúdo, essas escolhas pesam. Sem uma construção visual consistente, o medo não encontra espaço para existir.
A sensação que permanece é de desperdício. Um cenário naturalmente perturbador, uma base narrativa interessante e um material de origem com potencial acabam diluídos em uma execução que não acompanha essas ideias. Quando o terror falha em provocar, resta apenas o vazio, e “The Mortuary Assistant” parece confortável demais dentro dele.
“The Mortuary Assistant”
Direção: Jeremiah Kipp
Elenco: Willa Holland, Paul Sparks, Mark Steger
Disponível em: cinemas brasileiros
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