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Crítica: “The Walking Dead: Dead City” (2° temporada)

A segunda temporada de “The Walking Dead: Dead City” retorna com a pretensão de continuar algo que já havia se encerrado de forma decente. E esse talvez seja o maior erro da série. Ao insistir no retorno a Manhattan, agora com Maggie e Negan em lados opostos de uma disputa maior, a trama se perde em repetição e esvaziamento dramático. O que era tensão bruta, cheia de mágoas e contradições entre dois personagens com uma história densa, vira uma sequência arrastada com pouca urgência, quase nenhum frescor e muitas cenas recicladas.

Crítica: “The Walking Dead: Dead City” (2° temporada)

Os zumbis seguem como pano de fundo. O que move os conflitos agora são os jogos de poder entre facções, a obsessão da Dama em manter Negan como símbolo de liderança e a presença militar opressora de New Babylon. Tudo isso poderia gerar uma guerra psicológica rica, mas a série prefere andar em círculos. A ambientação continua interessante, mas o impacto que Manhattan provocava na temporada anterior se dilui na repetição visual e na falta de novas ameaças relevantes.

A separação entre Maggie e Negan, que poderia abrir novos arcos narrativos, apenas enfraquece os dois. Negan está completamente desidratado, como se a série tivesse drenado toda a sua complexidade e carisma. Aquele personagem ambíguo, sempre prestes a cruzar o limite, virou um coadjuvante passivo, preso em dilemas morais que não geram mais tensão. Maggie, por outro lado, até sustenta alguma força, mas precisa lidar com diálogos expositivos e cenas que reforçam o que já sabíamos desde o começo da série: ela ainda está presa ao passado.

O único fio dramático com algum peso vem da relação entre Maggie e Hershel. Aqui, sim, há conflito de verdade. O adolescente vive à sombra de um pai idealizado, e é tratado como herança viva de Glenn, sem direito a identidade própria. Ele quer se libertar disso. É nessa dor que a temporada encontra um pouco de verdade, mesmo quando tropeça em roteiros preguiçosos. Hershel não quer salvar o mundo da mãe, não quer carregar os escombros da geração anterior. E por mais que isso nunca seja dito com todas as letras, está ali, pulsando, pronto para um drama mais afiado do que a série parece disposta a entregar.

O restante do elenco e das subtramas se resume a obstáculos descartáveis. Vilões genéricos, soldados autoritários, dilemas políticos que não geram debate real. As ações em Manhattan se desenrolam sem peso, porque o espectador já entendeu que nada vai mudar, que ninguém relevante vai morrer e que o mundo pós-apocalipse está mais burocrático do que perigoso. Até mesmo a Dama, que poderia ser uma antagonista complexa, acaba virando um estereótipo de vilã manipuladora.

“The Walking Dead: Dead City” insiste em caminhar, mas não tem mais nada para dizer. A narrativa patina como um walker podre tentando subir uma escada. Falta ousadia, falta ruptura, falta vontade de encerrar dignamente um universo que já entregou tudo o que tinha. Se a intenção era apenas manter a marca viva, essa segunda temporada cumpre seu papel. Mas como obra dramática, ela já está em estado avançado de decomposição.

“The Walking Dead: Dead City”
Direção: Kevin Dowling
Elenco: Jeffrey Dean Morgan, Lauren Cohan, Gaius Charles
Disponível em: Prime Video

Avaliação: 1 de 5.

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