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Crítica: “Titan: O Desastre da OceanGate” (Titan: The OceanGate Submersible Disaster)

A implosão do submersível Titan foi mais do que um acidente. Foi um episódio que simbolizou o que acontece quando a obsessão por grandeza se sobrepõe à responsabilidade técnica, à ética da ciência e ao valor da vida. E ainda assim, mesmo com um material tão potente nas mãos, “Titan: O Desastre da OceanGate” opta por uma abordagem tímida, quase apática, que dilui toda a complexidade do caso em uma sucessão de fatos organizados, mas nunca devidamente confrontados.

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Crítica: “Titan: O Desastre da OceanGate” (Titan: The OceanGate Submersible Disaster)

O documentário parece hesitar entre ser uma reportagem cronológica ou uma análise crítica, e termina sem ser nem uma coisa nem outra. Há dados, há depoimentos, há imagens, mas não há enfrentamento. O filme expõe as falhas, mas não cutuca onde realmente dói. E esse talvez seja seu erro mais grave: a escolha por observar a tragédia à distância, como se a neutralidade bastasse para dar conta de algo tão brutalmente simbólico.

O que está em jogo aqui não é apenas um erro de engenharia. É o retrato de um delírio bilionário travestido de exploração científica, sustentado por uma confiança cega em tecnologia experimental e por uma cultura de impunidade corporativa que flerta com o risco como se fosse entretenimento. Mas o documentário recua no momento em que mais precisava avançar. Ele sinaliza as negligências, mas evita nomeá-las com a contundência que o tema exige.

A estrutura é limpa, o ritmo é correto, mas a ausência de uma tese enfraquece o impacto. Falta uma visão clara sobre o que essa tragédia realmente significa. O filme parece mais interessado em reconstruir o desastre do que em decifrá-lo. A montagem não cria tensão, não há progressão dramática real e, sobretudo, não há posicionamento. Há apenas um compilado de vozes que ecoam no vácuo, sem curadoria narrativa que amarre os pontos com precisão ou coragem.

É curioso como o projeto se propõe a tratar de uma tragédia marcada pela arrogância, mas se recusa a confrontar essa arrogância com a força que deveria. O submersível que implodiu sob toneladas de pressão no fundo do Atlântico é também uma metáfora do colapso de uma mentalidade elitista, imprudente e embriagada de poder. Mas o documentário não tem fôlego para sustentar essa leitura. Ao invés de provocar, ele informa. Ao invés de denunciar, ele resume. Ao invés de mergulhar fundo, ele flutua.

“Titan: O Desastre da OceanGate” é tecnicamente funcional, mas emocionalmente ausente. Falta indignação, falta desconforto, falta cinema. Porque há tragédias que exigem mais do que um olhar neutro. Exigem voz. Exigem incômodo. Exigem coragem de dizer o que não se quer ouvir. E esse, infelizmente, é um mergulho que o filme se recusa a fazer.

Avaliação: 2.5 de 5.

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