Ícone do site Caderno Pop

Crítica: Tom Grennan, “Everywhere I Went, Led Me to Where I Didn’t Want to Be”

Tom Grennan chega ao quarto álbum de estúdio com um título que já carrega um peso existencial: “Everywhere I Went, Led Me to Where I Didn’t Want to Be“. É quase um manifesto confessional, um olhar de dentro para fora que tenta costurar as contradições de um artista que, mesmo com popularidade crescente, ainda busca consolidar uma identidade artística consistente.

Crítica: Tom Grennan, “Everywhere I Went, Led Me to Where I Didn’t Want to Be”

Este trabalho é produzido por Justin Tranter, nome que entende de fórmulas pop e já esteve por trás de hits globais. A escolha revela a ambição de Grennan em alcançar outro patamar de sonoridade, mirando algo maior, com referências a ícones como George Michael, Prince e Freddie Mercury. Mas há aqui um ponto de atenção: quando a inspiração vem de gigantes, a cobrança inevitavelmente aumenta. E talvez esteja nesse peso o grande dilema do álbum: ele soa grandioso em intenção, mas irregular na entrega.

Em termos de produção, “Everywhere I Went, Led Me to Where I Didn’t Want to Be” abraça o pop contemporâneo em sua forma mais expansiva, carregado de refrões acessíveis, beats luminosos e arranjos que não escondem o apelo radiofônico. É um disco feito para arenas, para ser cantado em coro, para transformar shows em espetáculos coletivos. A música aqui não se limita ao fone de ouvido, ela pede palcos enormes, luzes, multidões. E isso, por si só, já mostra que Grennan sabe onde quer chegar: ele não quer ser apenas ouvido, ele quer ser visto e celebrado.

O problema é que, nessa busca pelo impacto imediato, a consistência se perde. A narrativa do álbum é clara: autoconfiança, riscos, renascimento. Grennan canta sobre estar em um novo momento da vida, pronto para se reinventar. Só que o discurso, muitas vezes, é mais interessante do que a forma como se materializa nas músicas. Há passagens em que a grandiloquência se transforma em exagero, com vocais excessivos e letras que flertam com o clichê.

Isso não significa que o álbum seja descartável. Pelo contrário. Existe aqui uma energia contagiante, uma vitalidade que conecta Grennan ao público de maneira visceral. A voz dele, mesmo quando exagera, transmite emoção genuína. E a produção, ainda que às vezes soe previsível, é competente em manter a vibração lá em cima. É um disco que cumpre o que se propõe: ser pop explosivo, dançante, catártico.

O desafio maior é que, ao se apoiar tanto em fórmulas já conhecidas, Grennan arrisca ser apenas mais um dentro de uma cena pop saturada. “Everywhere I Went, Led Me to Where I Didn’t Want to Be” não é um desastre, longe disso. Mas também não é o salto criativo que um quarto álbum deveria representar. É seguro demais para ser ousado, mas intenso o suficiente para não passar despercebido.

No fim, o trabalho é um retrato honesto de um artista em transição. Grennan sabe se comunicar, sabe como atingir o público, mas ainda falta encontrar o equilíbrio entre o espetáculo pop e a profundidade artística. O título sugere um caminho tortuoso, cheio de desvios, e talvez o próprio álbum seja um desses desvios. Ainda assim, cada passo errado ou certo constrói o percurso. E, se há algo que Grennan demonstra aqui, é que ele tem fôlego para continuar caminhando.

Nota: 63/100 | Tom Grennan, “Everywhere I Went, Led Me to Where I Didn’t Want to Be”

Fique por dentro das novidades das maiores marcas do mundo! Acesse nosso site Marca Pop e descubra as tendências em primeira mão.

Sair da versão mobile