Alturas que prometem liberdade, silêncio que deveria acalmar e um romance que tenta se reconstruir longe do chão. A ideia de escapar da rotina para salvar um relacionamento ganha contornos perigosos quando o isolamento deixa de ser escolha e vira armadilha, criando um cenário onde o ar rarefeito pressiona tanto quanto os sentimentos mal resolvidos.

Em “Turbulência”, o ponto de partida é simples e eficiente. Um casal em crise decide apostar em uma experiência simbólica, subir aos céus para tentar reorganizar o que ficou quebrado. A chegada de uma terceira figura transforma esse espaço íntimo em um campo de tensão constante. O que deveria ser reconciliação se torna confronto, e o balão passa a funcionar como metáfora direta de uma relação prestes a colapsar.
A direção de Claudio Fäh aposta em um ambiente limitado para sustentar o suspense, explorando o confinamento como elemento central. A proposta de um thriller em espaço único tem potencial, especialmente quando combinada com o risco físico de estar suspenso a milhares de metros de altura. Ainda assim, a execução não acompanha essa ambição.
Jeremy Irvine e Hera Hilmar conduzem a narrativa como o casal em crise, mas a dinâmica entre os dois rapidamente se torna exaustiva. Os conflitos são repetitivos e pouco evoluem, transformando o drama conjugal em um ruído constante que interfere diretamente no ritmo. Em vez de ampliar a tensão, os diálogos acabam diluindo o impacto das situações de perigo.
A presença de Kelsey Grammer adiciona um elemento curioso à trama, ainda que breve. Sua participação inicial ajuda a estabelecer o contexto, mas o filme perde uma figura que poderia trazer mais equilíbrio à narrativa. A partir daí, o foco recai quase totalmente sobre o conflito emocional, que não sustenta sozinho o tempo de duração.
O roteiro de Andy Mayson enfrenta dificuldades claras em equilibrar suas propostas. Existe uma tentativa de mesclar suspense físico com drama psicológico, mas os dois elementos raramente se complementam. A história parece indecisa sobre qual caminho seguir, e essa indefinição compromete a experiência como um todo.
As sequências envolvendo o balão até despertam curiosidade em alguns momentos, explorando detalhes técnicos e situações de risco. Ainda assim, essas cenas não são exploradas com a intensidade necessária, ficando sempre aquém do que o conceito promete. O perigo existe, mas raramente é sentido com força.
“Turbulência” não chega a ser um desastre completo, mas também não encontra uma identidade sólida. Fica a sensação de uma ideia interessante que não foi plenamente desenvolvida, presa entre o drama de relacionamento e o suspense de sobrevivência sem conseguir se destacar em nenhum dos dois.
“Turbulência”
Direção: Claudio Fäh
Roteiro: Andy Mayson
Elenco: Jeremy Irvine, Hera Hilmar, Kelsey Grammer
Disponível em: cinemas brasileiros
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