O “Breach” chega com a tarefa ingrata de encerrar um arco narrativo que acompanhamos há mais de uma década, desde “Blurryface”. Não é pouca coisa. O oitavo álbum do Twenty One Pilots funciona como um fecho de cortina, um último ato que busca condensar a mitologia de “Trench”, o experimentalismo de “Scaled and Icy” e a densidade de “Clancy”. A questão é que, nesse fechamento, o duo entrega um trabalho que oscila entre momentos de pura genialidade e passagens em que o motor parece perder força.
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O que salta aos ouvidos de imediato é como o disco tenta manter a atmosfera conceitual sem abrir mão do formato pop rock que tornou a banda global. “The Contract” é um exemplo do potencial quando a fórmula funciona: uma faixa robusta, dinâmica e com energia suficiente para se colocar entre os melhores registros da carreira do grupo. “Drum Show” também sustenta essa pegada, mostrando que ainda há espaço para inovação dentro do universo da banda. Só que, quando a expectativa se estende para o restante do álbum, a resposta é menos impactante. Muitas faixas transitam pela mesma sonoridade já explorada, sem trazer um ponto de ruptura que justifique o discurso de encerramento épico que o álbum carrega.
O problema central de “Breach” está no equilíbrio entre ambição e execução. O disco foi lançado apenas um ano após “Clancy”, e essa pressa deixa marcas claras no resultado final. Há ideias interessantes espalhadas pelo álbum, mas várias delas soam inacabadas, como rascunhos que poderiam ter ganhado mais densidade se houvesse tempo para maturação. Em contrapartida, quando a banda acerta, o impacto é imediato. Canções como “City Walls” e “Tally” resgatam a força criativa que marcou os melhores momentos do duo, mas ficam cercadas por músicas que pouco acrescentam à narrativa ou à experiência sonora.
Outro ponto crítico é o ritmo do disco. A primeira metade se sustenta com bons momentos, mas a sequência perde intensidade, dando a sensação de que o álbum se arrasta além do necessário. Isso é curioso, considerando que “Breach” tem menos de cinquenta minutos de duração, mas a falta de consistência faz com que o tempo pese. É a prova de que não basta ter grandes faixas isoladas, é preciso construir um todo coeso.
Ainda assim, o disco não deve ser descartado como um erro. Ele carrega méritos técnicos, a produção é limpa, os arranjos são polidos e o vocal de Tyler Joseph continua sendo o fio condutor que segura o projeto. O problema é que a dualidade que sempre acompanhou o Twenty One Pilots entre o pop radiofônico e a experimentação narrativa, desta vez não encontra o ponto de equilíbrio. O resultado é um álbum que emociona em seus picos, mas decepciona no vazio deixado entre eles.
“Breach” se coloca acima de “Clancy” por seus pontos altos, mas não consegue alcançar a solidez de “Trench”. O disco confirma que a banda ainda tem fôlego criativo, mas também mostra como a pressa e o excesso de compromisso com o próprio enredo podem limitar a música em vez de expandi-la. No fim, é um trabalho que fecha uma era com dignidade, mas deixa no ar a dúvida se a conclusão poderia ter sido mais contundente.
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