Twice voltou com tudo em “This Is For”, um disco que respira frescor e transborda a vontade do grupo de mostrar que ainda tem muita história para contar. É quase como se elas pegassem o ouvinte pela mão para dizer: olha só o quanto ainda podemos brincar, crescer, desafiar o que esperam de nós. O álbum é o nono da carreira, mas o quarto totalmente em coreano, o que por si só já reforça o peso cultural do lançamento.
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Existe algo muito claro pulsando em “This Is For”: a sensação de que o Twice decidiu olhar para o próprio espelho e, ao invés de repetir fórmulas que já deram certo, preferiu mexer as peças do tabuleiro. O resultado é um trabalho que transita por batidas, grooves e climas que fogem daquele pop açucarado que consagrou o grupo, apostando numa maturidade sonora que surpreende. E ainda assim, não perde o DNA do Twice, que sempre foi sobre celebrar, brincar, seduzir com refrões que grudam e danças que viralizam.
O disco surge carregado de significados antes mesmo de começar. Desde o teaser com o nome “Four” estampado nas saias das integrantes, a expectativa foi construída em cima do simbolismo do número, mas principalmente no que viria a ser o primeiro grande trabalho delas em coreano depois de “Formula of Love: O+T=<3”. É um retorno ao palco onde tudo começou, mas dessa vez munidas de uma bagagem global que só quem conquistou o planeta inteiro poderia ter.
Na prática, o que se ouve é um álbum que joga luz sobre o quanto o Twice aprendeu a dosar potência e sutileza. Há momentos em que a produção explode em beats contemporâneos, incorporando até influências inesperadas como o funk brasileiro e temperos caribenhos. Há outros em que tudo se recolhe para deixar espaço às vozes, que brilham de maneira quase etérea. É fascinante perceber como elas cresceram vocalmente, cada timbre ganhando protagonismo sem atropelar o coletivo. Tudo isso faz “This Is For” soar como um disco feito por um grupo que sabe exatamente quem é, mas não se contenta em ser previsível.
É verdade que o álbum dialoga de forma muito consciente com as tendências atuais do mercado, principalmente a mania recente de canções mais curtas. Para alguns, isso pode dar a impressão de que falta algo, que as músicas terminam antes da hora. Mas na real, o Twice mostra que entende o zeitgeist, sabendo trabalhar dentro dessas novas regras sem perder impacto. O álbum é rápido, mas não é raso. Tem profundidade emocional, tem arranjos bem construídos e tem carisma de sobra.
Também fica evidente o prazer delas em testar novas texturas. Em alguns trechos, a instrumentação se torna quase minimalista, permitindo que harmonias e pequenas inflexões vocais façam o serviço pesado. Em outros, o que prevalece é o ritmo, que empurra o corpo a dançar mesmo quando a cabeça tenta racionalizar o que está acontecendo. Esse jogo entre o contido e o explosivo é um dos grandes trunfos do disco.
No fim, “This Is For” funciona como uma carta aberta do Twice para quem insiste em duvidar da relevância do grupo. É um disco coeso, que mostra a elasticidade musical das nove integrantes e que tem coragem de flertar com o novo sem precisar abandonar o velho. Pode até não ter a ingenuidade que encantou o mundo lá no início, mas entrega algo talvez mais valioso: a prova de que o Twice ainda é capaz de surpreender, de se reinventar e de continuar escrevendo uma história que está longe de acabar.
Se alguém esperava um retorno à zona de conforto, encontrou justamente o oposto. “This Is For” é para quem quer ver o Twice mostrando que amadurecer não significa perder o brilho, e que a verdadeira força de um grupo está em saber se reinventar juntas, sem nunca deixar a essência escapar.
Nota: 80/100
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