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Crítica: “Um Dia Fora de Controle” (Playdate)

“Um Dia Fora de Controle” é um daqueles filmes que vivem na fronteira entre o absurdo e o autoparódico, um produto do entretenimento direto para o streaming que tenta equilibrar ação, comédia e caos, mas acaba tropeçando em todas as direções. Dirigido por Luke Greenfield, o mesmo de “De Repente é Amor”, o longa parte de uma premissa simples, um pai desempregado que busca distração e companhia em outro pai aparentemente carismático e a infla até o limite do ridículo.

Crítica: “Um Dia Fora de Controle” (Playdate)

Kevin James interpreta Brian, um contador que, após perder o emprego, assume o papel de pai em tempo integral. Quando aceita o convite de Jeff, vivido por Alan Ritchson, para uma tarde de brincadeiras com os filhos, o que parecia um encontro trivial se transforma em uma jornada explosiva de perseguições, tiros, sequestros e um desfile de piadas visuais. A estrutura é a de uma comédia familiar travestida de ação, mas a execução entrega um pastiche de referências e uma overdose de trilhas sonoras colocadas quase a cada quinze minutos.

O roteiro de Neil Goldman aposta no contraste entre o homem comum e o herói caricatural, mas o resultado é uma narrativa que se perde na própria ambição. Ritchson é quem parece se divertir mais: sua performance tem energia, carisma e um timing físico que sustenta o filme nas cenas mais insanas. Há nele uma mistura de “Blue Mountain State” com o exagero de um super-herói desajustado, e essa entrega faz com que cada aparição sua seja, ao menos, divertida.

James, por outro lado, repete o arquétipo que o acompanha desde os tempos de “Segurança de Shopping”. Seu humor físico ainda funciona, mas a falta de frescor e o excesso de sentimentalismo esvaziam qualquer tentativa de empatia real. O problema maior, porém, é estrutural: “Um Dia Fora de Controle” parece filmado e montado por alguém com déficit de atenção severo. As piadas surgem, somem e são substituídas por outras antes mesmo de terem tempo de existir.

Ainda assim, há momentos em que o filme se assume como aquilo que de fato é: uma comédia de ação despretensiosa, feita para rir do próprio caos. Isla Fisher, em uma breve participação como mãe entediada e amante do vinho, brilha nos poucos minutos em que aparece. E Paul Walter Hauser, rei das presenças constantes em 2025, surge para completar um elenco que se diverte mais do que convence.

O terceiro ato, no entanto, implode. O longa abandona o nonsense que o tornava curioso e tenta criar tensão dramática e redenção emocional, mas o resultado é um final pirotécnico sem propósito. É um daqueles filmes que parecem feitos para serem esquecidos, um passatempo rápido que entrega o que promete: humor bobo, ritmo alucinado e uma boa dose de autoindulgência.

No fim das contas, “Um Dia Fora de Controle” é o equivalente cinematográfico de um lanche de micro-ondas rápido, quente e descartável. Funciona para quem busca algo leve e ruidoso, mas evapora da memória antes mesmo dos créditos finais.

“Um Dia Fora de Controle”
Direção: Luke Greenfield | Roteiro: Neil Goldman
Elenco: Kevin James, Alan Ritchson, Isla Fisher, Paul Walter Hauser
Disponível em: Amazon Prime Video

Avaliação: 2 de 5.

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