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Crítica: “Uma Vida de Esperança” (Ordinary Angels)

Texto: Ygor Monroe
19 de dezembro de 2025
em Cinemas/Filmes, HBO Max, Resenhas/Críticas, Streaming

Existem filmes que apostam no impacto fácil da emoção e existem filmes que entendem que emocionar exige construção, escuta e tempo. “Uma Vida de Esperança” caminha por esse segundo terreno. Inspirado em uma história real, o longa dirigido por Jon Gunn encontra força justamente naquilo que poderia soar previsível. A escolha por olhar para pessoas comuns, feridas, imperfeitas e em constante colisão com a própria realidade transforma o filme em algo maior do que um simples drama edificante.

Crítica: "Uma Vida de Esperança" (Ordinary Angels)
Crítica: “Uma Vida de Esperança” (Ordinary Angels)

Sharon Steves surge como uma protagonista atravessada por contradições. Vivida por Hilary Swank com absoluto controle dramático, ela carrega um histórico de alcoolismo que jamais vira ornamento narrativo. O vício aparece como ruído permanente, como falha aberta, jamais como recurso de vitimização. Sharon age movida por impulsos, culpa, compaixão e teimosia. Quando cruza o caminho de Ed Schmitt, um pai viúvo esmagado pela responsabilidade de cuidar sozinho das filhas, o filme encontra seu eixo emocional mais sólido.

A relação entre Sharon e a família Schmitt cresce em camadas. Alan Ritchson constrói Ed como um homem exausto, contido, que tenta sustentar o mundo nos ombros enquanto tudo ameaça desabar. Ainda assim, o coração do filme pulsa nas duas filhas. Emily Mitchell e Skywalker Hughes entregam atuações que dispensam artifício. Existe uma verdade rara na maneira como essas crianças ocupam a narrativa, especialmente na relação entre irmãs, marcada por afeto silencioso, medo e uma maturidade forçada pelas circunstâncias.

Jon Gunn acerta ao evitar a armadilha do discurso religioso excessivo. A fé aqui aparece como prática cotidiana, gesto coletivo, ação concreta. O filme entende que milagres também nascem de vaquinhas improvisadas, telefonemas insistentes e gente comum decidida a ajudar. A comunidade se torna personagem, elemento central para sustentar a ideia de esperança como algo construído em conjunto, jamais concedido de forma divina ou abstrata.

Tecnicamente, “Uma Vida de Esperança” aposta na sobriedade. A fotografia cumpre seu papel ao valorizar os espaços íntimos e a rotina da pequena cidade. A montagem respeita o tempo emocional das cenas e conduz o espectador com fluidez até um último ato que assume sua vocação catártica. Os minutos finais operam com precisão cirúrgica, atingindo o espectador pelo acúmulo de empatia, e jamais pela manipulação explícita.

Há também uma leitura social importante atravessando o filme. Ao expor a dificuldade de acesso a tratamentos médicos mesmo em um país rico, o roteiro amplia seu alcance e retira a história do campo do sentimentalismo puro. A esperança aqui convive com falhas estruturais, desigualdades e limites reais. Isso dá peso ao que poderia ser tratado como conto edificante.

“Uma Vida de Esperança” funciona porque respeita seus personagens e confia na força da simplicidade bem conduzida. Um filme que acredita na humanidade sem ingenuidade e que entende que redenção raramente acontece de forma limpa ou instantânea. Esperança, aqui, surge como escolha diária, construída entre tropeços, erros e pequenos gestos capazes de mudar destinos inteiros.

“Uma Vida de Esperança”
Direção: Jon Gunn
Elenco: Hilary Swank, Alan Ritchson, Skywalker Hughes
Disponível em: HBO Max

⭐⭐⭐

Avaliação: 3 de 5.

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Temas: Alan RitchsonCríticaHilary SwankResenhaReviewSkywalker Hughes

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