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Crítica: “Velhos Bandidos”

Certas histórias parecem nascer com aquele espírito de filme de assalto clássico, quase como se estivessem tentando remixar ecos de “Onze Homens e um Segredo” com o humor despretensioso das chanchadas brasileiras. “Velhos Bandidos” entra nesse jogo prometendo charme, irreverência e um encontro geracional capaz de render faíscas. A ideia é irresistível no papel, mas o resultado encontra dificuldades em sustentar essa energia ao longo do caminho.

Crítica: “Velhos Bandidos”

No centro da trama, Marta e Rodolfo carregam o peso simbólico de duas lendas da atuação brasileira. Fernanda Montenegro e Ary Fontoura trazem consigo uma bagagem que naturalmente eleva qualquer cena. O problema é que o filme parece não saber exatamente o que fazer com esse potencial, deixando seus protagonistas à deriva em um humor que nunca se define completamente. O assalto que deveria ser o motor da narrativa acaba funcionando mais como pano de fundo do que como engrenagem ativa.

A entrada de Nancy e Sid, interpretados por Bruna Marquezine e Vladimir Brichta, sugere uma tentativa de atualizar a dinâmica, inserindo juventude e impulsividade na equação. Ainda assim, os personagens oscilam de forma irregular, como se estivessem presos em um roteiro que alterna entre o exagero caricato e uma falta de direção mais precisa. Essa inconsistência compromete o envolvimento, tornando difícil enxergar o grupo como uma equipe coesa.

O maior obstáculo, no entanto, está na falta de senso de organização. Cada núcleo parece existir em um filme diferente. A comédia nunca encontra um ritmo consistente, as piadas surgem e desaparecem sem impacto duradouro, e o timing, essencial para o gênero, raramente encaixa. A sensação predominante é de um projeto em constante ensaio, como se estivesse sempre a um passo de acertar o tom, mas nunca chegando lá.

Visualmente, a experiência também levanta questionamentos. A fotografia e a montagem apostam em uma estética fragmentada que mais confunde do que contribui. O resultado remete a um conteúdo acelerado, quase descartável, como se o filme tivesse sido recortado para caber em outra lógica de consumo, distante da proposta cinematográfica que tenta abraçar.

Dentro desse cenário, o personagem de Lázaro Ramos surge como um ponto de interesse. Seu investigador inicialmente parece deslocado, quase pertencente a outra narrativa, mas aos poucos ganha relevância e ajuda a amarrar partes soltas da história. Ainda assim, essa integração chega tarde demais para reorganizar completamente o conjunto.

Existe um desejo evidente de brincar com clichês do gênero policial, mas o filme acaba reproduzindo exatamente aquilo que tenta ironizar. As reviravoltas finais indicam uma ambição maior, sugerindo caminhos mais ousados, porém a conclusão opta por uma zona de conforto que dilui qualquer impacto mais marcante. Quando finalmente surge a chance de afirmar uma identidade própria, a narrativa recua.

“Velhos Bandidos” deixa a impressão de um encontro promissor que nunca atinge seu auge. Um filme que reúne talentos incontestáveis, mas que se perde na falta de sintonia, como uma banda afinando instrumentos sem nunca iniciar a música de fato.

“Velhos Bandidos”
Direção:
Cláudio Torres
Elenco: Fernanda Montenegro, Ary Fontoura, Bruna Marquezine, Vladimir Brichta, Lázaro Ramos
Disponível em: cinemas brasileiros

Avaliação: 2 de 5.

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