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Crítica: Victoria Aveyard, “Destruidor de Destinos”

Texto: Ygor Monroe
19 de março de 2025
em Livros, Resenhas/Críticas

Com “Destruidor de Destinos”, Victoria Aveyard encerra a trilogia “Destruidor de Mundos” da forma como começou: apostando em uma fantasia clássica, recheada de batalhas épicas, alianças frágeis e personagens que oscilam entre heroísmo e ruína. Publicado pela Editora Seguinte, o livro oferece tudo o que os fãs esperavam e um pouco mais. Embora o volume final carregue certa grandiosidade que por vezes ameaça engolir sua própria narrativa, o impacto emocional e a força dos protagonistas garantem que a história termine de maneira memorável.

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Crítica: Victoria Aveyard, “Destruidor de Destinos”
Crítica: Victoria Aveyard, “Destruidor de Destinos”

O cenário é desesperador: os reinos da Ala estão praticamente dizimados, Taristan e Erida avançam implacáveis com seu exército de cadáveres e, no centro do caos, Corayne se vê isolada, sem aliados próximos, sem espada intacta e com um futuro incerto. O que poderia facilmente ser mais um desfecho previsível de jornada heroica ganha, nas mãos de Aveyard, uma camada extra de melancolia e tensão.

Corayne permanece uma protagonista sólida, mas quem rouba atenção neste volume é Sorasa Sarn. Conhecida pela dureza quase inquebrantável, ela finalmente revela rachaduras emocionais sem perder sua essência. É um dos arcos mais bem desenvolvidos do livro, justamente por não recorrer a transformações bruscas ou inverossímeis. A vulnerabilidade surge com naturalidade, sem comprometer a letalidade e sagacidade da personagem.

O texto de Aveyard continua fluido, dinâmico e habilidoso no equilíbrio entre descrição e ação. Os trechos de batalha, especialmente nos momentos finais, são visualmente grandiosas sem perder o ritmo. Há, no entanto, um certo desequilíbrio no último ato: enquanto a construção inicial e o desenvolvimento dos conflitos fluem com precisão, o clímax parece sofrer de excesso. Personagens se dispersam, subtramas se acumulam e, por instantes, a urgência narrativa se dilui. Não compromete o todo, mas pede uma leitura atenta para não se perder em meio à multiplicidade de eventos algo que, curiosamente, soa quase intencional, como se Aveyard quisesse reforçar a sensação de que todos estão, de fato, à beira do colapso.

Outro acerto importante é o tratamento dado à antagonista Erida. Distante das vilãs maniqueístas, ela personifica um poder frio e calculista, cujas motivações políticas são tão críveis quanto inquietantes. Seu avanço imperial, alimentado por pactos demoníacos, funciona como um espelho sombrio da própria ambição dos heróis.

“Destruidor de Destinos” não entrega um final simplista ou confortável. Aveyard opta por um encerramento que respeita a complexidade dos personagens e as consequências das escolhas feitas ao longo da trilogia. A emoção está presente, e sim, surpreende ver certos personagens permitindo brechas para o carinho, mas nunca de forma gratuita.

⭐⭐⭐⭐

Avaliação: 3.5 de 5.

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Temas: CríticaDestruidor de DestinosResenhaReviewVictoria Aveyard

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