Sangue que pulsa mais alto que qualquer lógica, uma mãe movida por instinto e uma cidade que se transforma em campo de batalha. A vingança aqui não pede licença, ela invade, quebra e segue em frente, conduzida por uma protagonista que transforma cada espaço em território de sobrevivência.
Em “Vingadora”, a história parte de um gatilho direto e poderoso. Uma ex-militar acorda em um cenário hostil com a notícia de que sua filha foi sequestrada. A partir desse ponto, a narrativa abandona qualquer sutileza e mergulha em uma jornada brutal. O filme entende que sua força está na ação e não perde tempo tentando ser outra coisa, ainda que isso traga consequências evidentes.
Milla Jovovich domina a tela com presença física e intensidade. Nikki não é construída com grandes camadas psicológicas, mas isso pouco importa diante da entrega da atriz. Existe uma energia crua que sustenta o filme mesmo quando o roteiro falha, transformando cada confronto em um espetáculo de força e movimento. Facas, armas improvisadas e até objetos inesperados entram em cena como extensões dessa fúria.
A direção de Adrian Grunberg aposta em sequências de combate coreografadas com precisão. A ação é visceral, direta e muitas vezes exagerada, criando momentos que funcionam quase como peças isoladas dentro de uma estrutura maior. Há um prazer evidente em explorar o impacto físico de cada golpe, cada queda, cada confronto.
O problema surge quando a narrativa precisa se sustentar fora desses momentos. O roteiro de Bong-Seob Mun apresenta inconsistências que comprometem a experiência. A construção é irregular, com decisões que quebram o ritmo e reviravoltas previsíveis, além de diálogos que raramente alcançam o peso necessário. Em alguns momentos, a sensação é de que a história se perde dentro de si mesma.
Mesmo assim, existe algo curioso na forma como “Vingadora” se apresenta. É um filme que funciona melhor quando abraça suas falhas e segue em frente sem olhar para trás, apostando na energia caótica da protagonista e na intensidade das cenas de ação. Essa contradição entre execução falha e entretenimento direto cria uma experiência quase paradoxal.
Comparações com produções de ação mais tradicionais surgem naturalmente, mas aqui o diferencial está na entrega física da protagonista. A presença de Jovovich eleva o material, transformando uma narrativa problemática em algo assistível e, em certos momentos, empolgante.
“Vingadora” é um daqueles casos raros em que qualidade técnica e entretenimento caminham em direções opostas. Um filme que falha em sua estrutura, mas acerta no impacto imediato, sustentado por uma protagonista que carrega tudo nas costas com intensidade e carisma.
“Vingadora”
Direção: Adrian Grunberg
Roteiro: Bong-Seob Mun
Elenco: Milla Jovovich, Matthew Modine, Isabel Myers
Disponível em: cinemas a partir de 26 de março de 2026
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