“Went Up the Hill” apresenta uma narrativa que mistura suspense, fantasia e drama, explorando os efeitos do luto e da perda de forma intensa e perturbadora. O filme acompanha Jack (Dacre Montgomery), que viaja à Nova Zelândia para o funeral de sua mãe, ausente por boa parte de sua vida. Ao chegar, ele encontra Jill (Vicky Krieps), viúva em luto e ligada à história de sua mãe, e juntos eles começam uma busca por respostas que se torna cada vez mais inquietante. O longa constrói uma atmosfera carregada de tensão psicológica, em que o passado e o presente se entrelaçam de maneira desconcertante, transformando o luto em um fantasma literal que persegue e conecta os personagens.
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A direção de Samuel Van Grinsven aposta em um ritmo lento e deliberado, explorando o desconforto e a estranheza como elementos centrais do suspense. Cada cena é cuidadosamente construída para que o espectador sinta a instabilidade emocional dos personagens, em um horror mais psicológico e sensorial do que explícito. O uso de ambientes que alternam entre paisagens exuberantes e espaços quase vazios reforça a sensação de isolamento, como se o luto tivesse moldado não apenas a mente, mas também o mundo ao redor dos protagonistas. A fotografia cria uma estética que oscila entre a beleza natural da Nova Zelândia e um vazio metafísico, espelhando a experiência emocional dos personagens.
Dacre Montgomery entrega uma atuação profunda, captando nuances de dor, raiva e vulnerabilidade. Sua performance dá vida a Jack de maneira visceral, permitindo ao público sentir o peso de traumas de infância e a complexidade das relações familiares. Vicky Krieps complementa com uma interpretação contida, mas carregada de emoção, transformando Jill em uma personagem que equilibra mistério, dor e resiliência. O encontro entre os dois não é apenas narrativo, mas emocional, refletindo como o luto pode unir e afastar simultaneamente.
O roteiro de Van Grinsven e Jory Anast explora a temática do trauma e da perda sem recorrer a clichês fáceis. O filme consegue ser ao mesmo tempo doloroso e absorvente, mostrando como a morte pode instigar reflexões sobre identidade, família e o próprio sentido da vida. O elemento sobrenatural funciona como metáfora, mas também como ameaça concreta, tornando a experiência tensa e imprevisível. O espectador se vê imerso em um universo onde passado e presente dialogam, e cada gesto dos personagens ganha peso simbólico e emocional.
A trilha sonora e o design de som potencializam essa imersão, utilizando sons humanos e naturais para criar uma sensação de proximidade e desconforto. Cada detalhe, desde a ambientação até os movimentos sutis da câmera, contribui para que a obra seja sentida tanto no corpo quanto na mente, transformando o luto em experiência cinematográfica interessante.
“Went Up the Hill” é uma obra que desafia o espectador, exigindo atenção e entrega emocional. Não é um filme fácil, mas é memorável, capaz de provocar reflexão profunda sobre perda, memória e reconciliação. Trata-se de um horror íntimo, de câmara, em que a intensidade das performances e a singularidade da visão do diretor elevam a narrativa acima de produções convencionais do gênero.
“Went Up the Hill”
Direção: Samuel Van Grinsven
Roteiro: Samuel Van Grinsven, Jory Anast
Elenco: Vicky Krieps, Dacre Montgomery, Sarah Peirse
Disponível em breve nos cinemas
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