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Crítica: Yungblud, “Idols”

Alguns artistas se perdem tentando ser tudo. Outros se acham justamente quando abandonam qualquer expectativa de encaixe. Yungblud parece finalmente ter entendido essa segunda opção. Com “Idols”, ele se afasta da caricatura hiperativa que marcou seus primeiros trabalhos e, pela primeira vez, entrega um disco que soa grande, sincero e emocionalmente adulto sem perder energia ou identidade.

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Crítica: Yungblud, “Idols”

Gravado em Leeds, perto de suas origens, o projeto respira autenticidade desde a primeira ideia. Existe algo na geografia afetiva de um artista que molda o som de maneira sutil, mas impactante. E é isso que acontece aqui. Não é só um disco voltando para casa. É um disco que entende o que é ter casa, o que é ter passado, e o que é finalmente assumir esse passado com maturidade.

Em vez de apostar na fórmula batida de singles virais e refrões gritados, Yungblud resolve compor um universo próprio, com densidade emocional e um senso narrativo raro para a geração dele. É um álbum que pensa em camadas, em texturas, em como a construção de mundo sonora pode se sobrepor ao apelo momentâneo. E essa escolha o transforma.

Tecnicamente, “Idols” é o trabalho mais robusto da carreira dele até agora. A produção é densa, envolvente, com guitarras pesadas e cordas épicas se cruzando de forma orquestral, quase cinematográfica. É um disco com estrutura de arena, mas com alma de quarto escuro. Tudo soa dramático, mas nada é vazio. Há intenção por trás de cada explosão, de cada silêncio entre uma batida e outra.

Vocalmente, o salto é inacreditável. Yungblud deixa para trás o timbre nervoso e irritadiço que limitava seus trabalhos anteriores e entrega performances cheias de nuances. Ele canta com paixão, mas também com controle. Grita quando é necessário, sussurra quando precisa, e finalmente entende que intensidade não se mede só em decibéis.

O mais curioso é que, mesmo quando caminha por referências evidentes de britpop e glam rock, ele o faz com propriedade. O disco é cheio de ecos de ídolos mas nada parece cópia ou homenagem gratuita. É inspiração filtrada por identidade. Influência convertida em linguagem própria. Algo que só acontece quando o artista finalmente se encontra dentro da própria arte.

“Idols” talvez não seja o disco mais inovador do ano, mas é, sem dúvida, um dos mais coerentes, emocionais e bem executados. Um projeto que entende que amadurecer artisticamente não significa perder atitude, e sim redirecioná-la. Ao invés de atirar para todos os lados, Yungblud agora acerta em cheio.

Quem ouviu os primeiros álbuns dele e achou que se tratava de mais um produto embalado para o TikTok pode se surpreender. Porque este é um disco que não implora para ser ouvido, mas permanece com você depois de ouvido. E, na era da pressa e do esquecimento instantâneo, isso vale mais que qualquer hype.

Nota: 79/100

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