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De Madonna a Adéla: por que 2026 virou um dos anos mais interessantes do pop

Texto: Ygor Monroe
16 de setembro de 2026
em Música

Talvez a pergunta mais interessante sobre a música pop em 2026 não seja quem ocupa o primeiro lugar das paradas, mas por que, depois de tantos anos tentando encontrar uma fórmula dominante, ficou cada vez mais difícil apontar apenas uma maneira de fazer sucesso. O pop continua produzindo estrelas gigantescas, turnês disputadas, campanhas milionárias e fenômenos globais, porém o caminho entre lançar uma música e efetivamente ocupar a cultura deixou de seguir uma trajetória tão previsível.

De Madonna a Adéla: por que 2026 virou um dos anos mais interessantes do pop
De Madonna a Adéla: por que 2026 virou um dos anos mais interessantes do pop

O inglês continua extremamente importante comercialmente, mas já não possui exclusividade sobre aquilo que entendemos como música global. Os gêneros estão se misturando até perder parte das antigas fronteiras, artistas que passaram anos orbitando o mainstream finalmente encontram públicos enormes e nomes que poderiam parecer pertencentes a outro momento da indústria reaparecem completamente integrados ao presente. Mais do que apresentar uma nova tendência dominante, 2026 parece consolidar o fim da obrigação de existir apenas uma.

Basta observar algumas das artistas que ajudam a explicar este momento. Madonna voltou para a pista de dança décadas depois de participar diretamente da construção de sua linguagem dentro do pop. Slayyyter encontrou o maior momento comercial da carreira justamente quando deixou de perseguir aquilo que imaginava ser comercialmente necessário. Adéla representa uma geração capaz de construir uma comunidade extremamente envolvida antes mesmo de possuir uma discografia gigantesca, enquanto Charli xcx continua exercendo influência sobre um ecossistema que ajudou a aproximar o mainstream das pistas, da internet e do experimentalismo.

Ao mesmo tempo, Bad Bunny continua demonstrando que uma carreira global não precisa obrigatoriamente passar pelo inglês, enquanto o K-pop, o Afrobeats e diferentes movimentos da música latina ocupam espaços que durante décadas foram tratados pela indústria ocidental como mercados paralelos. Não significa que o antigo centro da indústria tenha desaparecido, mas que agora ele precisa dividir espaço com diferentes polos de influência capazes de produzir seus próprios fenômenos.

Adéla e a construção de uma estrela diante do público

Existe algo particularmente interessante acontecendo com Adéla porque sua trajetória permite observar praticamente em tempo real como uma nova artista pop pode ser construída em 2026. A cantora eslovaca passou pelo “Dream Academy”, projeto que originaria o Katseye, mas não terminou entre as integrantes do grupo. Em outro momento da indústria, essa poderia facilmente ter sido a última informação que o grande público receberia sobre ela. Em vez disso, a experiência acabou funcionando como prólogo para uma carreira individual que começou a chamar atenção justamente por não esconder completamente o percurso necessário para chegar até ali.

Essa narrativa combina muito bem com o pop atual porque Adéla não apareceu diante do público como uma estrela misteriosamente pronta. Existe uma trajetória anterior disponível, existem frustrações, ambição e a sensação de acompanhar alguém tentando ocupar um espaço que ainda não está completamente garantido. Em agosto, “The Atlantic” colocou Adéla ao lado de Slayyyter ao analisar artistas que estão invertendo determinadas fantasias tradicionais do sonho americano dentro da música pop. Em vez da ascensão social vendida exclusivamente através de mansões, perfeição e glamour, existe uma consciência muito maior sobre precariedade, fracasso e dificuldade de alcançar o estrelato.

No caso de Adéla, a própria perseguição pelo estrelato passa a integrar sua identidade artística, o que representa uma mudança importante em relação à lógica tradicional do pop. Durante décadas, artistas precisavam parecer estrelas antes mesmo de efetivamente se tornarem estrelas. Agora, acompanhar essa construção pode ser parte do interesse que mantém uma comunidade próxima de alguém desde os primeiros lançamentos.

Isso também ajuda a explicar por que artistas relativamente novos conseguem ocupar posições centrais nas discussões de comunidades pop sem necessariamente possuir aquela sequência tradicional de cinco ou seis sucessos radiofônicos. O público pode chegar antes da consagração institucional, participar do crescimento e ajudar a construir uma dimensão cultural que posteriormente começa a aparecer nos números. Adéla ainda está escrevendo essa história, e talvez seja justamente essa ausência de um destino completamente definido que torne sua trajetória tão interessante de acompanhar.

Slayyyter e o momento em que parar de perseguir o sucesso finalmente funcionou

Se existe uma história capaz de resumir a imprevisibilidade do pop em 2026, talvez seja a de Slayyyter. Catherine Grace Garner passou praticamente uma década vivendo naquele território particularmente ingrato da indústria em que uma artista pode ser conhecida demais para ser considerada desconhecida e, simultaneamente, pequena demais para receber a estrutura reservada às grandes estrelas.

Seu público online sempre foi extremamente fiel, sua relação com comunidades LGBTQIA+ e com a cultura pop da internet ajudou a sustentar uma base dedicada e seus projetos anteriores construíram uma identidade reconhecível. Ainda assim, faltava atravessar aquela última parede capaz de transformar reconhecimento de nicho em uma carreira comercialmente maior.

Slayyyter contou que chegou a imaginar “WOR$T GIRL IN AMERICA” como seu último grande esforço profissional. Depois de anos tentando descobrir qual música poderia funcionar comercialmente, decidiu fazer praticamente o contrário e diminuir a preocupação com algoritmos para produzir aquilo que realmente gostaria de ouvir. “BEAT UP CHANEL$” começou a atravessar os limites de sua comunidade tradicional, “CRANK” ampliou o barulho e o álbum que poderia funcionar como uma despedida acabou se transformando no maior momento de sua carreira.

“WOR$T GIRL IN AMERICA” alcançou o primeiro lugar da parada Top Dance Albums da Billboard, permaneceu por semanas no ranking e também entrou na Billboard 200. O crescimento se refletiu nos palcos, com aumento da procura pela turnê e uma presença maior de Slayyyter dentro da conversa pop. Mais interessante do que simplesmente olhar para esses números, porém, é entender o que precisou acontecer para que eles finalmente aparecessem.

A mudança foi também estética. Slayyyter abandonou parte do glamour artificial que havia marcado “Starfucker” e mergulhou em uma representação propositalmente cafona, decadente e exagerada dos Estados Unidos. Bonés de caminhoneiro, shorts jeans, motéis, lojas de conveniência, porões e referências ao interior norte-americano passaram a formar a identidade da era, criando um universo que contrasta diretamente com a fantasia tradicional da estrela pop cercada por luxo.

Depois de anos em que a cultura pop reviveu incessantemente o Y2K polido, as bolsas brilhantes, os celulares flip e a fantasia McBling, Slayyyter encontrou outra camada daquele imaginário: a estética das pessoas que não estavam entrando na limousine. O posto de gasolina de madrugada, o estacionamento, o motel de estrada e o boné velho aparecem não apenas como acessórios de uma campanha, mas como parte de uma retomada cultural da estética chamada de “white trash”, agora reconstruída por alguém que conhece profundamente a linguagem da internet.

Slayyyter certamente não criou sozinha essa mudança, mas acabou se tornando uma de suas representações mais evidentes em 2026. O mais curioso é perceber que o avanço comercial aconteceu justamente quando a artista pareceu menos interessada em reproduzir aquilo que tradicionalmente seria entendido como comercial. Depois de anos tentando encontrar uma porta para o mainstream, ela descobriu que talvez fosse mais interessante construir sua própria entrada.

Charli xcx e um sucesso que continuou muito além de “Brat”

É impossível discutir essa transformação sem chegar a Charli xcx. “Brat” foi lançado em 2024, mas seu efeito sobre o pop não desapareceu quando a cor verde deixou de dominar as timelines. Talvez o impacto mais importante do álbum tenha sido justamente mostrar para uma geração inteira de artistas, produtores e executivos que aquilo que parecia excessivamente específico poderia, nas condições certas, alcançar uma audiência gigantesca.

Charli passou boa parte da carreira ocupando uma posição curiosa. Era compositora de sucessos enormes, possuía músicas conhecidas mundialmente e, ao mesmo tempo, funcionava como referência para uma cena pop consideravelmente mais experimental. “Brat” aproximou definitivamente esses mundos, mas seu verdadeiro legado começou a ficar ainda mais claro quando outras artistas perceberam que não precisavam necessariamente copiar sua sonoridade para aproveitar a abertura cultural provocada por ela.

O efeito mais profundo foi a legitimação de uma ideia que durante muito tempo parecia incompatível com as ambições do mainstream. Ser estranho, específico, clubber, sexual, irônico ou excessivamente conectado à internet não precisava impedir ninguém de alcançar uma audiência enorme. A própria ascensão de Slayyyter pode ser observada dentro desse ambiente, ainda que sua identidade musical siga um caminho próprio e não funcione como simples extensão daquilo que Charli havia feito.

É por isso que reduzir o sucesso continuado de Charli xcx à quantidade de semanas ocupadas por cada single nas paradas seria perder uma parte importante da história. Uma artista pode alterar o ambiente ao redor de sua obra de maneira muito mais profunda do que simplesmente permanecer em primeiro lugar. Charli ajudou a tornar comercialmente imaginável um tipo de pop que durante anos seria automaticamente colocado na prateleira do alternativo, e o resultado dessa mudança continua aparecendo mesmo quando outras artistas ocupam o centro da conversa.

Madonna voltou para uma pista que ajudou a construir

Se Slayyyter representa uma artista finalmente atravessando a barreira entre o culto e algo maior, enquanto Adéla ainda está construindo sua trajetória, Madonna ocupa o extremo oposto dessa linha do tempo, e é justamente isso que torna “Confessions 2” tão interessante dentro do cenário de 2026.

Lançado em 3 de julho, mais de vinte anos depois de “Confessions on a Dance Floor”, o disco reuniu novamente Madonna e Stuart Price, um dos principais arquitetos do álbum de 2005. A conexão com o passado é evidente, mas reduzir o projeto a uma tentativa de repetir uma era consagrada seria ignorar justamente aquilo que torna seu retorno tão curioso.

Madonna nunca abandonou completamente a pista de dança, portanto o verdadeiro acontecimento não está simplesmente em vê-la produzindo dance music novamente. O que chama atenção é observar como uma artista que ajudou a estabelecer tantas regras do pop retorna a esse território justamente quando uma nova geração está desmontando várias dessas regras.

“Confessions 2” chegou a um mercado no qual a club music voltou a ocupar uma posição privilegiada dentro da conversa pop. Charli xcx ajudou a aproximar novamente essa linguagem do mainstream, Beyoncé havia realizado sua própria exploração da história da dance music em “Renaissance” e uma geração inteira passou a circular com muito mais liberdade entre pop, house, techno, electroclash e outras ramificações eletrônicas.

Madonna encontrou, portanto, uma pista muito diferente daquela de 2005, mas que também carrega elementos de movimentos que ela própria ajudou a popularizar décadas antes. A reunião com Stuart Price cria uma ponte direta com “Confessions on a Dance Floor”, enquanto a participação de produtores de outra geração permite que o projeto não dependa exclusivamente da nostalgia.

O grande plot de “Confessions 2” talvez esteja justamente nisso. Em um ano dominado por discussões sobre quem será a próxima grande estrela, uma artista que não precisa mais disputar esse título conseguiu voltar ao centro da conversa recorrendo a uma linguagem que conhece profundamente sem fingir que os últimos vinte anos não aconteceram. O passado não aparece como uma cápsula fechada, mas como material que pode ser reorganizado diante de um presente completamente diferente.

O inglês continua importante, mas deixou de ser uma obrigação

A transformação do pop em 2026 também passa por uma mudança geográfica e linguística. A ideia de que uma carreira verdadeiramente global exige obrigatoriamente cantar em inglês se tornou cada vez mais difícil de sustentar, especialmente depois de anos de crescimento de artistas que construíram enormes públicos internacionais sem abandonar seus idiomas.

Bad Bunny talvez seja o exemplo mais evidente dessa transformação, mas está longe de ser o único. O crescimento global do K-pop demonstrou que públicos gigantescos estavam dispostos a atravessar barreiras linguísticas, enquanto Afrobeats e diferentes movimentos da música latina passaram a circular internacionalmente sem a antiga necessidade de adaptar completamente suas identidades para o mercado anglófono.

Isso não significa que o inglês tenha perdido importância. Estados Unidos e Reino Unido continuam sendo mercados fundamentais, e a indústria anglófona mantém uma influência gigantesca sobre a música global. O que mudou foi a obrigatoriedade. Cantar em inglês continua podendo ampliar determinadas oportunidades internacionais, mas deixou de funcionar como condição indispensável para construir um fenômeno mundial.

Essa transformação modifica inclusive nossa percepção sobre aquilo que chamamos de pop global. Em vez de existir apenas um centro exportando tendências para diferentes mercados, diferentes cenas conseguem produzir seus próprios fenômenos e posteriormente fazê-los circular internacionalmente. A internet acelerou esse processo ao diminuir a quantidade de intermediários necessários para que uma música criada em Seul, San Juan, Lagos ou São Paulo encontre ouvintes do outro lado do mundo.

As fronteiras entre os gêneros também ficaram menos importantes

O pop sempre absorveu elementos de outros gêneros, mas existe uma liberdade particularmente evidente em 2026 para misturar referências que anteriormente seriam comercializadas separadamente. Slayyyter atravessa dance, electroclash, rock e diferentes memórias dos anos 2000, enquanto PinkPantheress construiu uma identidade aproximando pop, drum and bass e garage. Charli xcx passou anos apagando a fronteira entre experimentalismo eletrônico e mainstream, ao mesmo tempo em que artistas como Olivia Dean e Raye demonstram que essa abertura não significa necessariamente abandonar estruturas clássicas de composição, soul ou grandes performances vocais.

A ideia de uma música “puramente pop” se torna menos importante porque o próprio pop sempre funcionou como um espaço de absorção. A diferença atual está na velocidade com que essas referências conseguem circular e na liberdade que artistas possuem para mudar de direção sem necessariamente reconstruir completamente sua identidade comercial.

Isso também impede que a expressão “pós-gênero” seja interpretada como se todo mundo estivesse produzindo a mesma mistura. O que está desaparecendo não é a diferença entre os sons, mas a necessidade de escolher uma única gaveta e permanecer dentro dela durante toda uma carreira.

O nicho cresceu e mudou a ideia de mainstream

Durante muito tempo, parte da experiência coletiva da música pop estava relacionada à existência daquele hit impossível de evitar. A música tocava na rádio, na televisão, nas festas, nas lojas e eventualmente chegava até quem não possuía qualquer interesse pelo artista. Esses fenômenos continuam existindo, mas agora convivem com uma fragmentação muito maior do consumo.

Duas pessoas podem acompanhar intensamente música pop e praticamente habitar universos diferentes. Uma pode acompanhar cada movimento de uma artista que construiu sua comunidade no TikTok, enquanto outra está inserida em uma cena eletrônica, outra acompanha K-pop, outra consome principalmente música latina e uma quinta permanece ligada às grandes estrelas tradicionais. Nenhuma dessas pessoas necessariamente está fora do mainstream.

É justamente essa mudança que ajuda a explicar por que determinadas artistas conseguem parecer absolutamente gigantescas para milhões de pessoas e ainda permanecer relativamente desconhecidas para outras parcelas do público. O nicho deixou de significar necessariamente uma audiência pequena. Existem comunidades com milhões de pessoas capazes de esgotar turnês, comprar diferentes versões físicas de um álbum, organizar campanhas e transformar lançamentos em acontecimentos culturais sem que o restante da população esteja consumindo exatamente a mesma coisa.

Essa fragmentação também enfraquece a antiga necessidade de existir apenas uma grande “música do verão” capaz de representar todo o período. Continuamos tendo hits enormes, mas eles podem coexistir com outros fenômenos de proporções semelhantes dentro de comunidades completamente diferentes.

TikTok continua importante, mas já não explica sozinho um sucesso

Nenhuma análise sobre o pop recente estaria completa sem considerar o impacto dos algoritmos. O TikTok modificou profundamente a maneira como músicas são descobertas, estruturadas e promovidas, e durante determinado período parecia existir uma obsessão industrial pela possibilidade de produzir aqueles poucos segundos capazes de gerar milhões de vídeos.

Essa estratégia continua relevante, mas a própria indústria percebeu suas limitações. Viralizar uma música não significa necessariamente construir uma carreira, e acumular milhões de visualizações em um trecho específico não garante que o público permanecerá interessado quando chegar o lançamento seguinte.

Por isso, a construção de universos voltou a ocupar uma posição central. Identidade visual, shows, produtos físicos, comunidades digitais, eventos presenciais, pistas espalhadas pelas redes e experiências exclusivas passaram a funcionar como extensões de um lançamento. O objetivo não é simplesmente convencer alguém a ouvir uma música durante alguns segundos, mas fazer com que essa pessoa queira permanecer dentro daquele universo.

Slayyyter novamente funciona como um bom exemplo. A campanha de “WOR$T GIRL IN AMERICA” não depende apenas das músicas, porque existe uma linguagem reconhecível atravessando toda a era. A estética do interior norte-americano, o humor, as imagens propositalmente exageradas, os bonés, a atitude e a comunicação digital pertencem ao mesmo projeto. É essa coerência que transforma uma música viral em algo potencialmente maior do que o próprio viral.

Existem várias maneiras de ser uma estrela pop em 2026

É justamente nesse ponto que Madonna, Charli xcx, Slayyyter e Adéla acabam se encontrando apesar de estarem em momentos completamente diferentes de suas trajetórias. Madonna não precisa provar que consegue ser uma estrela pop, mas precisa encontrar maneiras de fazer décadas de história continuarem conversando com o presente sem simplesmente reproduzir o passado. Charli conseguiu transformar características que durante anos a colocaram ligeiramente fora do centro em elementos que posteriormente ajudariam a modificar esse próprio centro.

Slayyyter passou quase uma década tentando encontrar o momento em que finalmente seria considerada grande o suficiente e descobriu que sua oportunidade mais significativa apareceu justamente quando diminuiu a preocupação em obedecer às expectativas comerciais. Adéla, por sua vez, está construindo essa história enquanto o público acompanha, mostrando como a trajetória até o estrelato pode funcionar como parte da própria narrativa de uma artista.

Ao redor delas existem Raye, PinkPantheress, Olivia Dean, Zara Larsson, FKA twigs, Kehlani e tantos outros nomes ocupando posições diferentes dentro da cultura sem necessariamente obedecer à antiga escada que determinava quem poderia ou não ser considerada uma grande estrela. Algumas dominam paradas, outras possuem comunidades extremamente engajadas, algumas conseguem transformar turnês em acontecimentos e outras exercem uma influência cultural muito maior do que seus números isolados poderiam sugerir.

O pop de 2026 não está sem direção porque existem caminhos demais. Ele simplesmente deixou de exigir que todos escolham o mesmo. Existe espaço para uma veterana retornar à pista décadas depois de ajudar a transformar sua linguagem, para uma artista converter uma estética propositalmente decadente em seu primeiro grande avanço comercial e para alguém que saiu de um projeto televisivo reconstruir completamente a própria narrativa como artista solo.

Depois de décadas em que a indústria tentou descobrir qual seria a próxima fórmula para reproduzi-la até o esgotamento, 2026 está mostrando que o pop pode ser muito mais interessante quando diferentes ideias de estrelato conseguem coexistir. Talvez seja justamente por isso que encontrar “a próxima grande tendência” esteja ficando tão difícil, porque a transformação mais importante do momento não está necessariamente em um gênero, uma plataforma ou uma estética específica, mas na possibilidade de existir mais de uma resposta para aquilo que uma estrela pop pode ser.

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Temas: Música

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