Anitta nunca anunciou um disco apenas como anúncio. Sempre há uma mensagem por trás, uma estratégia, uma camada que vai além da música. Com “Equilibrium“, seu oitavo álbum de estúdio, a artista não apresenta só um novo trabalho, mas um reposicionamento de imagem e de narrativa.
O título já diz muito. “Equilibrium” nasce da ideia de equilíbrio emocional e espiritual, e não é por acaso. A própria cantora admitiu que o projeto surgiu de uma “questão profissional interna” que ela prefere manter em silêncio. O que fica claro é que essa tensão virou combustível criativo. É a primeira vez que Anitta coloca de forma tão explícita a dualidade entre a estrela global e a mulher nos bastidores como eixo central de um álbum.

O lançamento será estratégico e dividido. A primeira parte, totalmente em português, chega logo após o Carnaval de 2026. A segunda, com músicas em inglês e espanhol, está prevista para o segundo semestre, possivelmente depois da Copa do Mundo. É um movimento calculado. Primeiro, ela reafirma sua base. Depois, retoma o mundo.
Internamente, o disco é estruturado em quatro atos. A proposta é conduzir o ouvinte por diferentes estados de espírito, alternando entre um lado mais reflexivo e introspectivo e outro completamente voltado para a festa. Não é apenas uma divisão estética, é conceitual. O visual do projeto mergulha no tema “Cosmos”, com referências à espiritualidade e aos orixás, ampliando essa busca por centro e conexão.
Se em trabalhos anteriores a artista parecia obcecada por expansão internacional, aqui o discurso é outro. “Equilibrium” foi descrito por ela como um verdadeiro “suco de brasilidade”. A sonoridade mistura funk, samba, bossa nova, reggae e os chamados macumbeats, uma fusão de ritmos afro-brasileiros com produção contemporânea. É um álbum que olha para fora sem deixar de olhar para dentro.
Entre as faixas já reveladas ou apresentadas em prévias estão “Pinterest”, “Nanã” com Rincon Sapiência e KING, “Bemba” com Luedji Luna, “Vai Dar Caô” com Ebony, “Deus Existe” com Melly e “Girl From Rio Part 2”. Também foram confirmadas músicas como “Caminhador”, “Doçura”, “Choka Choka”, “Meia Noite” e “Respira”. O detalhe que chama atenção é a decisão de não incluir participações internacionais nesta era. Todas as colaborações são brasileiras, concentradas principalmente na primeira parte do projeto.
Há ainda homenagens que ajudam a entender o recado do álbum. Um sample de “Baby”, eternizada na voz de Gal Costa, e uma regravação oficial de uma obra de Djavan reforçam essa ancoragem na música brasileira. Não é apenas nostalgia, é declaração de identidade.
O anúncio oficial aconteceu no encerramento dos Ensaios da Anitta, em São Paulo, em fevereiro de 2026. E o simbolismo não passa despercebido. O projeto que começou como aquecimento de Carnaval virou palco para revelar um trabalho que, ao que tudo indica, é o mais pessoal da sua trajetória.
Depois de consolidar seu nome em mercados internacionais e testar fórmulas globais, Anitta parece entender que a força de sua marca sempre esteve na capacidade de traduzir o Brasil em linguagem pop. “Equilibrium” surge como essa reconciliação. Não é sobre escolher entre o local e o global, é sobre equilibrar os dois.
E talvez seja justamente aí que esteja o maior risco e também o maior acerto. Em vez de repetir a fórmula que a levou ao topo das paradas globais, ela aposta em identidade, conceito e profundidade. Em 2026, enquanto o mercado insiste na velocidade, Anitta escolhe o centro.
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