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Dione Carlos movimenta São Paulo com teatro, literatura e sucesso no streaming

Quem atravessa o SESC 14 BIS neste mês sente o pulso vibrante da arte que Dione Carlos vem espalhando por São Paulo. A dramaturga, roteirista, atriz, curadora e professora é uma força incontornável da cena brasileira, e mostra isso em múltiplas frentes: na próxima quinta-feira, 10 de julho, ela estreia a peça “A Boca que Tudo Come Tem Fome (do cárcere às ruas)”, uma parceria com a Cia de Teatro Heliópolis que ocupa o Teatro Raul Cortez. Seis dias depois, no mesmo espaço cultural, Dione lança seu novo livro “Cárcere ou porque as mulheres viram búfalos”, reafirmando o compromisso visceral que tem com a palavra, a memória e o presente.

Dione Carlos movimenta São Paulo com teatro, literatura e sucesso no streaming

Dione fala desse momento como quem olha orgulhosa para a estrada que pavimentou com rigor. “Estabeleci um código de conduta artística e me mantive leal a ele. Disse e recebi muito ‘não’ até conseguir os ‘sim’ que faziam sentido para mim”, conta. “Não me rendi a nenhum imediatismo, quis construir minha estrada com solidez. Li, ouvi, estudei, discordei quando necessário. Dediquei tempo e energia vital em todos os projetos nos quais estive envolvida.”

Para quem acompanha a trajetória da autora, não surpreende a profundidade e o cuidado que ela carrega em cada projeto. “A Boca que Tudo Come é a terceira peça de uma trilogia criada pela Cia de Teatro Heliópolis sobre o encarceramento em massa nos presídios no Brasil. Eu escrevi a segunda e a terceira peça”, explica. Se o premiado “Cárcere ou porque as mulheres viram búfalos” colocava em cena a luta das mulheres pela libertação de parentes presos e por elas mesmas dentro do sistema carcerário, o novo espetáculo foca no que acontece após a experiência de viver encarcerado. “Na segunda peça o mito era Iansã, e nesta é Exu, o dono das encruzilhadas, dos caminhos.”

A inquietação de Dione passa também pela TV. Recentemente, ela assinou cenas da novela “Guerreiros do Sol”, primeira produção inédita do canal Globoplay Novelas, centrada no cangaço, mas pelo olhar das mulheres. “Recebi o convite com muita alegria. ‘Guerreiros’ é uma das maiores produções da empresa e conta com uma equipe de roteiristas de primeira linha. Passei meses trocando diretamente com o George Moura, um dos criadores da novela”, relembra. “Escrevi cenas que considero ousadas e me surpreendi ao saber que haviam sido aprovadas. Celebrei. Criamos uma novela cinematográfica. Tem sido um sucesso estrondoso.”

Quem conhece Dione sabe que o teatro é o seu chão, mas o cinema e a música também movem sua escrita. “Escrevo ouvindo música, tenho um gosto eclético. Ler e assistir filmes faz parte da minha formação. A música tem um lugar poderoso de inspiração e memória afetiva”, diz. Com o documentário “Elza Infinita”, venceu o Festival de Cinema de Nova York em 2021. E guarda em si o canto que foi interrompido na geração anterior. “Minha mãe teria sido uma grande cantora se tivesse tido oportunidade. A música é um dom, assim como a escrita. Mas que exige disciplina, entrega.”

Olhando para o futuro, Dione não se contenta com o muito que já conquistou. “Sonho ver alguma novela, série ou filme com autoria minha na tela. Ser proponente. Estou determinada em escrever sobre música, irmandade feminina e pessoas neurodivergentes.” Porque para ela, o teatro é lugar de “contemplação profunda e ação efetiva”, e é nessa encruzilhada que constrói uma obra transformadora, sensível e urgente.

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