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Do horror ao entretenimento: o apelo dos serial killers em Hollywood

Poucos temas exercem tanto magnetismo sobre Hollywood quanto os serial killers. A indústria audiovisual retorna a essas figuras de forma cíclica, seja no cinema, nas séries ou nos documentários, sempre com novos recortes, abordagens psicológicas mais refinadas e uma estética cada vez mais sofisticada. O assassino em série deixou de ser apenas um vilão e passou a ocupar o centro da narrativa, muitas vezes tratado como objeto de fascínio, estudo ou até identificação. Esse movimento revela mais sobre o público e sobre a própria indústria do que sobre os crimes em si.

Do horror ao entretenimento: o apelo dos serial killers em Hollywood

Durante décadas, os serial killers apareceram no cinema como forças do mal quase abstratas. Filmes como “Psicose” e “O Silêncio dos Inocentes” ajudaram a estabelecer o arquétipo do assassino frio, calculista e intelectualmente sedutor. Com o tempo, esse perfil foi ganhando camadas psicológicas mais densas.

Produções recentes apostam menos no susto imediato e mais na imersão na mente do criminoso. Séries como “Mindhunter” e “Dahmer: Um Canibal Americano” priorizam o processo psicológico, o contexto social e as falhas institucionais que permitiram a escalada da violência. O crime vira ponto de partida para discutir comportamento, poder, negligência e obsessão.

O crescimento desse tipo de conteúdo acompanha a explosão do streaming. Plataformas perceberam que histórias de crimes reais geram alto engajamento, retenção prolongada e intenso debate nas redes sociais. Documentários e dramatizações baseadas em casos reais costumam figurar entre os conteúdos mais assistidos logo nas primeiras semanas de lançamento.

Esse interesse se reflete também no cinema autoral. Filmes como “Zodíaco”, de David Fincher, e “Ted Bundy: A Irresistível Face do Mal”, que retrata Ted Bundy, mostram como o gênero se adaptou a linguagens mais sóbrias, menos sensacionalistas e mais voltadas à ambiguidade moral.

Parte da obsessão passa pela estética. Hollywood aprendeu a embalar histórias brutais com fotografia elegante, trilhas sofisticadas e atuações premiadas. O horror se torna palatável, quase artístico. O perigo surge quando essa embalagem desloca o foco das vítimas para a figura do assassino, transformando violência em espetáculo.

Em “Psicopata Americano”, por exemplo, o serial killer funciona como sátira social. Já em “O Assassino: O Primeiro Alvo”, o crime serve como estudo de alienação e controle. Cada obra escolhe seu caminho, mas todas se beneficiam do mesmo interesse coletivo pelo abismo humano.

A obsessão também se sustenta pelo apelo de grandes performances. Interpretar um serial killer virou sinônimo de desafio artístico e reconhecimento crítico. Charlize Theron em “Monster: Desejo Assassino”, Anthony Hopkins em “O Silêncio dos Inocentes” e Evan Peters em “Dahmer: Um Canibal Americano” entregaram personagens que marcaram época.

Esses papéis permitem aos atores explorar extremos emocionais, físicos e psicológicos. O corpo, o olhar e o silêncio ganham tanto peso quanto o texto. A atuação vira motor da narrativa e elemento central da experiência do espectador. Existe uma linha delicada entre investigar o mal e glamourizá-lo. Hollywood frequentemente caminha sobre esse limite. Quando bem conduzido, o gênero ajuda a discutir falhas sociais, misoginia, racismo, homofobia e negligência institucional. Quando mal equilibrado, transforma criminosos em ícones culturais.

A popularidade persistente dessas histórias indica uma curiosidade coletiva sobre o que foge à norma, sobre o que assusta e, ao mesmo tempo, atrai. O serial killer vira espelho distorcido de uma sociedade que consome violência como entretenimento e reflexão.

A obsessão de Hollywood por serial killers segue firme porque ela dialoga com medos reais, curiosidade psicológica e estratégias industriais bem calculadas. Enquanto houver audiência disposta a mergulhar nessas histórias, o gênero continuará se reinventando, ora como estudo profundo do comportamento humano, ora como espetáculo cuidadosamente embalado.

O desafio está em contar essas histórias sem perder de vista quem realmente importa dentro delas.

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