MC PH iniciou um novo capítulo de sua carreira com “A Era de Ouro” (A.E.D.O.), álbum lançado na última quinta-feira (27) em parceria com a Warner Music Brasil. Depois de explorar diferentes encontros entre funk, trap e R&B em seus trabalhos recentes, o artista decidiu concentrar o novo projeto no gênero que marcou o início de sua trajetória.

Em entrevista ao Todo Dia Um Rock durante o evento de lançamento do disco, realizado em São Paulo, MC PH explicou que a mudança de direção surgiu justamente após um período no qual vinha experimentando diferentes sonoridades.
“Eu basicamente quis me desprender um pouco do que eu estava fazendo. Eu estava mesclando bastante as coisas que eu estava criando e as coisas que eu estava soltando. Eu estava fazendo muito funk, muito trap, muito R&B e estava tudo, graças a Deus, dando certo”, afirmou.
O bom momento dos trabalhos anteriores, no entanto, levou o cantor a procurar uma direção diferente para o próximo álbum. Em vez de ampliar ainda mais as experimentações, MC PH decidiu olhar novamente para o funk e para a própria origem artística como elementos centrais do projeto.
“Chegou um momento que eu pensei que eu tinha que voltar para minhas raízes, só que de uma forma diferente. Exaltar o funk, exaltar a cultura que é periférica, que é brasileira”, explicou o artista.
Essa decisão ajuda a definir a estrutura de “A Era de Ouro”. O álbum foi concebido como um projeto que utiliza o funk paulista como base para construir uma identidade ligada a diferentes elementos da cultura brasileira. Futebol, carnaval e favela aparecem dentro do universo desenvolvido para o trabalho, que também busca conectar música, estética e produção audiovisual.
Para MC PH, a escolha de construir um disco dedicado ao funk está diretamente relacionada à própria história dentro do gênero.
“Foi isso que me fez fazer um álbum com o nome de ‘A Era de Ouro’ e só com o funk. Só com o funk, que é onde eu comecei, é a minha raiz, é de onde eu vim e é onde eu vou ficar sempre, independente do caminho que eu siga”, disse.
O lançamento também marca um novo momento da parceria entre o cantor e a Warner Music Brasil. A produção artística é conduzida pela CAPITAL, gravadora fundada por MC PH, Claudio “C.Z” Zebral e Ionathan Palatnik, fundadores da ObraDigital.
A estrutura do projeto foi pensada para ultrapassar o lançamento isolado das músicas. “A Era de Ouro” trabalha uma identidade visual própria e uma narrativa que acompanha as faixas, utilizando diferentes referências brasileiras para construir o universo apresentado nesta etapa da carreira do cantor.
Os videoclipes são assinados pelos irmãos Ferraro e funcionam como uma extensão da proposta do disco. As produções compartilham elementos visuais e narrativos, criando uma unidade entre os diferentes conteúdos apresentados ao público.
Entre as músicas que integram esse universo está “Brasil”, colaboração de MC PH com MC Hariel e MC Marks. A faixa utiliza uma das principais referências culturais do país como parte da construção proposta pelo álbum e recebeu um videoclipe conectado à estética geral do trabalho.
Outra colaboração é “Desce com a Bunda”, gravada com MC GP, DJ Japa NK, MC J Vila e MC IG. A música parte da tradição dos sets do funk paulista, aproximando o novo projeto da sonoridade que acompanhou a formação musical de MC PH.
A decisão de colocar o funk no centro de “A Era de Ouro” também acontece em um momento no qual o gênero amplia sua circulação internacional. Questionado pelo Todo Dia Um Rock sobre acompanhar esse crescimento depois de anos de marginalização, MC PH destacou as mudanças que percebe no espaço ocupado pelo funk atualmente.
“É aliviante, assim. É meio que às vezes até inacreditável, porque há cinco, dez anos era tudo muito diferente. A gente era muito marginalizado”, afirmou.
O cantor ponderou que o preconceito contra o gênero ainda permanece, mas considera que o aumento do consumo e a expansão para outros mercados começam a modificar esse cenário.
“Não que ainda não sejamos. Nós somos pra caramba ainda, só que as coisas estão mudando. Graças a Deus o funk está sendo mais consumido. A gente está entrando no mercado, a gente está sendo visto”, acrescentou.
Para MC PH, acompanhar essa transformação tem um significado particular para artistas que participaram do crescimento do gênero durante os últimos anos.
“Cada vez a gente está mais forte. Isso traz uma tranquilidade e uma satisfação enorme para nós que já estamos há bastante tempo, que demoramos muito para conseguir alguma coisa, ver a parada acontecendo do jeito que está acontecendo”, completou.
Com mais de 9 milhões de ouvintes mensais e um catálogo que ultrapassa 4 bilhões de reproduções, MC PH utiliza “A Era de Ouro” para concentrar novamente sua produção no funk e, ao mesmo tempo, ampliar o universo construído ao redor de sua música.
O projeto chega em um período de maior projeção internacional do gênero e encontra o artista justamente fazendo o movimento contrário ao de abandonar suas origens para alcançar outros mercados. Em “A Era de Ouro”, MC PH coloca a própria raiz periférica e brasileira no centro do álbum e assume o funk como ponto de partida para a nova etapa de sua carreira.
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