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Entrevista: Aretuza Lovi lança “Mercadinho” e conta como viu o disco pela primeira vez

Texto: Eduardo Fonseca
27 de julho de 2018
em Entrevistas, Música

aretuza_mercadinho

Ser a primeira drag queen a ter um álbum físico lançado no Brasil não é apenas uma quebra de tabu para Aretuza Lovi. É também a materialização de um sonho, de um hábito que ela tinha na adolescência, que era de comprar, abrir o encarte… cheirar o CD.

“Mercadinho”, que a cantora define como um milk shake de ritmos e sons, chegou às lojas de todo o Brasil no último dia 13 de julho. O álbum também está disponível em todas as plataformas digitais.

A artista iniciou sua carreira em 2012, em Brasília, como uma brincadeira: a intenção era só produzir um vídeo em que Bruno Nascimento se montava com as roupas da mãe de um amigo. Antes de começar a gravar, o primeiro nome veio de supetão. O sobrenome teve influência do futebol: assistindo a uma reportagem sobre o jogador Vágner Love, a cantora adotou seu sobrenome, trocando o “E” pelo “I”. No mesmo ano, entrou no universo da música com “Striptease”, sua primeira música de trabalho.

Este ano, entrou como cast principal da gravadora Sony Music, lançou “Joga Bunda” (22M de views no Youtube), com participação de Pabllo Vittar e Gloria Groove. Logo após, lançou “Arrependida” (2.2M de views). O álbum, com 12 faixas, conta com participações de Valesca Popozuda (em “Batcu”), IZA (em “Movimento”) e Solange Almeida (em “Arrependida”). Além disso, o lançamento traz “Catuaba” (primeira faixa da artista que estourou há dois anos com participação de Gloria Groove) com remix do produtor Ruxell, bem como a faixa “Vagabundo”.

O Caderno Pop conversou por telefone com Aretuza, um dia depois dela ter lançado o clipe de “Movimento”, que tem participação de IZA. Foi na festa de lançamento do vídeo que ela teve o primeiro contato com o álbum físico dela.

Como foi pra você ter em mãos esse disco? Você sempre gostou de comprar CDs, ver os encartes?
Em um primeiro momento eu não sabia que o álbum ia ser físico, achei que só seria digital mesmo. Quando soube, fiquei muito feliz, porque era a materialização de um sonho. Quando eu era adolescente, juntava dinheiro pra comprar os discos dos artistas que eu gostava. Quando chegava em casa, tinha todo um ritual de abrir, cheirar o disco. E quando eu vi o meu disco pela primeira vez, pude fazer isso, de sentir ele. Fiquei tão emovionada que até chorei. Eu já tinha visto em algumas lojas as pessoas tirando foto com o disco, mas ver, abrir, pegar na mão mesmo, foi a primeira vez. Eu demorei pra ter os CDs porque meu escritório em Brasília que recebe esses materiais. Aí o pessoal veio pra festa (de lançamento do clipe de “Movimento”) e trouxe.

Antes do disco sair, você trabalhou “Joga Bunda”, “Arrependida” e agora lançou “Movimento”. Já sabe qual será o próximo single?
Eu quero que o público escolha qual vai ser a próxima música. Quero que seja uma decisão dos fãs isso. A gente tem sentido que a parceria com a Valesca (“Batcu”) e “Amor Mutante” estão sendo bem aceitas.

O álbum tem uma sonoridade bem brasileira, com misturas de ritmos, como a pegada mais reggaeton em “Movimento” e um ritmo que lembra um pouco do que rola no Nordeste em “Arrependida”. Como foi essa escolha?
A gravadora me deixou bem à vontade no projeto. Eu tentei introduzir vários ritmos, não só a mistura de ragga, funk, mas rolou piano… foi um mix mesmo. Tem música romântica/balada (“Amor Mutante”), mas tudo gerou uma vibe mais Brasil.

Os clipes de “Joga Bunda” e “Movimento” têm status de superprodução. Você se envolve completamente nos projetos?
Eu tenho uma equipe muito capacitada. Quem assina meus clipes é o Felipe Sassi, que já dirigiu grandes clipes no Brasil, como alguns da Ludmilla. Mas não é só a direção, mas também a fotografia, mixagem. A gente troca bastante figurinha, eu quero ver tudo… e eu acho legal essa coisa de videoclipe porque tem um mercado pra isso. Lá fora tem um mundo lúdico, que compra muito, com clipes muito bons. Eu pensei, por que não pode ter no Brasil?

Pra gente finalizar, o “Mercadinho” tem muitas parcerias de peso. Ficou alguém de fora, alguém que você gostaria de ter trabalhado, mas por algum motivo não rolou?
No “Mercadinho” eu fiz as parcerias que tinham que ser, com todo mundo que eu conheço, que me conhece, que me apoiou. Não são apenas feats, mas são histórias. Não era pra ser mais ninguém. Mas o artista nunca para de pensar no próximo projeto, né? Se for pra eu fazer um álbum só de feat, vou fazer u álbum só de feat, mas com pessoas compatíveis com o meu trabalho. Eu recebi convite de uma cantora, que ainda não posso falar quem, para uma parceria de um projeto dela. Em breve vocês vão saber!

Ouça “Mercadinho”

Veja o clipe de “Movimento”

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