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Entrevista: Cayo Real fala sobre “Com a Lírica” e sua trajetória artística

O cantor e compositor Cayo Real lançou recentemente o single “Com a Lírica”, já disponível em todas as plataformas digitais. A faixa chega como um manifesto de força, resiliência e superação, transformando experiências dolorosas em potência criativa e coragem para seguir em frente. Mais do que uma canção, ela é um convite para revisitar memórias difíceis sem culpa ou vergonha, enxergando nelas novas possibilidades de cura e de liberdade.

Com uma sonoridade épica e cinematográfica, o single transita entre o R&B, o pop e a balada, trazendo intensidade nas guitarras e nos arranjos, além de uma letra profundamente pessoal. A produção é assinada por Cayo ao lado de Leyblack e foi concebida para ser uma experiência imersiva, capaz de despertar lembranças e emoções no público.

O lançamento ganhou ainda mais força com o videoclipe dirigido por Tatiana Accioly, que traduz visualmente as camadas de dor, luta e ressignificação presentes na música. Entre símbolos de cura e resistência, o vídeo reforça a proposta artística e emocional de Cayo, que transforma a vulnerabilidade em motor de criação.

Em conversa com o Caderno Pop, Cayo Real falou sobre a importância pessoal e artística de “Com a Lírica”, destacando como o episódio que inspirou a canção se transformou em um hino de resistência e aceitação. O artista comentou ainda o processo de criação ao lado de Leyblack, refletiu sobre os desafios de se manter independente na cena musical, e destacou como busca equilibrar som e estética visual em seus trabalhos.

Ele contou também que este single marca um momento de maior vulnerabilidade em sua trajetória, permitindo que abraçasse dores e fragilidades sem medo de expor suas camadas. E adiantou: já está preparando o lançamento do primeiro EP e até de um álbum, prometendo seguir expandindo sua narrativa artística com novas músicas, sempre guiado pela autenticidade, pela coragem e pelo desejo de transformar experiências em arte.

Confira a entrevista completa: 

O quão importante é este novo single “Com a Lírica” para você como pessoa e como artista? 

Essa música é muito importante porque me leva para lugares de muita lembrança e de contemplação das coisas que eu passei. Eu desejo que, com ela, as pessoas consigam desenvolver diálogos, estabelecer novos pontos de partida e entender que, através das redes que a gente forma na vida, é possível conversar e seguir em frente.

É fundamental nos mantermos atentos às nossas questões pessoais e de autoanálise para perceber que a tristeza e as adversidades que passamos não definem o nosso futuro. Nós temos o domínio de escolher novas narrativas e novas concepções, para que nada disso nos paralise e para que possamos seguir livres.

O lançamento dele traz uma produção épica e cinematográfica. Como foi o processo de criação em estúdio?

Eu tenho memórias de muita emoção e de muito carinho dentro do desenvolvimento do projeto junto com o Leyblack e com amigos próximos que tiveram a oportunidade de ouvir a música antes de ser lançada. É uma canção muito especial, muito forte, com uma letra extremamente pessoal, cheia de relatos, e que me faz sentir muito orgulho.

Ela me faz enxergar coisas que eu ainda não tinha conseguido compreender e me ajuda a não ter vergonha dos momentos ruins que eu passei. Foi um processo de criação que não só resultou em uma música, mas também em um espaço de cura e de coragem.

Quais foram os principais desafios de produção, considerando o cenário independente?

Ser artista independente é muito complicado, não importa em qual vertente da arte você esteja atuando. É um desafio constante, porque sentimos falta de investimento, de saúde, de tempo e de recursos de qualidade. Conseguir conciliar os tempos, a vida pessoal e a disponibilidade — seja de coração, física ou mental — para fazer o trabalho acontecer é sempre uma grande batalha.

Mas, graças a Deus, conseguimos colocar o projeto na pista com muito esforço, luta e dedicação. É assim que nós, artistas independentes, fazemos: diversas pessoas se mobilizam para trazer um trabalho digno e consistente. Admiro muito esses artistas que estão construindo a cena atualmente. Há os que passaram, há os que virão… e estamos juntos, lutando pela mesma coisa: um futuro melhor, com mais dignidade, liberdade e segurança.

Mesmo com todas as dificuldades, me sinto muito feliz e orgulhoso de ser artista independente, do meu trabalho e do trabalho de toda a galera que caminha nesse mesmo foco. Eu sou apenas uma gota em um oceano gigante mas sou uma gota orgulhosa.

Sua música carrega elementos muito visuais e performáticos. Como você equilibra a criação musical com a construção estética?

Eu sinto que toda música tem diversos tipos de interpretação e possibilidades de desenvolvimento visual. Quando a gente fecha os olhos e se conecta com a canção, surge um visual próprio, que é sensação, memória, fantasia, sonho. Essa música em específico carrega tantas possibilidades visuais que gosto de dizer que ela é cinematográfica: diversos roteiros poderiam ser escritos a partir dela, adaptando-a para diferentes momentos da vida de cada pessoa.

Gosto de trazer visuais para minhas músicas para costurar a narrativa desenvolvida com a letra ou com os sonhos. Trabalhar com Leyblack é sempre muito interessante, porque misturamos muitos tipos de referência: cores, podcasts, sons, filmes, passos coreográficos e diversos elementos que ajudam a criar projetos ricos e completos.

Você já lançou alguns singles até aqui. Como esse trabalho se diferencia dos anteriores na sua trajetória artística?

Eu acho que esse trabalho se diferencia dos outros porque, nesse específico, estou me mostrando de uma forma muito mais vulnerável do que antes. Nos trabalhos anteriores, eu talvez estivesse apenas fazendo afirmações, expondo situações com o olhar de que precisava ser forte e resistir a tudo.

Neste, não. Eu abraço meus momentos de dor, tristeza, insegurança e vulnerabilidade, e reconheço que a partir deles consigo me olhar por completo, sem vergonha de mim mesmo, sem medo do que passei, sem ficar acuado ou me deixar para trás por causa de qualquer estímulo externo. É um trabalho que reflete a realidade e vontade se permitir ser inteiro, com todas as minhas camadas.

O que podemos esperar dos próximos lançamentos? Já há planos para um álbum ou EP?

Tenho muitos projetos em desenvolvimento e já tenho ideia da próxima música que gostaria de lançar. Estou muito animado com tudo que vem por aí. Atualmente, estou trabalhando no meu primeiro EP junto ao Leyblack e também no potencial primeiro álbum.

Tudo vai saindo no tempo certo, então é só ficar de olho nas minhas redes sociais para acompanhar todas as novidades e lançamentos

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