Rodrigo Teaser não está apenas de volta aos palcos com o espetáculo “Tributo ao Rei do Pop”. Ele retorna em forma plena, mais afiado, mais maduro e com uma consciência artística que transcende a homenagem. O show, que volta às principais cidades do país em junho, marca os 16 anos da morte de Michael Jackson, mas o que está em jogo aqui vai além da saudade. É sobre legado, sobre continuidade e sobre pertencimento. É sobre como um artista brasileiro, depois de mais de 1 milhão de ingressos vendidos em 11 países, decidiu que já não bastava apenas reviver Michael. Era preciso interpretar, recriar, assumir o espetáculo como algo seu.
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“Desde o início existe uma identificação forte”, admite Rodrigo. “Quando não é por algo que eu enxergue igual, é por algo que, se eu pudesse, teria buscado caminhos para expressar parecido”. A fala é direta, mas carrega um subtexto poderoso: o tributo deixou de ser um espelho e passou a ser um reflexo pessoal. Teaser nunca se contentou em apenas imitar Michael. Ele escolheu defender a obra, como quem protege algo sagrado e, ao mesmo tempo, íntimo. “A genialidade do MJ é única e até mesmo o simples no universo dele é mais complexo”, completa, com a reverência de quem conhece cada batida e cada silêncio da discografia do Rei do Pop.
Mas a grandiosidade de Michael Jackson não cabe em fórmulas. Reproduzir um espetáculo à altura dele, no Brasil, exige uma engenharia estética minuciosa e uma fidelidade quase religiosa aos detalhes. E Rodrigo sabe disso como poucos. “É inegável que ninguém conseguirá chegar perto da grandiosidade dele”, diz. Ainda assim, ele revela um diferencial que dá força ao projeto: “Temos a supervisão coreográfica do próprio coreógrafo e a supervisão musical do próprio co-diretor musical”. Ou seja, o espetáculo “Tributo ao Rei do Pop” não é baseado em suposições, mas construído com informações diretas da fonte. Lavelle Smith, que coreografou Michael durante décadas, assina a direção artística. Isso muda tudo. “Nós não tentamos entender o que ele queria, nós ouvimos diretamente de quem ouviu dele o que ele queria”. E esse nível de autenticidade só se mantém com obsessão: figurinos réplicas, movimentos milimetricamente ensaiados, e efeitos visuais pensados como cinema ao vivo. Quando o fã reconhece, ele entende que há respeito. Respeito ao Michael, à sua arte e aos próprios fãs.
Ao mesmo tempo, Rodrigo não é refém do passado. Mesmo ancorado nesse projeto gigante, ele caminha com cuidado por uma rota mais pessoal: a da música autoral. E o que poderia soar como um desvio, na verdade é só a outra face do mesmo artista. “Meu trabalho autoral ainda está num lugar muito mais de um prazer pessoal”, explica. É um processo ainda discreto, mas que vem ganhando espaço, como no show marcado para o Clube do Minhoca, em São Paulo. “É algo que eu faço com todo cuidado e amor pelo fato de ser meu, de tornar real”. Rodrigo entende que ainda está construindo esse espaço, mas o faz com a mesma dedicação que aplica ao tributo. E o segredo talvez esteja nessa entrega, sem pressa, sem imposição, apenas com autenticidade.
É impossível falar sobre Rodrigo Teaser sem falar sobre o poder emocional da obra de Michael Jackson. E, no Brasil, essa conexão atinge um nível quase espiritual. “Michael é grandioso demais e não precisa de mim ou de outro artista pra ser lembrado”, reflete. Mas logo emenda: “É justamente na questão de se fazer presente e próximo que a figura do ‘intocável’ se desfaz”. Quando sobe ao palco, Rodrigo não tenta ser Michael, mas recria a presença dele com tamanha força que desperta a mesma admiração, a mesma fantasia, a mesma memória afetiva. Crianças o veem como viam o Michael. E essa resposta emocional é o que valida tudo. “Eu não tinha noção disso até pouco tempo, quando comecei a receber esse tipo de relato”, confessa.
A ponte entre os dois mundos de Rodrigo, o tributo e o autoral, se sustenta em uma paixão clara: o pop. “Eu não consigo me distanciar do pop, porque eu amo o pop”. Mesmo com o desejo de explorar outras sonoridades, como a MPB, é no pop que ele se sente em casa, tanto na estética quanto na performance. E o show autoral no Clube do Minhoca é mais do que um experimento. É o início de um novo ciclo. “Às vezes a gente espera que muitas pessoas esperem seu show pra fazê-lo, quando o certo é só fazer e esperar que as pessoas certas venham curtir junto”. Rodrigo entendeu que sua missão artística envolve tanto reverenciar quanto criar. E ele está fazendo as duas coisas com coragem, método e alma.
Rodrigo Teaser não interpreta Michael Jackson apenas com o corpo ou com a voz. Ele faz isso com a história de vida, com memória e com estudo. E, acima de tudo, com responsabilidade artística. Por isso, cada vez que sobe ao palco, seja com “Thriller” ou com uma canção autoral, o que o público vê não é um tributo ao passado, mas um artista em pleno estado de criação.
Agenda de shows de Rodrigo Teaser em junho:
21/06 – Tokio Marine Hall, São Paulo (SP)
23/06 – Rio Claro (SP)
27/06 – Clube do Minhoca, São Paulo (SP) – show autoral
28/06 – Santos (SP)
29/06 – São José dos Campos (SP)
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