Nem toda celebração de um disco clássico precisa de nostalgia forçada. Às vezes, basta presença. Foi o que Érika Martins entregou ao subir ao palco do Teatro Paulo Autran, no Sesc Pinheiros, para celebrar os 25 anos de “Mi Casa, Su Casa”, álbum que apresentou a banda Penélope ao Brasil em 1999. O que se viu na sexta-feira, 18 de julho, foi um reencontro afetivo, mas também urgente, com um público que entendeu que aquele show era mais do que lembrança: era continuidade.
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Ao lado de uma banda afiada, formada por Fernanda Offner (baixo), Carol Lima (bateria), Fernando Americano (guitarra) e Luiz Lopes (teclado, escaleta e backings), Érika revisitou as faixas do disco de estreia com a mesma energia crua que definiu a virada dos anos 90 para os 2000. De “Holiday” a “Namorinho de Portão”, o show atualizou o repertório sem domesticar a rebeldia pop do material original, deixando claro que o tempo passou, mas as ideias seguem afiadas.
Mais do que um revival, o show de 25 anos foi um manifesto de pertencimento. Érika Martins conduziu o palco com a força de quem nunca saiu dele, mesmo após temporadas mais discretas fora dos holofotes. E se o projeto nasceu nos corredores da cena baiana dos anos 90, foi em São Paulo que esse reencontro cravou seu novo capítulo, agora cercado de outras vozes, de outras vivências.
As participações especiais trouxeram novas camadas à narrativa. Otto, Erika Nande e Vanessa Krongold (da banda Ludov) dividiram o palco em momentos estratégicos, sem diluir o protagonismo da artista principal. Pelo contrário. Cada colaboração parecia puxar mais luz sobre a centralidade de Érika, agora também diretora artística ao lado de Fernando Americano. O resultado foi um show que celebrou um disco, sim, mas que principalmente reafirmou uma artista.
“Mi Casa, Su Casa” nunca foi um disco qualquer. Com seu olhar atento ao universo feminino, suas guitarras que flertam com o punk sem perder o swing e letras que conversam direto com a juventude que crescia entre videoclipes e fanzines, o álbum consolidou uma geração e ajudou a moldar a cara do pop rock brasileiro no final do século XX. Revisitá-lo agora é também uma maneira de dizer que ainda há espaço para esse tipo de expressão no presente.
A noite em São Paulo também cumpriu outro papel: o de colocar Penélope de volta no mapa ao vivo. O show no Sesc Pinheiros veio após uma passagem recente pelo Palco Sunset do Rock in Rio e apresentações no interior paulista, como parte do festival Catandupedras. Há uma estrada sendo retomada, e ela tem trilha sonora de resistência, memória e identidade.
O público entendeu o chamado. Entre gritos, lágrimas e celulares erguidos, a plateia foi parte ativa da performance. Não era só um show. Era uma espécie de pacto entre tempos: o que fomos, o que somos, o que ainda queremos ser.
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