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“Fantasia de um Amor Perfeito”: Marcelo Tofani narra flertes e desilusões em álbum de estreia

Texto: Eduardo Fonseca
8 de maio de 2023
em Música
Foto: Sarah Leal

“Vou abrir meu coração, tá?”, avisa Marcelo Tofani em seu disco de estreia, Fantasia de um amor perfeito, que chega a todos os aplicativos de música no primeiro minuto desta terça-feira, 9, com visualizers para todas as faixas chegando simultaneamente. O artista mineiro, que é membro fundador da banda Rosa Neon (responsável por revelar os talentos de Marina Sena), transforma seu primeiro registro de estúdio em cartão de visitas, apresentando-se ao público e mercado brasileiros e exercitando referências diversas com embalagem pop 100% autoral.

“Esse álbum é a introdução a algumas partes de um artista que gosta de muitos tipos diferentes de música, que curte colaborar com artistas de gêneros diversos… E que absorve muita informação, num mundo lotado de informações”, explica o cantor e compositor natural de Belo Horizonte. Ele divide ainda que um dos objetivos do seu primeiro LP é mostrar lados ainda inéditos ao público, para além do Rosa Neon.

Além disso, ele garante: a lírica contida nas nove canções está totalmente aberta à interpretação do ouvinte, ainda que cada uma delas tenha um significado especial para ele. “Vejo muito esse disco como uma reflexão sobre como a gente projeta o que queremos em outras pessoas”, comenta.

Sonoramente, “Fantasia de um amor perfeito” coloca num liquidificador muitos dos ritmos que emocionam Tofani, tudo na levada da linguagem da música pop, que “engloba vários gêneros musicais e, como uma esponja, absorve esses sons”.

É por isso que elementos do disco music, reggaeton, funk BH, sofrência, pisadinha, dancehall e afrobeat, com pitadas de R&B e trap aqui e ali, fazem parte da experiência do novo trabalho.

Marcelo argumenta que a diversidade de ritmos e referências era muito importante na composição de um projeto que o introduz ao público. “Acho que esse encontro de ritmos é algo que é muito da minha geração, da era da internet, em que a mesma pessoa que ouve Pabllo Vittar, por exemplo, curte Djonga também, sabe? Sou fruto dessa geração e isso se reflete muito no meu trampo”, confessa.

ARCO NARRATIVO-MUSICAL

Mas o principal fio condutor da tracklist, segundo Tofani, é a narrativa lírica das músicas. A audição tem início com a ensolarada “Até Nascer o Sol”, que canta sobre um amor idealizado, que transforma a vida numa viagem. A letra, assinada pelo próprio artista em parceria com Gabriel Moulin (frequente colaborador do álbum), lança a pergunta: “Será que eu gosto de você / Ou que eu só gosto do que a gente deveria ser?”.

O clima oitentista dá o tom de vários momentos, incluindo a canção de abertura e também “Certificar”, faixa seguinte e primeiro single do projeto. “Fazer estilo Bee Gees, será?”, ele brinca nos primeiros segundos da produção, antes de mergulhar o ouvinte num universo que remonta não só a obra dos irmão Gibb, mas também a Prince e Michael Jackson.

A viagem pela década perdida continua em “Não Mudo Por Ninguém”. Aqui a sonoridade parece promover um encontro entre o disco-funk da costa oeste estadunidense com o som do litoral brasileiro, num R&B com tempero latino-americano.

A primeira metade do disco é marcado pela lírica do flerte, do romance e do sexo. “Tô doido pra me perder / Tô doido pra te levar / Eu tô querendo correr perigo”, Tofani canta em “Perigo”, produção marcada por elementos do dancehall e pronta para a pista de dança. A música seguinte, “Flechas”, dueto com MC Anjim (do hit “Bala Love”), usa da metáfora de uma flechada indolor no coração, para versar sobre um relacionamento que é leve e está no auge do tesão.

“Esse início do álbum é bem mais ensolarado, mostrando o momento em que as pessoas estão se conhecendo e se encantando umas com as outras”, explica Tofani.

SOFRÊNCIA DANÇANTE

Conforme o ouvinte avança na audição, porém, o tema romântico vai ganhando novas nuances. Em “Eu e Ele Não Dá”, Marcelo brinca com o som da pisadinha e canta sobre um triângulo amoroso fadado ao fracasso. “Bota ele na reserva e me põe de titular”, pede, explorando o tema da dor de cotovelo com muito bom humor. A produção musical aqui, assim como em outros quatro momentos do projeto, é do trio MGZD (que já colaborou com Gaby Amarantos), formado pelos músicos Baka, Dedé Santaklaus e Pedro Cambraia, que também contribuem na letra.

Já em “NANANI NANÃO”, segundo single do registro, e “Pra Esquecer (Sax Indescrítivel), o que começou como um relacionamento promissor já demonstra sinais de ruína. Nesta dobradinha, a produção acompanha a ideia do entorpecimento como forma de se esquecer um amor que dói, numa sofrência dançante que mantém a energia do álbum no alto, ainda que tratando-se de temas mais dramáticos.

“Eu trago aqui uma história narrativa, que começa ali em ‘Certificar’, que é o flerte, as pessoas se conhecendo de longe e tudo mais… Até chegar à última música, que é mais sobre o fim dessa relação”, ele comenta, referindo-se a “Como foi que a gente acabou?”, encerramento do disco. “No fim do álbum a gente chega ao momento em que essas pessoas já se tornaram dois estranhos”, reflete.

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