O festival SheRocks! chegou ao Brasil transformando o Dia Internacional da Mulher em um encontro entre música, discurso e representatividade. A primeira edição do festival no país aconteceu em 8 de março, na Audio, em São Paulo, reunindo nomes que ajudam a definir a música brasileira contemporânea. No palco, Duda Beat, Day Limns, Budah e Tasha & Tracie conduziram um line-up que misturou pop, rap e cultura urbana, diante de um público que ocupou a casa ao longo de toda a tarde e noite.

Criado em 2024, o SheRocks! Music & Arts Festival nasceu com uma proposta clara. Mais do que um evento musical, a plataforma foi concebida como um movimento internacional voltado a ampliar a visibilidade de mulheres nas indústrias criativas, conectando artistas, público e profissionais em torno da música, da arte e da criação. Presente em diferentes mercados ao redor do mundo, o festival chega ao Brasil justamente em um momento em que a discussão sobre representatividade feminina na indústria cultural ganha cada vez mais espaço.
A escolha do 8 de março não foi por acaso. O festival assume a data como um espaço de reflexão e também de celebração, colocando no centro artistas que representam diferentes gerações e linguagens da música nacional. O resultado foi um encontro que misturou shows intensos, discursos diretos e a sensação de que o palco também pode ser um lugar de posicionamento.
Pouco antes de subir ao palco, Duda Beat falou sobre o peso simbólico de estar na linha de frente de um evento com esse recorte. Para a cantora, a presença em um festival dedicado às mulheres carrega também uma dimensão política.
“É uma grande responsabilidade estar na linha de frente”, afirmou. “Hoje é o Dia Internacional da Mulher e, sendo bem honesta contigo, a gente não tem muito o que comemorar quando olha para os casos de feminicídio e outras coisas que continuam acontecendo.”
Ao mesmo tempo, ela reconhece a importância de dividir o espaço com outras artistas que vêm construindo trajetórias fortes na música brasileira. “Me sinto feliz em estar em um line-up cheio de mulheres potentes na música. Outro dia eu li uma entrevista dizendo que os homens não regravavam tanto as mulheres, e isso bateu muito em mim. Estar num line-up com mulheres que cantam suas vidas, que expõem suas histórias nas músicas, é muito importante.”
A artista também falou sobre os desafios estruturais que ainda atravessam a carreira de mulheres na indústria musical. Segundo ela, a desigualdade ainda é perceptível nos bastidores do mercado.
“Com certeza a mulher precisa se esforçar mais. Na própria indústria você vê isso. A mulher do pop, a mulher da MPB, precisa se forçar muito mais”, explicou. Ainda assim, ela acredita que há uma mudança em curso. “A gente está caminhando para que essa história mude, e eu quero muito fazer parte dessa mudança.”
Se antes do show o tom era de reflexão, depois da apresentação Budah carregava uma mistura de alívio e celebração. A rapper destacou o peso simbólico de se apresentar em um festival com essa proposta e justamente em uma data tão emblemática.
“Eu tô muito feliz. Hoje foi muito especial”, disse. “Eu queria muito que fosse um dia de comemoração, mas também falei no palco que o mundo ainda precisa melhorar muito para que a gente realmente comemore o Dia da Mulher.”
Mesmo diante desse cenário, a artista destacou o orgulho de dividir o palco com outras mulheres da música brasileira. “Eu fico feliz de fazer parte dessa line e desse evento tão importante que chegou agora ao Brasil. Foi muito especial.”
A relação com o público também apareceu como um dos pontos mais marcantes da apresentação. Para Budah, a experiência ao vivo continua sendo o espaço mais poderoso de conexão entre artista e audiência.
“A gente se divertiu muito no palco e a galera também. O ao vivo é onde a gente mais sente essa troca. Pela internet a gente conversa com os fãs, mas é no show que a gente recebe esse carinho de verdade.”
O momento da carreira da artista também adiciona uma camada emocional a essa fase. Budah está encerrando o ciclo de seu primeiro álbum, acompanhado por uma turnê extensa que percorreu diferentes cidades do país ao longo de mais de um ano.
“Dá uma dor no coração”, confessou. “É meu primeiro álbum e ele é muito especial pra mim. Eu me doei muito nesse disco e nessa turnê. Foram um ano e meio viajando, visitando muitos estados, e sempre fomos muito bem recebidos.”
Agora, com o fim da turnê se aproximando, a artista já olha para os próximos passos. E embora mantenha parte dos planos em segredo, ela garante que novidades estão a caminho.
“Coisas novas precisam vir. A gente tem que deixar ir”, disse. “Eu tenho trabalhado muito. Em breve vão ter coisas novas, colaborações muito esperadas. Mais rápido do que a galera imagina.”
Entre discursos, apresentações e encontros de bastidores, a estreia do SheRocks! no Brasil deixou uma impressão clara como um espaço de escuta, troca e afirmação de vozes femininas dentro da música.
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