“Verity” chega ao fim sem oferecer uma resposta definitiva para o principal mistério que acompanha a história. A carta encontrada por Lowen nos minutos finais apresenta uma versão completamente diferente dos acontecimentos descritos no manuscrito de Verity, mas o filme não confirma qual dos dois documentos contém a verdade.

O suspense protagonizado por Dakota Johnson, Anne Hathaway e Josh Hartnett constrói boa parte de sua história a partir do manuscrito encontrado por Lowen Ashleigh na casa dos Crawford. No texto, Verity descreve sua relação com Jeremy, a maternidade e acontecimentos envolvendo a morte de Harper de uma maneira que leva Lowen a acreditar que a escritora representa uma ameaça para a própria família.
As suspeitas aumentam quando Lowen começa a perceber indícios de que Verity pode não estar tão incapacitada quanto todos acreditam. Para comprovar sua teoria, ela instala uma câmera direcionada para a cama da escritora e passa a monitorar seus movimentos.
A situação muda depois que Crew sofre um acidente e Jeremy leva o filho ao hospital. Quando retorna para casa, ele percebe a presença da câmera e confronta Lowen. Pressionada, ela finalmente entrega a Jeremy o manuscrito que vinha lendo escondida.
Jeremy lê o documento e confronta Verity, que admite que estava fingindo sua condição. A discussão rapidamente se transforma em violência. Jeremy começa a estrangular a esposa, mas Lowen interfere ao perceber que as marcas deixadas no pescoço poderiam levantar suspeitas sobre a morte.
A intervenção, porém, não tem como objetivo impedir o assassinato. Lowen sugere que Jeremy utilize um travesseiro para sufocar Verity e evitar marcas evidentes no corpo. Ele segue a orientação e mata a esposa.
Posteriormente, a morte é apresentada às autoridades como um acidente envolvendo o lago. A versão é aceita, permitindo que Jeremy e Lowen continuem suas vidas sem responder pelo crime.
Algum tempo depois, Lowen aparece grávida e vivendo uma relação com Jeremy. É nesse momento que o filme introduz sua última grande virada. Durante uma conversa com Crew, o menino menciona um esconderijo onde costuma guardar seus desenhos. A informação leva Lowen a verificar uma área sob o assoalho da casa.
No local, ela encontra uma carta escrita por Verity e destinada a Jeremy. O conteúdo muda completamente a interpretação dos acontecimentos apresentados até aquele momento.
Segundo a versão registrada na carta, o manuscrito não seria uma confissão verdadeira, mas um exercício de escrita, no qual Verity teria desenvolvido uma versão ficcional e extrema de si mesma. Dessa forma, os episódios descritos no documento que convenceram Lowen e Jeremy de sua culpa não teriam acontecido daquela maneira.
A carta também apresenta uma acusação contra Jeremy. Verity afirma que ele já havia encontrado e lido o manuscrito antes mesmo da chegada de Lowen à casa. Depois de acreditar no conteúdo, Jeremy teria provocado o acidente de carro que deixou a esposa ferida, em uma tentativa de matá-la.
De acordo com essa versão, Verity sobreviveu e passou a fingir que estava incapacitada por medo de uma nova tentativa de assassinato. Seu plano seria permanecer naquela condição enquanto encontrava uma maneira de fugir com Crew.
Lowen termina a leitura sabendo que a carta poderia transformar completamente a compreensão sobre Jeremy e sobre a mulher que os dois acabaram de matar. Mesmo assim, ela decide esconder o documento e não contar ao companheiro o que encontrou.
É justamente nesse ponto que “Verity” termina. O longa não confirma se o manuscrito representa uma confissão ou se a carta contém a verdadeira versão dos acontecimentos. Também permanece aberta a possibilidade de ambos os documentos terem sido escritos com algum nível de manipulação.
Existem elementos que sustentam as duas interpretações. O manuscrito apresenta descrições extremamente detalhadas e Verity realmente passou meses fingindo estar incapacitada, comportamento que aumenta as suspeitas sobre suas intenções. Ao mesmo tempo, a carta ganha força diante da própria conduta de Jeremy, que responde à leitura do manuscrito com violência e participa diretamente da morte da esposa.
Lowen também não funciona como uma observadora completamente distante da situação. Ela se apaixona por Jeremy enquanto Verity ainda está viva e passa boa parte da história interpretando a escritora como um obstáculo e uma ameaça, o que interfere na maneira como observa os acontecimentos dentro da casa.
O filme ainda modifica elementos importantes do livro de Colleen Hoover que interferem nessa discussão. Na obra original, Jeremy e Verity têm três filhos: as gêmeas Harper e Chastin e o caçula Crew. Na adaptação cinematográfica, Chastin foi retirada da história, enquanto Harper e Crew são apresentados como gêmeos.
Outra passagem do livro envolvendo Verity também não chegou ao longa. Na obra, durante a gravidez das gêmeas, a personagem tenta provocar um aborto utilizando um cabide. A retirada da sequência elimina da adaptação um dos momentos mais extremos associados à personagem no manuscrito.
A ambiguidade, porém, permanece como elemento central do desfecho. A própria Colleen Hoover comentou que assistir à história adaptada para o cinema modificou parte de sua percepção sobre os personagens, especialmente pela possibilidade de acompanhar na tela as perspectivas envolvendo Lowen, Verity e Jeremy.
Assim, a carta encontrada no final de “Verity” não funciona como uma confirmação de inocência de Verity, da mesma maneira que o manuscrito não estabelece definitivamente sua culpa. O encerramento mantém as duas versões em conflito e deixa para o público decidir em qual delas acreditar, enquanto Lowen escolhe impedir que a existência da carta altere a vida que construiu com Jeremy.
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