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Final explicado de “A Namorada Ideal”

Suspenses psicológicos têm um poder curioso: eles nunca terminam exatamente quando a tela escurece. Obras desse gênero insistem em permanecer na cabeça do espectador, como aconteceu com “Garota Exemplar” e “Big Little Lies”. “A Namorada Ideal”, do Prime Video, entra nessa tradição ao encerrar sua primeira temporada com um desfecho que mistura choque, ambiguidade e aquela sensação incômoda de que nada do que vimos pode ser considerado definitivo. A série não entrega respostas fáceis e prefere deixar o público preso à dúvida, questionando até onde vai a manipulação e onde começa a verdade.

Final explicado de “A Namorada Ideal”

A trama gira em torno de Laura, vivida por Robin Wright, uma mulher de sucesso que nunca superou a perda da filha e que projeta em Daniel, o filho médico interpretado por Laurie Davidson, um amor sufocante. Quando ele apresenta Cherry, papel de Olivia Cooke, a dinâmica se torna explosiva: de um lado, uma mãe obcecada em proteger seu filho, de outro, uma jovem cuja doçura esconde segredos. O duelo entre as duas é construído como uma guerra fria emocional, até desaguar em um clímax que poderia facilmente estar nas páginas de Patricia Highsmith.

O momento decisivo acontece na piscina, quando Laura, armada de faca, parte para cima de Cherry. Daniel, dopado e perdido entre a devoção à mãe e o amor pela namorada, acaba provocando uma tragédia: afoga Laura sem perceber a gravidade do ato. A cena não é apenas um ponto final, mas um rito de passagem brutal. Daniel mata a mãe e, junto com ela, o elo que o mantinha preso ao passado. O crime, porém, não encerra o pesadelo. Ele apenas abre espaço para outro.

Um ano depois, vemos Daniel e Cherry casados, à espera de um filho e vivendo na mesma casa onde Laura morreu. Tudo parece resolvido, mas o detalhe que muda o rumo da narrativa surge quando Daniel encontra o celular perdido da mãe. Dentro dele, a gravação de uma conversa revela que Cherry pode ser mais perigosa do que aparenta. O olhar de Daniel, dividido entre a incredulidade e o terror, é o verdadeiro ponto final da temporada. A obra fecha com uma dúvida: quem, afinal, é a verdadeira predadora dessa história?

Esse final dialoga com outras produções que escolheram a ambiguidade como arma narrativa. O sorriso de Amy em “Garota Exemplar”, a última ligação de Grace em “The Undoing”, ou mesmo o silêncio cúmplice de Alex em “Atração Fatal” deixam marcas justamente porque transferem ao público a responsabilidade de decidir em quem acreditar. “A Namorada Ideal” segue o mesmo caminho, recusando a catarse do desfecho fechado para apostar no suspense que continua a ecoar fora da tela.

Ao permitir que Daniel encontre a gravação, a série deixa claro que Laura pode ter sido obsessiva, mas não estava completamente errada. A ameaça pode estar apenas começando. E isso transforma a trama em algo maior do que um embate entre mãe e nora: é uma reflexão sobre confiança, manipulação e a facilidade com que relações de afeto podem virar terreno de guerra psicológica.

O detalhe curioso é que Robin Wright, além de protagonista, também dirigiu parte da temporada, e já sugeriu que a personagem poderia ter sobrevivido fora de cena. Esse comentário joga gasolina no debate: a morte de Laura é definitiva ou ainda pode ser revisitada em uma possível continuação? O Prime Video, até agora, não anunciou oficialmente uma segunda temporada, mas a dúvida plantada pelo roteiro deixa a porta escancarada.

Seja com novos episódios ou não, “A Namorada Ideal” encerra seu arco inaugural da mesma forma que grandes thrillers contemporâneos: com uma pergunta que não se cala. Quem está no controle da narrativa? Daniel, Cherry ou a memória de Laura? O público que lute para responder.

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