Com apenas seis episódios e a estrutura certeira de um bom enrosco, “Carma” entrega tudo o que um dorama criminal precisa: vingança, encobrimento, chantagem, corpo voando de ponte, golpe emocional, golpe financeiro e sangue escorrendo pela tela. E o melhor de tudo? A história fecha o ciclo, sem deixar ponta solta, mas isso não significa que o espectador sai ileso. Pelo contrário. O que começa como um plano desesperado de um filho endividado vira um efeito dominó de destruição em cadeia, com cada um dos envolvidos pagando um preço diferente para se manter de pé. E alguns, literalmente, sendo cortados ao meio.
Atenção: este texto contém spoilers sobre o desfecho de “Carma”.
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A engrenagem começa com um seguro de vida e termina num mercado clandestino de órgãos, mas o salto entre essas duas pontas é o que realmente importa. “Carma” é sobre o custo de cada decisão e o quanto o passado pode ser tão letal quanto qualquer arma em cena.
Tudo começa quando Jae-yeong resolve que a única saída para suas dívidas com agiotas é matar o próprio pai. Não por ódio, mas por desespero. O homem descobre que Dong-sik, seu pai, tem uma apólice de 500 milhões de wons. Bastaria transformar a morte em acidente e pronto: herança garantida. Só que, em “Carma”, nada sai como o previsto. Ao recrutar um ex-colega envolvido com a máfia, Jang Gil-ryong, ele ativa uma corrente de erros que vão cobrar caro.
O crime inicial deveria parecer um atropelamento, mas tudo dá errado. O velho sobrevive ao impacto, uma amiga da igreja aparece na hora errada, e o improviso vira regra. Dong-sik acaba sendo asfixiado no carro, e o que era para parecer acidente ganha cheiro de assassinato mal feito.
Entra em cena Kim Beom-jun, que finge ser apenas uma testemunha do atropelamento. Só que, como tudo em “Carma”, nada é o que parece. Ele está diretamente envolvido no crime e, mais tarde, se torna o personagem mais perigoso da trama. É Beom-jun quem arma o golpe mais coreografado da série: fazer parecer que um médico bêbado atropelou o pai do protagonista jogando o cadáver do alto de uma ponte, no exato momento em que o carro passa. O tipo de coisa que só acontece em dorama de vingança.
O tal médico, apelidado de “Óculos”, vira peça central da farsa. Entra em colapso quando descobre que foi enganado, mas já está preso demais para sair. E “Carma” começa a mostrar seu verdadeiro rosto: o problema não é cometer um crime, é tentar limpar a sujeira depois. O médico tenta confrontar Yu-jeong, cúmplice do golpe, mas termina sendo sequestrado e morto por Beom-jun. Antes disso, ele atropela Yu-jeong contra uma parede com tanta força que o corpo da mulher vira duas metades. Ninguém exagera como esse dorama.
A partir daí, “Carma” vira uma carnificina em tempo real. Um dos envolvidos começa a matar os outros para esconder rastros, enquanto novos personagens emergem de sombras do passado com suas próprias vinganças engatilhadas. Gil-ryong, o assassino contratado, quase é morto por Jae-yeong, que queria encerrar o ciclo antes que o castelo de cartas ruísse de vez. Mas Gil-ryong leva o rapaz para o esconderijo de Beom-jun, que agora já delira com a ideia de trocar de identidade.
E é exatamente isso que ele faz. Beom-jun mata os dois e assume o lugar de Jae-yeong, trocando roupas, documentos e até o famigerado óculos. O plano quase dá certo, não fosse um detalhe: ele termina no hospital, com o rosto deformado pelas chamas que ele mesmo causou ao tentar apagar os rastros. O que ele não esperava era encontrar ali a mulher que passou anos planejando uma vingança pessoal. E é aí que a história vira pessoal demais.
Lee Ju-yeon, médica e sobrevivente de um estupro orquestrado na adolescência, reconhece o novo “Jae-yeong” como o homem que destruiu sua juventude. A tensão explode num clímax moral: ela tem a chance de matá-lo com as próprias mãos, mas desiste. Não por perdão, mas por decisão. Ela quer seguir viva, não arrastar o trauma por mais décadas.
Só que o universo de “Carma” tem sua própria justiça. E ela vem crua, silenciosa e com bisturi. O tal criminoso disfarçado, já livre do hospital, é sequestrado pelos agiotas que ainda cobram a dívida do Jae-yeong original. Eles o entregam a uma clínica clandestina para extração de órgãos. E quem é o cirurgião? Jeong-min, namorado de Ju-yeon. Em silêncio, ele termina o trabalho que a médica recusou fazer. E ainda joga na cara o motivo.
O fecho é brutal, como o dorama inteiro: Beom-jun morre sem saber se foi azar ou destino. Como último agrado, recebe o relógio que circulou entre quase todos os personagens mortos da trama, como um troféu macabro. Fim.
“Carma” é uma aula de roteiro afiado, um conto de vingança onde o verdadeiro fantasma é a culpa mal enterrada. No fim, não importa quem segurou a pá. Todo mundo cavou essa cova junto.
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