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Final explicado de “Desobedientes”

Texto: Ygor Monroe
5 de outubro de 2025
em Netflix, Séries, Streaming

Em meio à névoa densa e quase hipnótica de Tall Pines, “Desobedientes” se encerra como uma parábola moderna sobre controle, fé e as ilusões de salvação. Criada e estrelada por Mae Martin, a série da Netflix transforma o suspense psicológico em um espelho sobre a fragilidade humana diante do poder. No último episódio, o que parecia uma luta entre vítimas e algozes se dissolve em um ciclo de manipulação, revelando que o verdadeiro horror de Tall Pines não está nas drogas psicodélicas ou nos cultos, mas na crença de que é possível curar a dor destruindo a individualidade.

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Final explicado de "Desobedientes"
Final explicado de “Desobedientes”

“Desobedientes” se passa na enigmática Tall Pines Academy, um espaço que combina espiritualidade, psicologia e autoritarismo sob a liderança de Evelyn, interpretada com frieza calculada por Toni Collette. O que ela chama de “Salto” uma espécie de ritual de recodificação mental é apresentado como um método de purificação, mas na prática se torna um experimento de obliteração emocional. A ideia de apagar o trauma para libertar o indivíduo ecoa distopias como “Midsommar” e até mesmo o olhar clínico e sufocante de “A Vila”, de M. Night Shyamalan, em que o isolamento serve como metáfora para o controle.

Laura, vivida por Sarah Gadon, retorna à cidade onde cresceu buscando refazer a vida ao lado do marido, Alex, e do bebê que esperam. Mas, conforme as memórias reprimidas de seu próprio “Salto” emergem, ela percebe que o lugar que um dia chamou de lar foi também o cenário de sua anulação. O que começa como um retorno às origens termina como um mergulho ao inferno da própria consciência.

Ao confrontar Evelyn, Laura tenta romper o ciclo de abuso e fundar uma nova ordem. No entanto, sua ascensão ao poder é o verdadeiro clímax da série a virada em que o discurso libertador se contamina pela sedução do comando. A cena em que os moradores a elegem como nova líder é o ponto em que o espectador entende que a transformação não é cura, é repetição. O gesto de Laura, embora travestido de empatia, carrega o mesmo instinto de controle que ela tanto condenava.

O nascimento do bebê, momento que deveria simbolizar renascimento, se transforma em ritual coletivo. Quando Laura declara que a criança “pertence a todos”, o espectador percebe que a protagonista se tornou aquilo que jurou destruir. O poder espiritual da comunidade é, mais uma vez, usado para justificar o apagamento da individualidade. O horror não está no sangue, mas na crença. Essa cena, em sua sutileza, lembra o fim de “Mãe!”, de Darren Aronofsky, onde o sagrado e o grotesco se confundem, e o amor se torna posse.

Enquanto isso, Alex, vivido por Mae Martin, se vê prisioneiro da própria idealização. Ele acredita poder salvar Laura e reconstruir uma família “normal”, mas o que encontra é o colapso de sua fantasia. Sua permanência em Tall Pines, mesmo após compreender o absurdo, é a prova de que o apego ao ideal pode ser mais aprisionador do que qualquer seita. O que o retém ali é menos amor e mais o medo do vazio uma necessidade desesperada de pertencer, de ser parte de algo, mesmo que esse algo seja a ruína.

Evelyn, por sua vez, tem um destino tão simbólico quanto incerto. Envenenada e deixada à deriva em um transe psicodélico, ela se vê presa em uma sala imaginária cheia de portas verdes um limbo entre culpa e ilusão. Essa imagem, de uma líder cega diante do próprio sistema, ecoa figuras clássicas da literatura gótica, como Miss Havisham de “Grandes Esperanças”, que vive aprisionada em um tempo que já morreu. A série deixa seu destino em aberto, mas o simbolismo é claro: Evelyn não morre, ela se dissolve dentro da própria criação.

As adolescentes Abbie e Leila representam duas forças opostas dentro do universo de “Desobedientes”. Abbie foge, movida por um impulso de salvação coletiva, enquanto Leila escolhe ficar, seduzida pela sensação de pertencimento que o culto oferece. São personagens que sintetizam os dois caminhos do trauma: fugir dele ou transformá-lo em identidade. A fuga de Abbie é a única centelha de esperança em um final dominado pela repetição.

Ao revelar que Laura pode ter assassinado os próprios pais antes do “Salto”, a série sela seu discurso sobre manipulação e memória. Nada em Tall Pines é confiável. A verdade se torna um campo maleável, moldado pela dor e pelo desejo de esquecer. “Desobedientes” encerra sua jornada como uma alegoria sobre o perigo de terceirizar a cura, sobre o risco de entregar o próprio passado nas mãos de alguém que promete redenção.

No fim, a série faz o que todo bom thriller psicológico deve fazer: deixa o espectador inquieto. Não há catarse, há desconforto. O último olhar de Alex para Laura, cercados por seguidores nus, não é de terror, mas de resignação. Ele entende que Tall Pines venceu, porque o culto nunca foi Evelyn. O culto é o próprio desejo humano de controle, o medo do caos, o impulso de transformar dor em doutrina.

E assim, “Desobedientes” se junta a uma linhagem de obras que discutem a relação entre trauma, fé e dominação de “Midsommar” a “The Leftovers”, de “O Sacrifício do Cervo Sagrado” a “Hereditário”. Todas elas, em diferentes graus, nos lembram que o perigo mais assustador está em quem acredita estar salvando os outros. Em Tall Pines, o inferno veste roupa de cura.

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