O avanço das novelas verticais consolida uma das transformações mais significativas do audiovisual. Impulsionado pelo consumo mobile e pela lógica das redes sociais, o formato aposta em tramas curtas, ágeis e altamente dramáticas, pensadas diretamente para a tela do celular. A expansão desse modelo indica que a dramaturgia seriada passa por um processo de adaptação estrutural ao comportamento do público digital.

Produções verticais funcionam como uma ponte entre a narrativa tradicional da televisão e o imediatismo das plataformas digitais. Com capítulos de curta duração e forte apelo emocional, o formato privilegia o clímax por episódio, explorando ganchos constantes que estimulam o consumo contínuo. A estratégia dialoga diretamente com o hábito mobile-first, no qual o espectador consome conteúdo em deslocamento e em períodos fragmentados do dia.
Entre as principais características do formato estão o enquadramento vertical, desenvolvido especificamente para smartphones, e os capítulos de dois a três minutos, construídos com ritmo acelerado e foco direto no conflito. A narrativa elimina excessos e concentra a atenção no que gera impacto imediato, reforçando a lógica de retenção típica das redes sociais.
A tendência surgiu na China, onde produções conhecidas como duanju se popularizaram rapidamente, e ganhou escala global com o crescimento de aplicativos especializados em dramaturgia curta, como o ReelShort. A partir desse movimento, grandes empresas de mídia passaram a enxergar o formato como uma alternativa estratégica para disputar atenção no ambiente digital.
No Brasil, o modelo já atrai o interesse de grupos tradicionais de comunicação, que veem nas novelas verticais uma oportunidade de renovar linguagens, alcançar novos públicos e ampliar a presença multiplataforma. Além do potencial narrativo, o formato abre espaço para novas possibilidades comerciais, especialmente para marcas dos setores de moda, beleza e entretenimento, que utilizam essas produções para criar micromomentos de engajamento e mapear comportamentos de consumo.
A expansão também aponta para um ecossistema audiovisual mais híbrido, no qual histórias podem nascer no digital e, posteriormente, ganhar versões mais longas no streaming ou até na televisão aberta. O movimento sinaliza uma reorganização do ciclo de produção e distribuição de conteúdo, ajustado à velocidade do consumo.
Esse reposicionamento foi reforçado recentemente por Amauri Soares, diretor da TV Globo, durante uma live interna com funcionários da emissora. Na ocasião, ele revelou a intenção de desenvolver “uma novelinha com atores de verdade, jovens atores”, pensada especificamente para fortalecer o digital da Globo e dialogar com novas plataformas, linguagens e hábitos de consumo.
A declaração reacende o debate sobre o legado de “Malhação”, encerrada em 2020 após 27 anos no ar. Mais do que o fim de um produto da grade, o cancelamento deixou uma lacuna estratégica na formação de novos talentos e na conexão direta com o público jovem. O investimento em novelas verticais surge, assim, como uma possível resposta estrutural a esse vazio, reposicionando a dramaturgia juvenil dentro do cenário digital.
Ao contrário de uma tendência passageira, as novelas verticais se consolidam como uma evolução natural do audiovisual, combinando a tradição do melodrama com a velocidade, interatividade e foco na atenção do espectador. Trata-se de um formato alinhado ao presente e, cada vez mais, ao futuro da narrativa seriada.
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