Poucas séries conseguem ostentar um status tão incontestável quanto “Primal”. A produção criada por Genndy Tartakovsky deixou de ser apenas uma aposta ousada do Adult Swim para se tornar uma referência absoluta dentro do streaming, especialmente no catálogo da HBO Max. Em sua terceira temporada, a série alcançou um feito raríssimo ao manter 100% de aprovação no Rotten Tomatoes, consolidando um prestígio crítico que desafia a lógica de desgaste comum às produções de longa duração.
O impacto de “Primal” começa na própria concepção. Criada pelo mesmo nome por trás de clássicos como “Samurai Jack” e “O Laboratório de Dexter”, a série aposta em uma narrativa quase silenciosa, conduzida por imagem, ritmo e emoção bruta. Aqui, a ausência de diálogos deixa de ser artifício e se transforma em linguagem, exigindo atenção total do espectador e oferecendo uma experiência sensorial rara dentro da animação adulta.
Ambientada em um mundo pré-histórico que mistura dinossauros, criaturas do período glacial, tribos arcaicas e elementos de fantasia e terror, a série acompanha a improvável aliança entre Spear, um neandertal marcado pela perda, e Fang, uma tiranossauro fêmea igualmente traumatizada. O vínculo entre os dois nasce da tragédia e evolui para algo profundamente humano, mesmo sem palavras. “Primal” fala sobre luto, sobrevivência e companheirismo de forma direta, quase física, algo que poucos títulos ousam tentar.
Ao longo das temporadas, a narrativa se expande sem perder o foco emocional. A chegada de personagens como Mira, rainhas tirânicas, tribos guerreiras e entidades quase míticas amplia o escopo da série, mas nunca desvia do essencial. Cada arco narrativo funciona como um estudo de caráter, testando até onde esses personagens são capazes de ir quando tudo ao redor é hostil.
A terceira temporada representa um ponto de maturidade criativa. Mesmo após mudanças significativas na trama e no universo apresentado, a série não dilui sua identidade. Pelo contrário. Os novos episódios são frequentemente apontados como os mais experimentais até agora, com decisões narrativas arriscadas, episódios quase abstratos e um controle de atmosfera que coloca “Primal” em um patamar artístico raramente alcançado pela animação seriada.
O sucesso da produção ultrapassa o circuito crítico. Em 2026, “Primal” figura entre as séries mais assistidas da HBO Max, um desempenho expressivo para uma animação adulta que nunca se apoiou em campanhas massivas ou apelo fácil. O boca a boca, a força estética e a consistência criativa transformaram a série em um fenômeno silencioso, mas persistente.
Outro dado que reforça esse status é a regularidade de excelência. As três temporadas mantêm aprovação máxima no Rotten Tomatoes, um feito extremamente raro em um cenário dominado por quedas de qualidade, reformulações apressadas e decisões guiadas por algoritmo. “Primal” segue o caminho oposto, confiando na visão autoral de Tartakovsky e no tempo necessário para cada história respirar.
Parte dessa força vem do método de criação. O próprio Tartakovsky já declarou que o projeto nasceu da vontade de quebrar regras, desacelerar o ritmo e apostar em silêncio e contemplação. Influências de obras como “Conan, o Bárbaro” e “O Regresso” ajudam a moldar uma estética brutal e contemplativa ao mesmo tempo. Mesmo com a ideia aparentemente absurda de unir um homem e um dinossauro, a série nunca se distancia da seriedade emocional, tratando seus personagens como figuras trágicas em um mundo indiferente.
Desde sua estreia em 2019, passando pela consolidação no Adult Swim, a chegada à HBO Max e, mais recentemente, a expansão no Brasil com o canal 24 horas do Adult Swim, “Primal” construiu um legado raro. Um legado que prova que animação adulta pode ser profunda, silenciosa, violenta, sensível e artisticamente ambiciosa sem precisar explicar tudo ao espectador.
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