Em uma época em que Hollywood ainda tratava Marilyn Monroe mais como mito do que como atriz, o Globo de Ouro de 1960 acabou se tornando o principal registro institucional do talento que ela entregou em “Quanto Mais Quente Melhor”. A comédia dirigida por Billy Wilder, lançada em 1959, transformou Sugar Kane em um dos personagens mais emblemáticos da história do cinema, mas, paradoxalmente, esse impacto quase passou ao largo das grandes premiações da indústria.

O Globo de Ouro foi a única grande cerimônia americana que realmente reconheceu esse trabalho. Marilyn venceu na categoria de melhor atriz em comédia ou musical, superando concorrentes e consolidando, de forma oficial, uma performance que já havia sido absorvida pelo público e pela crítica como uma das mais marcantes da década. O filme também saiu vitorioso como melhor comédia ou musical, enquanto Jack Lemmon recebeu o prêmio de melhor ator na mesma categoria, reforçando o peso daquele ano para a produção.
Apesar do sucesso estrondoso de “Quanto Mais Quente Melhor”, o reconhecimento a Marilyn seguiu um caminho desigual. No Oscar de 1960, o filme conquistou seis indicações e venceu em melhor figurino, mas Marilyn sequer foi indicada como melhor atriz. Em termos internacionais, a atriz também recebeu o prêmio de melhor atriz no Faro Island Film Festival, concedido tanto pelo júri quanto pelo voto popular, embora essa distinção tivesse um alcance comercial muito menor do que o Globo de Ouro. Enquanto isso, Jack Lemmon ainda seria premiado com o bafta de melhor ator estrangeiro, honraria que Marilyn não receberia.
Por esse contexto, a estatueta do Globo de Ouro de 1960 permanece como o maior triunfo oficial da carreira de Marilyn Monroe. Foi a única grande validação da indústria cinematográfica americana para uma atuação que, com o passar do tempo, se tornou ainda mais reverenciada do que na época de seu lançamento.
A noite da cerimônia aconteceu em 8 de março de 1960, no lendário Cocoanut Grove do Hotel Ambassador, em Los Angeles, e ajudou a consolidar o caráter histórico daquele momento. Marilyn surgiu usando um vestido branco de lantejoulas, acompanhado por uma estola de pele branca, visual que reforçava o glamour da chamada Era de Ouro de Hollywood. O prêmio foi entregue por Glenn Ford, e relatos da época indicam que o encontro entre os dois acabou dando início a um breve romance.
Em seu discurso, Marilyn manteve o tom simples e afetuoso que fazia parte de sua imagem pública. Ela agradeceu à Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood e ao público pelo reconhecimento de seu trabalho como Sugar Kane, sem recorrer a falas longas ou políticas. Naquele palco, o que se via era algo raro para sua trajetória: uma atriz sendo celebrada por seu talento, e não apenas por sua imagem.
Dois anos depois, em 1962, Marilyn retornaria ao Globo de Ouro para receber o prêmio de “favorita do cinema mundial”, sua última grande aparição em uma cerimônia desse porte antes de sua morte. Ainda assim, foi a vitória por “Quanto Mais Quente Melhor” que entrou para a história como o momento em que Hollywood, mesmo que por uma única noite, reconheceu plenamente a força de sua arte.
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