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Gravadoras criam aliança global contra fraude em streaming

Texto: Ygor Monroe
16 de setembro de 2026
em Música, Streaming

A indústria fonográfica está ampliando o cerco contra as chamadas reproduções falsas nas plataformas digitais. A Federação Internacional da Indústria Fonográfica, a IFPI, anunciou a criação da Streaming Integrity Initiative, a SII, iniciativa que reúne grandes gravadoras, distribuidoras e organizações do setor em torno de práticas comuns para prevenir, identificar e combater fraudes relacionadas ao streaming.

Gravadoras criam aliança global contra fraude em streaming
Gravadoras criam aliança global contra fraude em streaming

Anunciada em 14 de setembro, a iniciativa conta desde seu lançamento com o apoio de empresas como Sony Music Group, Universal Music Group e Warner Music Group, além de nomes diretamente ligados à distribuição digital, entre eles AWAL, CD Baby, FUGA, The Orchard, RouteNote, ADA, Virgin Music Group, Ditto Music, Symphonic, Secretly Distribution e Revelator.

O objetivo é dificultar uma prática que se tornou uma preocupação crescente para a indústria: a manipulação dos serviços de música para gerar artificialmente reproduções e, consequentemente, receber dinheiro proveniente de royalties que não corresponde à atividade de ouvintes reais.

O chamado fake streaming pode envolver a utilização de bots, contas automatizadas e outros sistemas criados para reproduzir músicas repetidamente, fazendo com que determinadas faixas acumulem execuções que não representam uma audiência legítima. Como parte da remuneração gerada pelas plataformas é distribuída a partir da atividade registrada nesses serviços, a manipulação pode retirar recursos do conjunto destinado a artistas, compositores, gravadoras, editoras e outros participantes da cadeia musical.

O impacto não se limita aos royalties. Reproduções artificiais também podem interferir em informações utilizadas pelo mercado para medir o desempenho de músicas e artistas, além de alimentar sistemas digitais com dados que não correspondem ao comportamento real do público.

A Streaming Integrity Initiative pretende atuar justamente antes que parte desse conteúdo chegue às plataformas. A IFPI considera as distribuidoras um dos principais pontos de entrada do ecossistema digital, já que são responsáveis por receber conteúdos de artistas, selos e clientes e encaminhá-los para os serviços de streaming.

Por isso, as empresas participantes assumiram cinco compromissos básicos de combate às fraudes. O primeiro prevê a ampliação dos processos de verificação da identidade dos clientes e da titularidade dos direitos sobre os conteúdos enviados, incluindo procedimentos conhecidos como Know Your Customer, ou KYC.

Outra frente envolve a análise dos próprios conteúdos distribuídos. As empresas deverão utilizar ferramentas e processos capazes de identificar possíveis infrações, comportamentos fraudulentos e riscos associados ao uso indevido de inteligência artificial. A expansão de ferramentas automatizadas passou a adicionar novas possibilidades de fraude ao mercado digital, aumentando a necessidade de sistemas capazes de acompanhar a origem e o comportamento dos conteúdos enviados às plataformas.

A terceira medida estabelece que as participantes devem investigar atividades suspeitas e adotar ações quando uma possível fraude for identificada. Isso inclui medidas contra usuários reincidentes que utilizem os serviços de distribuição para alimentar esquemas de manipulação.

A iniciativa também pretende aumentar a cooperação entre diferentes empresas. Informações relacionadas a agentes identificados por práticas fraudulentas poderão ser compartilhadas dentro dos limites permitidos pela legislação, com o objetivo de dificultar que uma mesma operação simplesmente deixe uma distribuidora e migre para outra depois de ser identificada.

O quinto compromisso estabelece a atualização contínua das ferramentas antifraude. A intenção é que os mecanismos de prevenção e identificação sejam constantemente avaliados diante do surgimento de novas tecnologias e estratégias utilizadas para manipular as plataformas.

A iniciativa amplia uma campanha que já vinha sendo conduzida pela IFPI, a End Streaming Fraud, criada para aumentar a conscientização sobre as consequências das reproduções artificiais para o mercado musical. A nova etapa busca transformar parte dessa discussão em procedimentos adotados conjuntamente pelas empresas responsáveis por colocar grandes volumes de música nos serviços digitais.

Segundo Victoria Oakley, CEO da IFPI, a fraude em streaming prejudica tanto o público quanto profissionais que dependem da receita gerada pela música. Ao apresentar a iniciativa, a executiva classificou a prática como uma forma de retirar de artistas e compositores recursos que deveriam ser destinados às reproduções legítimas.

A criação da SII ocorre ainda em um cenário no qual a inteligência artificial adicionou uma nova camada ao problema. Ferramentas capazes de gerar grandes quantidades de conteúdo em pouco tempo podem ser combinadas com sistemas automatizados de reprodução, permitindo operações em escala muito superior à manipulação manual de contas. A preocupação da indústria, portanto, envolve tanto a procedência do material distribuído quanto a maneira como essas músicas acumulam reproduções depois de chegarem às plataformas.

A SII não funciona como uma nova plataforma de fiscalização centralizada, mas estabelece um conjunto de práticas que as empresas participantes se comprometem a incorporar aos próprios sistemas. Dessa forma, a estratégia busca criar barreiras em diferentes pontos da distribuição, da identificação de quem envia uma música até a investigação de comportamentos suspeitos e o compartilhamento de informações sobre possíveis infratores.

A coalizão permanece aberta à adesão de outras distribuidoras, serviços digitais e organizações ligadas à indústria musical. Com Sony Music Group, Universal Music Group e Warner Music Group entre os primeiros apoiadores, a iniciativa começa reunindo algumas das maiores estruturas do mercado fonográfico mundial em uma tentativa coordenada de reduzir a circulação de reproduções artificiais e proteger a receita gerada por audições consideradas legítimas.

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Temas: Música

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