Nem todo fenômeno nasce fazendo barulho. Alguns começam no silêncio de um nicho e, quando percebemos, já se tornaram conversa obrigatória. É exatamente esse o caso de “Rivalidade Ardente”, produção canadense que desembarca no Brasil pela HBO Max cercada de expectativa e números expressivos.
A plataforma optou por uma estratégia pouco comum em tempos de maratona instantânea. Os três primeiros episódios foram disponibilizados em 13 de fevereiro. Uma semana depois, em 20 de fevereiro, chegam os três capítulos finais, completando a primeira temporada. É um lançamento pensado para manter o debate aceso, estimulando o público a digerir a história antes do desfecho.
Criada, escrita e dirigida por Jacob Tierney para a plataforma canadense Crave, a série é baseada na saga literária “Game Changers”, de Rachel Reid, especialmente no segundo livro da coleção. No centro da trama estão Shane Hollander e Ilya Rozanov, dois astros do hóquei profissional que atuam em times rivais e mantêm, longe das câmeras e dos holofotes, um relacionamento secreto que atravessa anos.
Hudson Williams dá vida a Shane, enquanto Connor Storrie interpreta Ilya. A química entre os dois não é apenas narrativa, é estrutural. A série vive e morre pela intensidade dessa relação, algo que o próprio Tierney reconheceu desde os primeiros testes de elenco. Ao redor deles, nomes como François Arnaud, Christina Chang, Sophie Nélisse e Dylan Walsh ampliam o universo da liga fictícia MLH, inspirada na rivalidade real entre Boston Bruins e Montreal Canadiens na NHL.
Mas “Rivalidade Ardente” não é apenas uma história de romance esportivo. É um drama sobre identidade, repressão, imagem pública e o peso de expectativas culturais. Shane é capitão do Montreal Metros. Ilya lidera o Boston Raiders. Dentro do gelo, são adversários. Fora dele, constroem um vínculo que começa casual e evolui para algo muito mais profundo. O conflito não está apenas na rivalidade esportiva, mas no medo de assumir quem se é em um ambiente historicamente conservador.
A produção teve pré-estreia no Image+Nation LGBTQ+ Film Festival, em Montreal, antes de estrear oficialmente no Canadá em novembro de 2025. Filmada majoritariamente em Ontário, com sequências no gelo realizadas no Sleeman Centre, a série investe em realismo visual para sustentar a intensidade emocional. O orçamento, estimado em quase 3 milhões de dólares canadenses por episódio, revela a ambição do projeto.
Outro ponto que chamou atenção foi a abordagem das cenas íntimas. Longe de serem gratuitas, elas funcionam como ferramenta de desenvolvimento de personagem. O próprio Tierney defendeu que, nesta história, sexo é construção dramática, não provocação vazia. Essa escolha estética e narrativa ajudou a diferenciar a produção dentro do crescente catálogo de romances LGBTQIA+ na televisão.
O resultado veio em números. A série se tornou o original mais assistido da história da Crave e foi apontada como a estreia adquirida de maior desempenho na HBO Max. A repercussão internacional transformou o título em sensação global e garantiu a renovação para uma segunda temporada, que deve adaptar o romance de continuação da saga literária.
A trilha sonora também contribuiu para o impacto cultural. Com composição original de Peter Peter e uso estratégico de músicas já conhecidas, a série impulsionou o streaming de diversas faixas após sua exibição, ampliando ainda mais o alcance do projeto.
No fim das contas, o que faz “Rivalidade Ardente” funcionar não é apenas o romance proibido ou a tensão no gelo. É a forma como a narrativa entende que, por trás de uniformes, contratos milionários e manchetes esportivas, existem homens lidando com medo, luto, desejo e pertencimento.
Fique por dentro das novidades das maiores marcas do mundo! Acesse nosso site Marca Pop e descubra as tendências em primeira mão.