Jaafar Jackson comentou os caminhos que a continuação de “Michael” poderá seguir ao abordar as acusações de abuso sexual feitas contra Michael Jackson. Intérprete do cantor na cinebiografia, o ator afirmou que o segundo filme deve apresentar esse período a partir da perspectiva do próprio artista. As declarações foram dadas em entrevista à GQ Middle East.

Segundo Jaafar, a continuação poderá ampliar o espaço destinado ao ponto de vista de Michael diante das acusações que marcaram os últimos anos de sua vida. O ator defendeu que a produção apresente a posição do cantor sobre os acontecimentos, argumentando que grande parte das narrativas conhecidas pelo público parte das pessoas que fizeram as acusações.
“O segundo filme vai trazer ainda mais perspectiva do ponto de vista dele, porque, no fim das contas, as acusações sempre vêm de outra pessoa”, afirmou.
Dirigido por Antoine Fuqua, o primeiro “Michael” concentra sua narrativa na trajetória do artista até 1987, período marcado pelo lançamento de “Bad”. Dessa forma, acontecimentos posteriores da vida do cantor, incluindo a primeira acusação formal feita contra ele em 1993, ficaram fora do recorte principal do longa.
A produção chegou a trabalhar com material relacionado às acusações durante seu desenvolvimento, mas mudanças realizadas ao longo do processo fizeram com que esse período deixasse de integrar a versão final. Com isso, a possibilidade de abordar os episódios passou para a planejada continuação da cinebiografia.
Apesar de comentar o que espera do segundo longa, Jaafar Jackson ressaltou que não participa das decisões sobre o roteiro, que segue em desenvolvimento. Ao falar sobre a abordagem que considera importante para a produção, o ator afirmou que gostaria que o público tivesse acesso à maneira como Michael enxergava o que acontecia ao seu redor.
“É a história de outra pessoa. É a ideia de outra pessoa sobre o que aconteceu e, em grande parte, é movida por uma agenda. E é exatamente esse o problema que temos enfrentado como família: a voz de Michael nunca foi ouvida”, declarou Jaafar. Para o ator, essa perspectiva ganha importância principalmente ao tratar dos últimos anos da vida do cantor.
Durante a entrevista, Jaafar também falou sobre a proposta adotada no primeiro filme para apresentar Michael Jackson além de sua imagem como astro da música. Segundo ele, a produção procurou mostrar características pessoais do cantor e sua vida fora dos palcos, abordagem que poderá ganhar novos elementos caso a sequência avance sobre os anos seguintes de sua trajetória.
Para construir sua interpretação, o ator teve acesso a materiais pessoais do tio, incluindo diários mantidos por Michael Jackson. De acordo com Jaafar, as anotações ajudaram a compreender diferentes características do artista, desde sua ambição profissional até a maneira como enxergava a própria fama.
O ator contou que encontrou nos registros pensamentos ligados ao desejo de alcançar grandes públicos desde cedo. Entre as anotações mencionadas por ele estava a vontade de sair às ruas e atrair a atenção de milhares de pessoas. Segundo Jaafar, essa característica permaneceu presente em Michael e cresceu conforme sua carreira alcançou proporções mundiais.
Os documentos também ajudaram o ator a conhecer o lado empresarial do cantor. Michael Jackson construiu ao longo da carreira um patrimônio que também envolvia investimentos em direitos autorais e catálogos musicais, área que se tornou parte importante de seus negócios fora dos palcos.
A continuação de “Michael” ainda não possui data oficial de lançamento. A Lionsgate trabalha com a possibilidade de iniciar as filmagens entre o fim de 2026 e o começo de 2027, enquanto a estreia é esperada entre 2027 e 2028.
O presidente da divisão cinematográfica do estúdio, Adam Fogelson, também indicou que materiais produzidos originalmente para o primeiro filme poderão ser utilizados na sequência. Entre eles estão cenas que ficaram fora da montagem final e grandes números musicais já registrados durante as filmagens.
Após interpretar o tio, Jaafar Jackson também pretende continuar trabalhando como ator. Ele afirmou que a experiência diminuiu seu interesse em seguir uma carreira musical própria e que deseja buscar personagens que exijam processos intensos de transformação. Daniel Day-Lewis, Leonardo DiCaprio e Joaquin Phoenix foram citados pelo ator como algumas de suas referências para os próximos trabalhos.
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