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Kesha transforma CarnaUOL em celebração pop

A apresentação de Kesha no CarnaUOL 2026 funcionou como um retrato claro de sua trajetória recente. Após 11 anos longe dos palcos brasileiros, a cantora voltou a São Paulo no último sábado (24) com um show que equilibra passado, reposicionamento artístico e controle criativo. No Allianz Parque, diante de um público majoritariamente fiel e atento, o espetáculo ganhou contornos de afirmação profissional.

Kesha transforma CarnaUOL em celebração pop | Foto: @pridiabr

A abertura com “TiK ToK” estabeleceu o tom desde o primeiro minuto. O hit que apresentou Kesha ao mundo em 2009 surge hoje com outro peso. A música permanece eficiente como motor de festa, mas carrega também a consciência de quem entende o próprio lugar na história do pop. A reação imediata do público confirmou essa leitura, com coro forte e adesão total, mesmo sob a garoa persistente.

A sequência com “Crazy Kids”, “Blow”, “C’Mon” e “Timber” manteve o ritmo alto e revelou um repertório pensado para dialogar com diferentes fases da carreira. O Allianz Parque respondeu como pista de festival, reforçando a relação construída desde a passagem pelo Brasil em 2015, durante a turnê “Warrior”, quando a cantora consolidou sua base de fãs no país.

O setlist avançou com naturalidade entre os primeiros discos, “Animal” e “Cannibal”, e o momento atual representado por “Period”, álbum lançado em 2025. Faixas como “Attention!”, “Boy Crazy.” e “Joyride.” evidenciam uma artista que revisita a estética de festa sob novas condições. O discurso agora parte da autonomia, tanto criativa quanto estrutural, refletindo a fase independente de Kesha à frente da Kesha Records.

Esse recorte ganha relevância ao considerar os últimos anos de sua carreira. Entre disputas contratuais, exposições públicas e períodos de afastamento dos holofotes, Kesha construiu um catálogo que acompanha sua transformação. Trabalhos como “Rainbow” e “Gag Order” ampliaram seu campo de atuação artística, enquanto “Period” funciona como síntese de liberdade estética e retomada de controle. O show no CarnaUOL dialoga diretamente com esse contexto ao apresentar uma artista confortável com sua própria narrativa.

Um dos momentos mais comentados da noite aconteceu quando Kesha recebeu de um fã uma camiseta com as cores da bandeira do Brasil. A troca de figurino no palco reforçou a conexão com o público local e se integrou ao espetáculo de forma orgânica. Na sequência, músicas como “Cathedral.” e “Praying” trouxeram uma mudança pontual de clima, funcionando como contraponto dentro de um show predominantemente expansivo.

A reta final retomou a energia direta que sempre marcou sua discografia. “Your Love Is My Drug” e “We R Who We R” encerraram a apresentação com o Allianz Parque completamente entregue, consolidando uma noite construída sobre memória, presença e atualização artística. O visual final, com referências às cores do Brasil, fechou o espetáculo em sintonia com o público.

Mais do que um retorno pontual, a apresentação no CarnaUOL marcou a primeira vinda de Kesha ao Brasil como artista independente, elemento central de sua fase atual. O show apresentou uma cantora que revisita seus próprios hits sem depender deles, sustentada por um repertório que acompanha sua evolução e por uma relação sólida com os fãs.

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