Lilly Wachowski, cineasta responsável por trabalhos como “Matrix”, “Speed Racer” e “O Destino de Júpiter”, voltou a criticar publicamente J.K. Rowling e defendeu que o público deixe de consumir produtos relacionados a “Harry Potter”. Em entrevista à revista Variety, a diretora associou os rendimentos obtidos pela autora com a franquia ao seu apoio financeiro a iniciativas relacionadas às discussões sobre direitos de pessoas trans.

Durante a entrevista, Wachowski utilizou a expressão “genocídio trans” ao falar sobre a atuação política de Rowling e afirmou considerar que continuar financiando comercialmente “Harry Potter” também significa contribuir indiretamente com as causas apoiadas pela escritora.
“Ela está financiando o genocídio trans. J.K. Rowling financia o genocídio trans, e ponto final”, declarou Wachowski. A cineasta argumentou ainda que parte do dinheiro movimentado pelo consumo de produtos ligados ao universo criado por Rowling chega à autora e pode posteriormente ser direcionado às iniciativas que ela apoia.
Wachowski também comparou sua defesa de um boicote à franquia com decisões de consumo tomadas diante de outras questões políticas, sociais ou ambientais. Segundo a diretora, pessoas que discordam da atuação de determinadas figuras públicas ou empresas podem optar por não financiar seus produtos.
A cineasta afirmou que enxerga a continuidade do consumo de “Harry Potter” como uma questão que ultrapassa o entretenimento devido ao envolvimento político de Rowling. A declaração representa a posição de Wachowski sobre o impacto das ações da escritora e ocorre em meio a anos de embates públicos envolvendo Rowling e organizações e ativistas ligados aos direitos de pessoas trans.
As controvérsias em torno da autora ganharam projeção internacional em 2020, após Rowling criticar uma publicação que utilizava a expressão “pessoas que menstruam”. Desde então, a escritora publicou textos e manifestações sobre sexo biológico, identidade de gênero, espaços destinados a mulheres e tratamentos relacionados à transição de gênero. Suas posições receberam críticas de organizações LGBTQIA+, ativistas e também de diferentes profissionais ligados às adaptações de “Harry Potter”.
O debate ganhou um novo capítulo em 2025, quando a Suprema Corte do Reino Unido decidiu que os termos “mulher” e “sexo” previstos na Equality Act 2010 se referem ao sexo biológico para os efeitos analisados pela legislação. Rowling comemorou publicamente o resultado.
A escritora também havia doado £70 mil para apoiar a organização For Women Scotland em sua disputa judicial. A participação financeira passou a ser citada por críticos de Rowling como demonstração de que sua atuação no debate não se limita a declarações públicas. A autora, por sua vez, tem defendido suas posições como relacionadas aos direitos baseados no sexo e à proteção de mulheres.
É nesse contexto que Wachowski defende a interrupção do consumo de produtos associados a “Harry Potter”. Para a diretora, existe uma ligação financeira entre o sucesso comercial da propriedade intelectual e a capacidade de Rowling de apoiar iniciativas alinhadas às posições que defende.
As declarações também chegam durante uma nova fase comercial de “Harry Potter”, com a franquia novamente em evidência por causa de sua adaptação televisiva. Rowling permanece diretamente relacionada ao projeto, enquanto as discussões sobre suas posições continuam acompanhando novas produções ambientadas no universo da série.
Lilly Wachowski é uma mulher trans e tem abordado publicamente questões relacionadas à comunidade ao longo dos últimos anos. Paralelamente ao trabalho no cinema, ela está envolvida com Sarah Marie Flores e Lawrence Mattis na criação da Anarchists United Foundation e do Anarchists United Studio, iniciativas voltadas ao desenvolvimento e apoio de histórias produzidas por comunidades marginalizadas.
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