“Nossa Senhora de Copacabana”: Alexandre Nero lança single de seu álbum inédito

A Copacabana que inspirou tantas bossas, poetas e canções, de luxo e de lixo, agora é personagem da crônica poética e musical de dois curitibanos. “Nossa Senhora de Copacabana”, canção composta por Alexandre Nero e Luiz Felipe Leprevost, é o primeiro single do álbum de inéditas de Alexandre Nero lança em abril, o primeiro em 11 anos.

Alexandre Nero começou a construir o universo sonoro de seu quarto álbum em 2018. A partir daí, o projeto ganhou a colaboração de Antonio Saraiva – produtor, músico e parceiro de Nero em duas canções. Interrompido pela pandemia, o álbum completo chega às plataformas de música em abril, acompanhado por videoclipes inéditos.

“Foi numa das madrugadas cantadas na música, exatamente na Nossa Senhora de Copacabana, que o Leprevost cantarolou o primeiro verso da canção. Anotei na cabeça e no dia seguinte, ainda meio de ressaca, comecei a trabalhar nela”, conta Alexandre Nero. “É sobre os personagens desprezados, excluídos, rechaçados, apagados, os assassinados pela glamourosa princesinha que cantamos. É uma reza, um louvor, uma oração, um chamado, pra culminar em manifesto gritado, como toda manifestação deve ser. Um paradoxo, como a rua, a cidade, o país”, conclui.

O arranjo de “Nossa Senhora de Copacabana” é de Antonio Saraiva, ele sim, carioca nascido e criado no bairro. “A letra, que foi o ponto de partida da música, e o que me guiou para o arranjo, me remete à diversidade do que se encontra ao longo da avenida. Copacabanas são muitas. Uma humanidade profunda e intensa em seu drama e festa. Uma paisagem tão familiar que nunca me ative a descrevê-la. Em minha imaginação, elaborei o arranjo pensando num grande cortejo que vai se adensando a cada ponto do bairro, numa alucinação coletiva”, pontua Saraiva.

Nossa Senhora de Copacabana (Alexandre Nero / Luiz Felipe Leprevost)
Nossa Senhora de Copacabana
receba as putas em seu louvor
pois toda mulher que nasce é luta
nenhuma a menos e mais amor
peço aqui em nome de sua história
lenda contraditória de festa e calor

Nossa Senhora de Copacabana
passa o réveillon no esplendor
agora cuide, em suas calçadas
da criança incriminada em cor
enquanto banham- se em sua praia
turistas abusam do teu redentor

louvo quem todos os dias
do teu naufrágio retornou
das amargas madrugadas
nas boates, sem pudor

carnes do seu bel-prazer
Corpos com sangue do censor
bocas a sugar inteiras
almas sujas de bolor

Copacabana, velha princesinha
Escuta bem este meu clamor
e proteja todas de calcinha
as travestis do agressor
rezo aqui por sua memória
Essa oração na forra do tambor

Por favor me deixe agora espantar o seu temor.
E cantar com essa gente que se chamam
sem valor

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