O primeiro episódio da segunda temporada de “The Pitt” começa com uma frase que define todo o espírito da série. Quando Dana Evans observa o corpo limpo de um homem que horas antes era tratado como um problema, ela chama aquilo de milagre. E ali, no meio da sujeira, do cansaço e da urgência, o episódio constrói sua verdadeira tese. Cuidar também é um ato político.
Mr. Digby, o paciente em situação de rua que chega ao pronto-socorro coberto de lama e rejeição, vira o símbolo de um hospital que se recusa a tratar gente como ruído. A cena em que ele toma banho do lado de fora, com a ajuda de Dana e da novata Emma Nolan, tem uma força silenciosa. “The Pitt” entende que dignidade também sangra.
A segunda temporada retoma a narrativa no mesmo modelo que fez a série se destacar em 2025. Tudo acontece em tempo real, dentro de um único turno, no coração do Pittsburgh Trauma Medical Center. O episódio de estreia, intitulado “7:00 A.M.”, começa com o Dr. Michael “Robby” Robinavitch atravessando pontes da cidade de moto até chegar a um pronto-socorro já lotado. O detalhe do calendário muda tudo. É 4 de julho, o dia mais explosivo do ano nos Estados Unidos, e o hospital já pulsa como uma bomba-relógio.
Na parede, uma placa homenageia os profissionais que trabalharam durante a pandemia de covid-19. Robby olha, absorve o peso e segue em frente. “The Pitt” nunca usa símbolos como decoração. Tudo ali tem função dramática.
Tecnicamente, a série segue operando em um nível raro no streaming. Os procedimentos médicos continuam precisos, o vocabulário clínico mantém sua crueza e a câmera permanece colada nos corpos, nos olhos e nos erros. Mas o que realmente sustenta o episódio é sua engenharia narrativa. Em menos de uma hora, o roteiro estabelece que este é o último plantão de Robby antes de um sabático, que processos legais rondam a equipe e que relações afetivas se rearranjaram desde o fim da primeira temporada.
Nada disso vem em forma de discurso. Vem em frases jogadas no ar, em olhares atravessados, em conversas interrompidas por emergências. A série confia no espectador como um profissional confia no outro.
Entre os muitos casos que atravessam o episódio, alguns se impõem como âncoras emocionais. O idoso Mr. Bostick, cuja ordem de não reanimação vira uma aula brutal para os estudantes Whitaker, James Ogilvie e Joy Kwon. O senhor Williams, que entra com uma simples lesão no pulso e sai como um suspense clínico sobre perda de memória e degeneração.
A cirurgia de emergência de John Doe é um espetáculo de horror funcional. O tórax aberto, o coração massageado à mão, o sangue ocupando cada centímetro do quadro. “The Pitt” filma corpos como campos de batalha reais, sem estetizar a dor. É ali que os conflitos de personalidade dos médicos se diluem. Garcia solta piadas ácidas, Mohan reage às notificações do celular como se fossem golpes, Robby entra em atrito com a nova médica Al-Hashimi. Mas quando a vida do paciente está por um fio, tudo isso vira ruído. O que sobra é competência.
Esse é o verdadeiro motor da série. Não é o melodrama, nem os romances, nem os segredos. É o ato de fazer bem um trabalho impossível.
A estreia também introduz, com mais força, a figura da Dra. Baran Al-Hashimi, recém-chegada ao hospital. Sua postura mais protocolar e sua distância emocional a colocam como um espelho desconfortável para Robby. A cena em que ela fica paralisada diante de um bebê abandonado em um banheiro do hospital funciona como um gancho narrativo, ainda que menos poderoso do que o padrão da série. Mesmo assim, “The Pitt” já mostrou que sabe transformar fragilidade em arco dramático.
O mais impressionante no episódio é como ele consegue ser frenético e íntimo ao mesmo tempo. Não existe trilha grandiosa empurrando emoções. O que existe é o som de monitores, respirações falhando, portas se abrindo, vidas entrando em colapso. A série entende que urgência é uma forma de linguagem.
A segunda temporada de “The Pitt” é exibida com episódios semanais na HBO Max, sempre às quintas-feiras, às 23h, no horário de Brasília. O segundo ano conta com 15 episódios, que seguem o seguinte cronograma de lançamento no Brasil:
• Episódio 2.02 – 15 de janeiro
• Episódio 2.03 – 22 de janeiro
• Episódio 2.04 – 29 de janeiro
• Episódio 2.05 – 5 de fevereiro
• Episódio 2.06 – 12 de fevereiro
• Episódio 2.07 – 19 de fevereiro
• Episódio 2.08 – 26 de fevereiro
• Episódio 2.09 – 5 de março
• Episódio 2.10 – 12 de março
• Episódio 2.11 – 19 de março
• Episódio 2.12 – 26 de março
• Episódio 2.13 – 2 de abril
• Episódio 2.14 – 9 de abril
• Episódio 2.15 – 16 de abril de 2026, final de temporada
Fique por dentro das novidades das maiores marcas do mundo! Acesse nosso site Marca Pop e descubra as tendências em primeira mão.