Cerca de um século antes dos acontecimentos de “Game of Thrones”, Westeros ainda vive sob o domínio dos Targaryen. O Trono de Ferro permanece ocupado, os dragões ainda fazem parte da memória coletiva e o mundo criado por George R.R. Martin segue marcado por desigualdades, disputas de poder e hierarquias rígidas. É nesse intervalo histórico que surge “O Cavaleiro dos Sete Reinos”, nova série da HBO que escolhe um caminho bem diferente daquele consagrado pela franquia.
Aqui, a grandiosidade dá lugar à proximidade. A série acompanha Sor Duncan, o Alto, um cavaleiro andante de origem humilde, e Egg, seu jovem escudeiro, cuja verdadeira identidade guarda uma ligação direta com a família real. A relação entre os dois sustenta toda a narrativa e funciona como o principal motor emocional da história. Em vez de batalhas monumentais ou guerras entre casas, o foco recai sobre sobrevivência, honra, escolhas cotidianas e os riscos que rondam quem vive à margem do poder.
A primeira temporada adapta o livro “O Cavaleiro Andante” e se passa quase inteiramente durante um torneio de justa, o que contribui para uma estrutura mais enxuta, direta e acessível. São seis episódios, lançados semanalmente, com duração menor do que o padrão das séries anteriores do universo Westeros. Essa decisão narrativa impacta diretamente o ritmo da produção, que se mantém ágil e fluido, sem exigir do espectador qualquer tipo de estudo prévio ou familiaridade profunda com a mitologia da franquia.
Um dos grandes acertos de “O Cavaleiro dos Sete Reinos” está no tom. A série assume uma leveza incomum dentro do universo de Martin, flertando com a comédia de dupla sem perder o senso de perigo que sempre definiu Westeros. Duncan é um protagonista guiado por princípios simples, muitas vezes ingênuo, enquanto Egg surge como contraponto sagaz, observador e surpreendentemente consciente das engrenagens sociais que cercam os cavaleiros, os nobres e o povo comum.
Essa mudança de perspectiva também redefine o olhar sobre o mundo apresentado. Ao abandonar o ponto de vista das grandes casas e dos jogos políticos palacianos, a série passa a enxergar Westeros pelo olhar dos que caminham entre vilas, estradas de terra e arenas improvisadas. É um Westeros mais humano, menos mítico, onde a brutalidade ainda existe, mas se manifesta de forma mais direta, quase cotidiana.
Visualmente, a produção mantém o padrão técnico elevado da HBO, mas sem recorrer ao espetáculo constante. Cada cena parece pensada para servir aos personagens e à história, reforçando a sensação de intimidade. A ausência de elementos como dragões, grandes exércitos e intrigas familiares complexas ajuda a consolidar a identidade própria da série, que se sustenta pelo texto, pelas atuações e pela química entre seus protagonistas.
“O Cavaleiro dos Sete Reinos” estreou em 18 de janeiro de 2026 na HBO e na Max e encerra sua primeira temporada em 22 de fevereiro. Mais do que uma expansão do universo de “Game of Thrones”, a série funciona como uma porta de entrada alternativa para Westeros, provando que o mundo de George R.R. Martin também encontra força nas histórias pequenas, nos personagens comuns e nas jornadas que acontecem longe dos tronos, das coroas e das lendas grandiosas.
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