A antologia “Monstro” retorna à Netflix com um dos casos criminais mais conhecidos dos Estados Unidos. Depois de abordar Jeffrey Dahmer, os irmãos Erik e Lyle Menendez e Ed Gein, a produção criada por Ryan Murphy e Ian Brennan coloca pela primeira vez uma mulher no centro de sua história com “Monstro: A História de Lizzie Borden”, temporada inspirada nos assassinatos de Andrew e Abby Borden em 1892.

Mais de 130 anos depois dos crimes, o caso permanece cercado por perguntas. Lizzie Borden foi acusada de matar o pai e a madrasta dentro da casa da família, enfrentou um julgamento acompanhado nacionalmente e acabou absolvida. Nenhuma outra pessoa foi posteriormente condenada pelos assassinatos, transformando a história em um dos mistérios criminais mais duradouros da cultura norte-americana.
Lizzie Andrew Borden nasceu em 19 de julho de 1860, em Fall River, Massachusetts. Filha de Andrew Jackson Borden e Sarah Anthony Morse Borden, ela perdeu a mãe ainda criança. Alguns anos depois, Andrew se casou com Abby Durfee Gray, que passou a viver com ele e suas filhas, Lizzie e Emma.
Andrew construiu uma fortuna por meio de diferentes negócios e investimentos e se tornou um homem de destaque em Fall River. Apesar de possuir recursos financeiros consideráveis, mantinha hábitos considerados econômicos para sua posição social. A relação familiar também apresentava conflitos, especialmente envolvendo dinheiro, propriedades e a divisão do patrimônio.
Foi dentro da residência da família, na Second Street, que Andrew e Abby Borden foram encontrados mortos em 4 de agosto de 1892. Abby foi atacada em um quarto no andar superior da casa, enquanto Andrew foi encontrado posteriormente em um sofá na sala. Os dois sofreram múltiplos golpes provocados por uma arma cortante.
Lizzie estava na propriedade durante parte do período em que os assassinatos teriam ocorrido. A empregada Bridget Sullivan também estava na residência naquele dia, enquanto Emma Borden, irmã mais velha de Lizzie, encontrava-se fora da cidade. As declarações de Lizzie e as circunstâncias envolvendo seus movimentos antes e depois das mortes passaram a ocupar o centro da investigação.
Entre os episódios analisados pelas autoridades estava uma tentativa, atribuída a Lizzie, de comprar ácido prússico em uma farmácia pouco antes dos assassinatos. O farmacêutico responsável pelo estabelecimento prestou depoimento sobre o episódio, embora essa informação tenha enfrentado restrições durante o julgamento.
Outro acontecimento que despertou a atenção dos investigadores ocorreu dias depois das mortes, quando Lizzie foi vista queimando um vestido no fogão da residência. Ela afirmou que a peça havia sido manchada com tinta e não poderia mais ser utilizada. A promotoria posteriormente tentou utilizar o episódio para sustentar suas suspeitas, mas não conseguiu estabelecer que aquele vestido tivesse sido usado durante os crimes.
Lizzie foi formalmente acusada e levada a julgamento em 1893. O processo recebeu ampla cobertura da imprensa norte-americana e transformou o caso Borden em assunto nacional. Durante as audiências, acusação e defesa apresentaram versões diferentes sobre as evidências disponíveis e sobre a possibilidade de Lizzie ter cometido os dois assassinatos sem deixar vestígios suficientes para estabelecer sua culpa.
Uma das dificuldades enfrentadas pela acusação era a ausência de evidências físicas conclusivas ligando Lizzie aos homicídios. Não havia testemunha ocular dos assassinatos, roupas ensanguentadas comprovadamente associadas a ela ou uma identificação conclusiva da arma utilizada nos crimes. Uma machadinha encontrada na propriedade foi examinada durante a investigação, mas sua relação com os assassinatos nunca foi estabelecida de maneira definitiva.
Após um julgamento que durou aproximadamente duas semanas, Lizzie Borden foi absolvida em 20 de junho de 1893. O júri levou pouco mais de uma hora para chegar ao veredicto de inocência.
A absolvição encerrou o processo criminal contra Lizzie, mas não solucionou as mortes de Andrew e Abby Borden. Nenhuma outra pessoa foi condenada pelos assassinatos, e a identidade de quem matou o casal permanece oficialmente sem resposta.
Depois do julgamento, Lizzie e Emma continuaram vivendo em Fall River e compraram uma residência maior na região conhecida como The Hill. A propriedade recebeu o nome de Maplecroft. Apesar da absolvição, Lizzie permaneceu associada publicamente ao caso e enfrentou rejeição em parte da comunidade local.
As duas irmãs viveram juntas durante anos, mas a relação acabou sendo rompida. Emma deixou Maplecroft em 1905 e nunca mais voltou a morar com Lizzie. Os motivos exatos do afastamento não foram completamente esclarecidos, e as duas permaneceram separadas até o fim da vida.
Lizzie Borden morreu em 1º de junho de 1927, aos 66 anos, em Fall River. Emma morreu poucos dias depois, em 10 de junho do mesmo ano. Lizzie foi enterrada no jazigo da família no Oak Grove Cemetery, ao lado do pai, da madrasta e de outros integrantes da família Borden.
Ao longo das décadas, os assassinatos foram transformados em livros, filmes, séries, documentários e diferentes teorias sobre o que teria acontecido dentro da casa em 4 de agosto de 1892. O caso também deu origem à conhecida cantiga popular norte-americana que atribui os crimes diretamente a Lizzie, apesar de ela ter sido absolvida e sua responsabilidade pelas mortes nunca ter sido comprovada judicialmente.
Fique por dentro das novidades das maiores marcas do mundo! Acesse nosso site Marca Pop e descubra as tendências em primeira mão.






