Ícone do site Caderno Pop

“O Último Azul” estreia no Brasil após vencer Urso de Prata

Tem filme brasileiro que chega quieto, mas quando abre a boca o mundo inteiro ouve. “O Último Azul” não quer pedir licença, quer marcar território. Vencedor do Urso de Prata no Festival de Berlim, o novo longa de Gabriel Mascaro estreia em 28 de agosto nos cinemas do Brasil.

“O Último Azul” estreia no Brasil após vencer Urso de Prata

Aclamado com três prêmios na Berlinale, incluindo o cobiçado Grande Prêmio do Júri, o filme ainda levou o Prêmio do Júri Ecumênico e o reconhecimento do público através do Júri de Leitores do Berliner Morgenpost. É o tipo de conquista que muda o tamanho de um filme na história do cinema brasileiro. E tudo isso antes mesmo da estreia comercial por aqui.

Ambientado na Amazônia, “O Último Azul” mergulha em um Brasil inquietante, onde o governo desloca idosos para colônias habitacionais distantes, sob o verniz de cuidado, mas com um controle social escancarado. Nesse cenário distorcido, a protagonista Tereza, vivida com intensidade por Denise Weinberg, decide tomar para si o rumo do próprio fim. Uma mulher de 77 anos atravessando o que restou da liberdade nas curvas dos rios amazônicos, num gesto que é resistência, despedida e também renascimento.

Existe um tipo de cinema que incomoda com beleza e desafia com calma, e é exatamente esse o caminho que Mascaro traça. Ele repete aqui o gesto ousado de obras anteriores como “Boi Neon” e “Divino Amor”, mas vai além: “O Último Azul” parece mais maduro, mais contundente e ainda mais lírico.

A protagonista Denise Weinberg, que já tinha uma carreira sólida, atinge aqui uma dimensão rara. Tanto que levou o prêmio de Melhor Interpretação no Festival de Guadalajara, numa das paradas internacionais que o longa já fez. Com passagens pelos festivais de Xangai, Sydney, Lima, Melbourne e até uma sessão especial no Palácio da Alvorada para o presidente Lula, o filme coleciona prestígio como quem sabe o valor do que carrega.

Rodrigo Santoro, Adanilo e a atriz cubana Miriam Socarrás completam o elenco, mas é Tereza quem segura o leme emocional da história. A trama evita a catarse fácil e mergulha em silenciosos abismos existenciais com naturalidade assustadora. E aí está o truque: quanto mais silencioso o gesto do filme, mais alto ele reverbera.

A produção tem a assinatura da Desvia, de Rachel Daisy Ellis, e da Cinevinay, de Sandino Saravia Vinay, com parcerias internacionais que já garantiram distribuição em 65 países. É o tipo de caso raro em que um filme brasileiro chega ao mundo com estrutura para ser ouvido, compreendido e sentido em vários idiomas. E isso sem perder a alma.

“O Último Azul” emociona, perturba e principalmente propõe. Em vez de buscar respostas, joga perguntas em cena com o peso de quem sabe que cinema também é política, também é escolha estética e também é território de risco. E Gabriel Mascaro, mais uma vez, decide se arriscar.

Fique por dentro das novidades das maiores marcas do mundo! Acesse nosso site Marca Pop e descubra as tendências em primeira mão.

Sair da versão mobile