A expectativa em torno da “Live ’25 Tour” é tão colossal quanto o histórico de brigas e reconciliações dos irmãos Gallagher. Depois de 16 anos de silêncio nos palcos, a volta do Oasis virou o grande acontecimento do rock em 2025, arrastando multidões pelo mundo e provocando filas virtuais que pareciam intermináveis. E o Brasil, claro, entrou com força nesse mapa da saudade.
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A turnê começou oficialmente no dia 4 de julho de 2025, em Cardiff, no Principality Stadium, Gales, e já tem data marcada para encerrar com chave de ouro: 23 de novembro, no Estádio do Morumbi, em São Paulo. É o primeiro encontro oficial da banda desde a implosão pública em 2009, quando Liam e Noel protagonizaram aquele festival de desaforos que selou o fim do Oasis depois do “Dig Out Your Soul Tour”.
Esse retorno, anunciado em 27 de agosto de 2024, dois dias antes do trigésimo aniversário do disco “Definitely Maybe”, gerou um terremoto cultural. Foram divulgados de início 17 shows só no Reino Unido e Irlanda, incluindo cinco noites lotadas no mítico Wembley Stadium e outras cinco em Manchester. Bastou isso para 14 milhões de pessoas tentarem garantir ingressos para apenas 1,4 milhão de lugares. Resultado: congestionamento em todos os sites de vendas, preços dinâmicos que dispararam, reclamações de bots falsos e leilões secundários cobrando milhares de libras. A internet ferveu.
Para conter o furacão, a banda precisou abrir mais datas no Reino Unido e Irlanda, e logo em seguida soltou um cronograma global: América do Norte, Austrália, Ásia e, por fim, América do Sul. Foi nesse movimento que o Brasil garantiu duas datas no MorumBIS, esgotadas em menos de uma hora. Não demorou para surgirem rumores sobre um terceiro show, mas por ora o encerramento oficial segue para 23 de novembro.
Os ingressos foram disputados no tapa. Só para a pré-venda, realizada entre 19h e 22h do dia 30 de agosto de 2024, foi criado um sistema curioso: os fãs precisavam dizer quantas vezes já tinham visto o Oasis ao vivo e ainda identificar quem era o baterista original (Tony McCarroll, para quem estudou a cartilha britpop). Mesmo assim, em minutos, os sites de revenda já estavam ofertando entradas por 6 mil libras.
Enquanto isso, a banda original foi se remontando, com Andy Bell no baixo, Gem Archer e Paul “Bonehead” Arthurs nas guitarras e Joey Waronker na bateria. Liam e Noel, donos do ringue, seguem firmes no comando, trocando farpas pela imprensa mas agindo como quem sabe que a máquina Oasis imprime dinheiro e nostalgia sem igual.
A crítica até tentou cravar o retorno como um grande caça-níquel, e não deixa de ter razão. O Guardian escreveu que ninguém, nem os irmãos Gallagher, fingiu ser algo diferente de uma turnê bilionária. Ainda assim, ficou claro que o Oasis viveu um “purple patch” (período criativo sublime) que poucas bandas alcançaram, e que o público segue sedento para reviver. Quando Cardiff inteiro cantou junto, foi quase impossível ouvir Noel Gallagher nos vocais — tamanha era a força do coro.
O setlist também não faz questão de disfarçar: é o maior banho de hits dos anos 90 que você poderia sonhar. Ignora completamente a fase mais arrastada do Oasis nos anos 2000, aquela que a crítica tratou como “um grande monte de besteira”. Aqui, o mito é que o Oasis parou em 1998, no auge. E a multidão agradece.
No final, o encerramento veio exatamente como deveria: “Don’t Look Back in Anger”, “Wonderwall” e “Champagne Supernova” seguraram a plateia num transe coletivo. Desta vez, nada de cover dos Beatles. O Oasis decidiu terminar celebrando o próprio legado.
Para quem vai ao Morumbi em novembro ou só quer sonhar com o show perfeito, segue o setlist apresentado em Cardiff, que serve de roteiro para essa celebração mundial do britpop:
Setlist da “Live ’25 Tour”:
“Hello”
“Acquiesce”
“Morning Glory”
“Some Might Say”
“Bring It On Down”
“Cigarettes & Alcohol”
“Fade Away”
“Supersonic”
“Roll with It”
“Talk Tonight”
“Half the World Away”
“Little by Little”
“D’You Know What I Mean?”
“Stand by Me”
“Cast No Shadow”
“Slide Away”
“Whatever”
“Live Forever”
“Rock ‘n’ Roll Star”
Encore:
“The Masterplan”
“Don’t Look Back in Anger”
“Wonderwall”
“Champagne Supernova”
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