“E.T.: O Extraterrestre”, o filme de Steven Spielberg continua sendo uma obra que emociona, inspira e atravessa gerações com uma força difícil de explicar. É mais que um sucesso de bilheteria ou uma lembrança nostálgica dos anos 80: é um marco do cinema que segue pulsando mesmo com o tempo. E parte disso se deve não só à história doce e universal sobre amizade, mas também ao cuidado com cada detalhe da produção.
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Com roteiro afiado e direção sensível, Spielberg criou um universo onde um alienígena perdido se torna espelho da humanidade. A narrativa, centrada no vínculo entre Elliot e a criatura que veio de outro planeta, trata de temas como solidão, separação e amadurecimento com uma delicadeza que poucos blockbusters ousaram repetir. Mas é nos bastidores desse longa que encontramos camadas tão fascinantes quanto o que foi visto nas telas.
Antes de ser uma história de amor intergaláctico entre um menino e seu novo melhor amigo, a ideia de Spielberg era criar um filme sombrio, quase um terror. A proposta original falava sobre uma família aterrorizada por alienígenas, mas o diretor preferiu seguir por um caminho mais emocional. O conceito mais assustador não foi descartado totalmente: foi reaproveitado em “Poltergeist”, lançado no mesmo ano, mostrando dois lados da mesma moeda. Enquanto “E.T.” representava o encantamento pelo desconhecido, “Poltergeist” explorava o medo do invisível.
A criação do visual do alienígena envolveu estudos detalhados, com referências que misturavam ciência e poesia. O rosto do personagem foi inspirado em figuras como Albert Einstein, Carl Sandburg e até idosos que viveram na Grande Depressão. A ideia era fazer um ser que fosse diferente, mas ao mesmo tempo empático. E funciona: E.T. é estranho e adorável na mesma medida, o que explica tanto o apego do público quanto o sucesso de merchandising.
Pouca gente sabe, mas três pessoas diferentes deram vida ao personagem. Em algumas cenas, E.T. era um animatrônico avançado; em outras, um fantoche operado por profissionais. Para os momentos em que o alien aparece em corpo inteiro, foram usadas fantasias interpretadas por atores com nanismo ou, no caso das cenas mais complexas, por Matthew DeMeritt, um ator que nasceu sem as pernas e se movimentava com os braços, dando ao personagem um jeito único de andar.
A emoção que transborda da atuação de Henry Thomas como Elliot tem uma origem curiosa. Em sua audição, o garoto improvisou uma cena onde precisava impedir que um agente do governo levasse seu melhor amigo alienígena embora. Sem roteiro, Thomas usou a dor da perda imaginando que seu cachorro havia morrido. Spielberg ficou tão comovido que terminou chorando e o escalou na hora.
Drew Barrymore também conquistou seu espaço com apenas seis anos de idade. Com espontaneidade e carisma, improvisou falas que acabaram entrando na versão final do filme. Uma delas é quando sua personagem diz, ao ver o alien pela primeira vez: “Eu não gosto dos pés dele”. A reação genuína foi tão boa que Spielberg nem pensou em cortar. Era exatamente esse tipo de autenticidade que ele queria.
Outro detalhe que mostra o cuidado da produção foi o uso de médicos e enfermeiros reais nas cenas do laboratório. Spielberg queria que tudo soasse legítimo, até mesmo quando se tratava de cuidar de um ser de outro mundo. A famosa cena da perseguição de bicicletas também ganhou um toque de realismo com a ajuda de pilotos profissionais de BMX, que realizaram todas as manobras sem sequer serem creditados.
O impacto cultural de “E.T.” foi instantâneo. Lançado em 1982, o filme ficou mais de um ano em cartaz nos cinemas, arrecadou mais de 792 milhões de dólares e se tornou, por 11 anos, a maior bilheteria da história, superando “Star Wars” até ser ultrapassado por outro filme de Spielberg, “Jurassic Park”, em 1993. E ainda há os prêmios: foram quatro Oscars (incluindo Melhor Trilha Sonora, criada por John Williams), dois Globos de Ouro, Grammy e Bafta. Um verdadeiro fenômeno.
A trilha sonora, inclusive, foi montada de um jeito nada convencional. Spielberg pediu que Williams a conduzisse como faria num concerto ao vivo e depois editou o filme inteiro para se encaixar na música, algo raríssimo no cinema. O resultado é uma das trilhas mais memoráveis já compostas, capaz de emocionar com uma única nota de piano.
Até os doces do filme têm uma história. Spielberg queria usar M&Ms, mas a marca recusou o uso porque não pôde ver o roteiro. A Hershey topou, mas preferiu promover o então pouco conhecido Reese’s Pieces. A cena em que Elliot atrai E.T. com os doces resultou em um aumento de 65% nas vendas do produto em apenas duas semanas. Um case de marketing acidental que virou lenda.
Com tantos bastidores curiosos e decisões criativas ousadas, “E.T.: O Extraterrestre” segue sendo uma aula de cinema, tanto para quem assiste quanto para quem sonha em fazer filmes. É o tipo de obra que fala com o coração, mas também impressiona pela inteligência por trás de cada detalhe. Quatro décadas depois, sua luz ainda brilha no céu do cinema.
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