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Por que Sydney Sweeney se tornou uma das atrizes mais odiadas de Hollywood?

Texto: Ygor Monroe
28 de setembro de 2026
em Cinemas/Filmes

Sydney Sweeney voltou ao centro de uma controvérsia publicitária em setembro após protagonizar uma campanha da plataforma de previsões esportivas Novig. A repercussão do comercial ampliou um debate que acompanha a atriz nos últimos anos, período em que diferentes trabalhos publicitários envolvendo sua imagem provocaram discussões sobre sexualização, padrões de beleza e estratégias de marketing baseadas em provocar reações intensas do público.

Por que Sydney Sweeney se tornou uma das atrizes mais odiadas de Hollywood?
Por que Sydney Sweeney se tornou uma das atrizes mais odiadas de Hollywood?

Apesar da sequência de episódios, não há evidências de que Hollywood tenha estabelecido algum tipo de restrição formal à atriz ou que grandes marcas tenham deixado coletivamente de trabalhar com ela. Pelo contrário, Sweeney continua participando de produções de destaque e sendo contratada para campanhas, enquanto algumas empresas passaram justamente a explorar a capacidade de seu nome de gerar grande repercussão. A American Eagle, por exemplo, voltou a trabalhar com a atriz em 2026 depois da controvérsia provocada pela campanha lançada no ano anterior.

A discussão mais recente começou com a campanha “Just Sports”, da Novig. No comercial lançado em setembro, Sweeney aparece sem roupas enquanto utiliza diferentes equipamentos esportivos para cobrir partes do corpo. A atriz também possui participação acionária na empresa e foi apresentada como parceira estratégica da plataforma.

A campanha recebeu críticas principalmente de atletas que consideraram a abordagem uma sexualização desnecessária das mulheres dentro do universo esportivo. Ariarne Titmus, campeã olímpica de natação, e Amy Hunt, medalhista olímpica no atletismo, estiveram entre os nomes que se manifestaram publicamente. Hunt argumentou que a representação de mulheres no esporte deveria concentrar-se no que seus corpos são capazes de realizar, e não apenas na aparência.

A reação também chegou às redes sociais da atriz. Dados atribuídos ao Social Blade indicaram que Sweeney inicialmente ganhou cerca de 50 mil seguidores nos primeiros dias após a publicação, mas posteriormente registrou a perda de mais de 200 mil seguidores em dois dias. A redução representava menos de 1% de uma conta que possuía mais de 25 milhões de seguidores, portanto o número, apesar da repercussão, precisa ser observado proporcionalmente.

A própria Sweeney defendeu a proposta da campanha como uma abordagem baseada em humor e provocação. A Novig, por sua vez, buscava aumentar sua presença em um mercado de previsões esportivas que vem investindo em publicidade e celebridades para disputar atenção com empresas tradicionais de apostas nos Estados Unidos.

A campanha da American Eagle

A controvérsia da Novig aconteceu pouco mais de um ano depois de outro episódio envolvendo Sweeney. Em 2025, a American Eagle lançou uma campanha construída em torno do trocadilho entre as palavras inglesas “jeans” e “genes”. Uma das peças apresentava a atriz, loira e de olhos azuis, falando sobre características transmitidas geneticamente antes de fazer a associação com seus jeans.

Parte do público interpretou a combinação do texto com a imagem de Sweeney como uma referência problemática a padrões genéticos e ideais de beleza branca. Surgiram, então, críticas que associavam a campanha a conceitos de eugenia e supremacia branca. Essas classificações partiram de críticos da publicidade e de usuários nas redes sociais, e não significam que a campanha tenha sido oficialmente considerada eugenista ou racista. A American Eagle rejeitou essa interpretação e afirmou que a campanha tratava de jeans e da maneira como seus consumidores utilizavam as peças.

A controvérsia também entrou no debate político norte-americano. Registros públicos divulgados pela imprensa apontaram que Sweeney estava registrada como eleitora afiliada ao Partido Republicano na Flórida desde 2024. Donald Trump posteriormente elogiou a campanha depois de ser informado por um jornalista sobre a filiação partidária da atriz. A Reuters, entretanto, informou na ocasião que não havia verificado independentemente o registro eleitoral citado pelas reportagens.

A repercussão negativa não encerrou a relação comercial entre Sweeney e a American Eagle. Em abril de 2026, a empresa lançou uma segunda campanha estrelada pela atriz, desta vez dedicada a shorts jeans. Segundo a Reuters, a primeira colaboração havia sido acompanhada por crescimento nos negócios da companhia durante os meses seguintes, embora não seja possível atribuir todo o desempenho financeiro exclusivamente à publicidade com Sweeney.

A ação no letreiro de Hollywood

Outra controvérsia aconteceu em janeiro de 2026 durante a divulgação da marca de lingerie de Sweeney. Um vídeo mostrou a atriz e sua equipe colocando sutiãs sobre as letras do famoso letreiro de Hollywood durante uma ação promocional.

A Câmara de Comércio de Hollywood afirmou que não havia autorizado o uso comercial do letreiro nem tinha conhecimento prévio da ação. O Hollywood Sign Trust, responsável pela administração do monumento, também não teria sido informado. Naquele momento, porém, a polícia de Los Angeles informou que ainda não havia sido registrado um boletim relacionado a invasão de propriedade. Por isso, tratar o episódio simplesmente como um caso confirmado de “vandalismo” extrapola o que foi oficialmente estabelecido.

O sabonete com água do banho

Em 2025, outra ação publicitária colocou a atriz em evidência. Sweeney se associou à Dr. Squatch para lançar “Sydney’s Bathwater Bliss”, sabonete anunciado como produzido com uma pequena quantidade da água utilizada em um banho da atriz durante uma campanha anterior.

Foram produzidas apenas 5 mil unidades. A estratégia aproveitava comentários que Sweeney havia recebido após uma publicidade anterior da empresa e transformava a repercussão em um produto comercial. A proposta provocou estranhamento e críticas nas redes, mas também gerou ampla cobertura e atenção para a campanha.

“Euphoria” e a sexualização da imagem de Sydney Sweeney

A discussão sobre a maneira como o corpo de Sweeney é utilizado comercialmente antecede essas campanhas. A projeção internacional da atriz aconteceu principalmente com “Euphoria”, na qual interpreta Cassie Howard. A personagem possui diversas cenas envolvendo sexo e nudez, e a exposição do corpo da atriz tornou-se parte recorrente das discussões sobre a série.

Nesse caso, entretanto, é importante separar críticas dirigidas à produção de decisões tomadas pela própria atriz. Sweeney já falou publicamente sobre sua participação na construção de Cassie e sobre sua relação profissional com o criador Sam Levinson. A discussão sobre a sexualização em “Euphoria”, portanto, não pode ser apresentada simplesmente como uma polêmica causada pela atriz.

A sequência de campanhas levou especialistas em publicidade a discutir se a controvérsia passou a funcionar como ferramenta de marketing em trabalhos associados a Sydney Sweeney. No caso da Novig, uma pesquisa apresentada pela Forbes encontrou uma diferença significativa entre homens e mulheres: 73,4% dos homens consultados afirmaram que o anúncio aumentava sua disposição de escolher a plataforma, enquanto o percentual entre mulheres foi de 42%. Entre elas, 32,8% disseram que a publicidade diminuía a possibilidade de escolher a empresa.

Especialistas ouvidos por diferentes publicações apontam justamente o risco dessa estratégia: campanhas provocativas podem ampliar rapidamente a visibilidade de uma empresa, mas também afastar determinados grupos de consumidores. Isso não significa necessariamente prejuízo comercial. A American Eagle, por exemplo, manteve Sweeney mesmo depois da intensa repercussão de sua primeira campanha.

O cenário atual, portanto, é menos de uma rejeição generalizada da indústria a Sydney Sweeney e mais de uma crescente polarização em torno da maneira como sua imagem é utilizada comercialmente. As campanhas da American Eagle e da Novig mostram que empresas continuam dispostas a associar seus produtos à atriz, inclusive utilizando uma comunicação provocativa, enquanto cada nova ação amplia o debate sobre os limites entre visibilidade, sexualização e controvérsia na publicidade.

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Temas: Sydney Sweeney

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