A série brasileira “Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente” chegou à HBO Max e ao canal HBO no fim de agosto trazendo uma narrativa que mergulha de forma intensa e sensível no Brasil dos anos 1980, quando a epidemia de HIV/AIDS começava a devastar vidas em meio à desinformação e ao preconceito. A produção, baseada em fatos reais, acompanha um grupo de comissários de bordo que arrisca tudo para contrabandear doses do AZT, primeiro antirretroviral aprovado no mundo, para pacientes em estado avançado da doença. Logo no episódio de estreia, fica claro que estamos diante de uma obra que aposta em um equilíbrio entre o rigor histórico e uma carga emocional poderosa.
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O primeiro episódio já demonstra uma estética refinada. A fotografia, que resgata o Rio de Janeiro dos anos 80 com tons granulados e luzes quentes, cria uma ambientação que transporta o espectador para a época. Os figurinos, cenários e enquadramentos dão a sensação de um registro quase documental, enquanto a direção de Marcelo Gomes e Carol Minêm aposta em uma abordagem cinematográfica que valoriza o drama humano por trás do contexto histórico. A série parece consciente do peso do tema e assume um tom sério sem se tornar distante.
A trama apresenta Nando, vivido por Johnny Massaro, um comissário de bordo que vive em plena liberdade sexual, mas também em negação sobre a gravidade da AIDS, refletindo uma geração que ainda tentava entender a ameaça do vírus. A personagem Lea, de Bruna Linzmeyer, surge como cúmplice em um esquema arriscado que revela coragem e senso de comunidade. O destaque do episódio fica para Pantera, interpretada por Ícaro Silva, uma mulher trans que, mesmo debilitada pela doença, exige que sua história seja contada com verdade e dignidade. Sua presença em cena é um dos pontos mais fortes dessa primeira amostra da série.
A estreia não entrega todas as cartas, mas deixa claro que “Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente” quer mais do que apenas emocionar: ela busca provocar reflexão e discutir um dos capítulos mais dolorosos da história recente do Brasil. A ambientação é convincente, o elenco demonstra potencial e a narrativa já indica que a produção deve ganhar força nos próximos episódios. O ritmo lento em alguns momentos funciona como introdução ao universo da série, que ainda tem muito a desenvolver.
Para uma primeira impressão, a série passa confiança. A escolha da HBO Max por um tema tão específico e historicamente relevante reforça seu interesse em investir em histórias brasileiras complexas, que unem memória coletiva e drama humano. A estreia cumpre o papel de situar o espectador no cenário histórico e introduzir personagens com espaço para crescer. Se mantiver o nível técnico apresentado neste primeiro capítulo, essa produção pode se consolidar como um dos projetos mais impactantes do ano.
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