Priscilla iniciou uma nova etapa de sua carreira com o lançamento de “Eco“, seu primeiro álbum como artista totalmente independente. Disponível nas plataformas digitais desde quinta-feira (13), o projeto reúne dez faixas inéditas e foi desenvolvido a partir de uma proposta que coloca a voz, a música e a autonomia artística no centro do trabalho.

O disco nasceu do encontro da cantora com o produtor Laudz, inicialmente sem a intenção de resultar em um álbum completo. A primeira música criada pela dupla foi “Não Testa” e, conforme novas composições começaram a surgir, Priscilla percebeu uma unidade entre o material e aquilo que pretendia construir para os próximos passos de sua carreira.
Segundo a artista, as canções apontavam para uma direção que valorizava especialmente sua potência vocal. “Eram músicas que valorizavam muito a minha voz, que traziam toda a potência que eu queria mostrar e que tinham muita alma”, explicou. O desenvolvimento espontâneo do projeto também chamou sua atenção. Para Priscilla, apesar de o álbum ter surgido sem um planejamento inicial, o resultado transmite a sensação de um trabalho pensado durante anos.
Musicalmente, “Eco” retoma a ligação da cantora com o R&B e incorpora referências do pop e das grandes baladas vocais, com melodias extensas, notas longas e refrões construídos para destacar sua interpretação. A intenção, segundo ela, era criar músicas capazes de despertar no público a vontade de cantar junto. “São músicas que dão vontade de cantar no chuveiro, que te fazem se sentir num palco”, afirmou.
Em entrevista realizada durante a divulgação do projeto, Priscilla também explicou ao Caderno Pop em que momento compreendeu a história que desejava contar com “Eco”. Segundo a cantora, o ponto de partida veio de uma reconexão pessoal com o próprio propósito como intérprete.
“Eu comecei a me reconectar com o propósito de cantar, que é muito maior do que objetivos pessoais”, disse. Para Priscilla, uma música deixa de pertencer exclusivamente ao artista assim que chega ao público. Essa percepção contribuiu para que ela buscasse retirar a própria figura do centro do projeto e entregasse maior protagonismo à voz e às composições.
A cantora definiu esse processo como uma mudança na maneira de compreender sua relação com a música. “Eu existiria sem a música, mas a música me escolheu. Então é o que eu faço pela música, não o que a música faz por mim”, declarou. A partir desse pensamento, surgiu a intenção de desenvolver um álbum que pudesse, segundo ela, honrar tanto sua voz quanto o dom de cantar.
O próprio título “Eco” está relacionado a essa proposta. A voz funciona como ponto de partida, enquanto as músicas seguem seu próprio caminho depois de lançadas e alcançam espaços e pessoas independentemente da presença da artista. Priscilla afirma que buscou dar autonomia às canções e evitar uma relação de posse sobre aquilo que cria, entendendo que a obra passa a estabelecer uma conexão própria com quem a escuta.
“Acho que também carrega uma boa mensagem de o artista permitir que a sua arte seja autônoma”, explicou. “A música é muito mais poderosa do que a gente pensa. Então é um grande erro achar que a gente pode dominar a arte.”
A construção de “Eco” coincide ainda com uma mudança estrutural importante na trajetória de Priscilla. Depois de duas décadas de carreira, a cantora passa a administrar seu trabalho de maneira independente, assumindo maior controle sobre decisões criativas e profissionais. Para ela, chegar a esse momento mantendo a possibilidade de determinar os caminhos da própria produção tem um significado especial.
“Mesmo duas décadas depois, eu consigo ainda ser dona da minha arte, consigo tomar decisões importantes de uma forma corajosa, segura e intencional. A minha arte ainda é minha”, afirmou.
Durante a entrevista, Priscilla também relacionou essa segurança ao momento pessoal que atravessa após completar 30 anos em 2026. A cantora afirmou estar em constante construção e descreveu a chegada à nova década como uma mudança importante em sua percepção sobre si mesma e sobre as escolhas que pretende fazer daqui em diante.
“Eu estou em um espaço de segurança, de confiança realmente na vida e na construção que eu tenho feito”, disse. Segundo Priscilla, essa nova etapa passa pela busca de uma versão cada vez mais honesta e autêntica de si mesma, característica que também se estende às decisões tomadas em sua carreira independente.
Com dez músicas, “Eco” inclui faixas como “Esse É o Meu Eco”, “Nosso Lugar”, “Não Testa”, “Sua Demais”, “Obsessão”, “Melhor Sozinho”, “Destino”, “Meu Santo Me Guarde”, “Doce com Amargo” e “Respirar”. O lançamento também é acompanhado pelo videoclipe de “Nosso Lugar”, escolhido como faixa de trabalho, enquanto as demais canções receberão visualizers disponibilizados gradualmente no canal da artista.
Para Priscilla, o objetivo desta etapa é permitir que a música ocupe o espaço principal de sua produção. “Quero que as pessoas tenham um exemplo do que é um artista que permite que a arte o conduza, e não o contrário”, resumiu.
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