Trazer alguns dos maiores artistas da música mundial para um festival está se tornando uma tarefa cada vez mais complexa. A produção do Rock in Rio falou sobre as dificuldades atuais para montar o line-up do evento e utilizou Beyoncé como exemplo ao explicar como as mudanças no mercado de shows internacionais têm afetado as negociações.

As declarações foram dadas ao jornal O Globo, que abordou os bastidores da montagem da programação do festival. Segundo a produção, a ampliação da oferta de arenas, a redução no número de artistas realizando grandes turnês e o crescimento das apresentações únicas estão entre os fatores que dificultam a contratação de determinados nomes.
A questão surgiu a partir de uma pergunta recorrente entre o público: por que o Rock in Rio simplesmente não contrata artistas como Beyoncé? De acordo com a organização, a situação é mais complexa do que a disponibilidade de orçamento ou o interesse do festival em determinado nome.
“A dificuldade é que hoje tem muitas ofertas de arenas. Muitos artistas não estão saindo em tour, muitos estão fazendo só one-off”, afirmou a produção ao jornal O Globo. O termo “one-off” é utilizado no mercado para definir apresentações pontuais, realizadas sem necessariamente fazer parte de uma sequência extensa de shows ou de uma turnê tradicional.
A organização ressaltou ainda que o problema não é exclusivo do Rock in Rio. Outros grandes festivais internacionais também enfrentam um cenário semelhante na tentativa de montar suas programações.
Coachella e Lollapalooza foram citados como exemplos de eventos que disputam atrações dentro desse novo mercado, no qual grandes artistas possuem cada vez mais possibilidades para realizar apresentações próprias em arenas e estádios ou aceitar compromissos isolados sem participar de circuitos extensos de festivais.
Ao falar especificamente sobre Beyoncé, a produção contestou a percepção de que basta procurar a artista e apresentar uma proposta para que uma negociação avance. Segundo a explicação dada a O Globo, produções desse tamanho envolvem equipes numerosas e estruturas planejadas especificamente para as características das turnês.
“Perguntam assim: ‘Por que você não traz a Beyoncé?’. Parece que vocês não estão buscando a Beyoncé e que ela está em casa esperando”, afirmou a produção, ao explicar que a disponibilidade de uma artista desse porte depende de uma série de fatores que vão além da intenção do festival.
A logística aparece como uma das principais barreiras. Segundo o Rock in Rio, Beyoncé viaja com uma equipe de aproximadamente 200 pessoas durante uma turnê, criando uma operação de grande porte que precisa ser considerada antes de qualquer apresentação.
A estrutura desenvolvida para uma turnê própria também pode ser mais facilmente planejada para arenas e estádios nos quais o espetáculo possui controle sobre o palco e sobre sua montagem. Em um festival, por outro lado, diferentes artistas precisam utilizar uma mesma estrutura ao longo do dia, com períodos determinados para montagem, passagem de som, desmontagem e troca de equipamentos.
“Para uma arena, é muito mais fácil de ser adaptado do que para um festival”, explicou a produção ao jornal O Globo ao comentar o caso de Beyoncé.
O cenário ajuda a explicar uma mudança importante no mercado internacional de grandes apresentações. Festivais não disputam mais apenas atrações entre si. A expansão das turnês realizadas diretamente em arenas e estádios aumentou as possibilidades disponíveis para artistas que conseguem mobilizar dezenas de milhares de pessoas sem depender de um evento com vários nomes no mesmo line-up.
Ao mesmo tempo, alguns artistas têm reduzido a quantidade de compromissos extensos e optado por apresentações pontuais. Para festivais, a mudança significa trabalhar com janelas menores de disponibilidade e produções que nem sempre foram concebidas para serem transportadas e adaptadas rapidamente a um palco compartilhado.
No caso de artistas com espetáculos de grande escala, a quantidade de profissionais envolvidos também aumenta a complexidade de uma possível passagem por um festival. Transporte, hospedagem, equipamentos, montagem e adaptação técnica precisam ser encaixados dentro de uma operação que recebe diversas atrações em sequência.
A produção do Rock in Rio destacou que a dificuldade para fechar grandes nomes atualmente faz parte de uma transformação mais ampla da indústria de shows, atingindo também eventos internacionais de grande porte. Nesse cenário, disponibilidade, logística e formato das turnês passaram a ter um peso ainda maior na construção de cada line-up.
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