“Monstro: A História de Lizzie Borden” recupera um dos casos criminais mais conhecidos dos Estados Unidos, mas também utiliza elementos de ficção para construir sua versão dos acontecimentos. Entre eles está a relação entre Lizzie Borden e Bridget Sullivan, governanta da família interpretada por Vicky Krieps na produção.

Na série, Bridget ganha uma ligação muito mais profunda com Lizzie e é colocada dentro das especulações envolvendo os assassinatos de Andrew e Abby Borden. Historicamente, porém, não existem evidências documentadas de que as duas tenham mantido um relacionamento amoroso ou planejado os crimes juntas.
Bridget Sullivan realmente existiu e estava dentro da residência dos Borden em Fall River, Massachusetts, na manhã de 4 de agosto de 1892, quando Andrew Borden e sua esposa, Abby Borden, foram encontrados mortos.
Nascida na Irlanda, Bridget havia imigrado para os Estados Unidos anos antes e trabalhava para a família havia aproximadamente três anos quando os assassinatos aconteceram. Em seu depoimento durante o julgamento de Lizzie, ela afirmou ter 26 anos e contado que havia chegado ao país cerca de sete anos antes.
Bridget também confirmou uma particularidade que posteriormente se tornou bastante conhecida entre pesquisadores do caso. Lizzie e sua irmã, Emma Borden, não costumavam chamá-la por seu verdadeiro nome, mas por “Maggie”, enquanto Andrew e Abby utilizavam Bridget.
Na manhã dos assassinatos, Bridget estava trabalhando normalmente na residência. Segundo seu depoimento, ela começou as tarefas domésticas durante as primeiras horas do dia e recebeu de Abby a orientação para limpar as janelas da casa.
Depois de realizar parte do trabalho dentro e fora da residência, Bridget não estava se sentindo bem e subiu para descansar em seu quarto no terceiro andar. Pouco depois das 11h, ela ouviu Lizzie chamá-la e desceu novamente. Foi então informada de que Andrew Borden estava morto na sala.
Andrew havia retornado para casa depois de sair naquela manhã e foi encontrado morto no sofá. Após a descoberta, Lizzie pediu que Bridget procurasse ajuda.
Abby Borden ainda não havia sido localizada naquele momento. Mais tarde, durante as buscas dentro da residência, seu corpo foi encontrado no quarto de hóspedes. A investigação concluiu que Abby havia sido morta antes do marido.
A presença de Bridget na propriedade fez com que seu depoimento se tornasse importante para a reconstrução da manhã dos crimes. Ela conseguiu fornecer informações sobre quem estava na residência, os movimentos dos integrantes da família e a sequência de acontecimentos antes e depois da descoberta dos corpos.
Bridget também afirmou durante o julgamento que não havia presenciado discussões ou palavras hostis entre Lizzie e Abby. Seu testemunho foi utilizado durante o processo contra Lizzie, que acabou absolvida em 1893.
Apesar de sua importância como testemunha, não existe comprovação histórica de que Bridget tenha participado dos assassinatos. Também não há documentação que sustente a versão de que ela e Lizzie mantiveram um relacionamento amoroso.
Essa possibilidade ganhou espaço principalmente em interpretações posteriores do caso e em obras de ficção. “Monstro: A História de Lizzie Borden” utiliza justamente algumas dessas teorias para construir sua narrativa, transformando elementos especulativos em acontecimentos dentro da série.
A relação amorosa apresentada entre Lizzie e Bridget, portanto, não deve ser entendida como um fato estabelecido sobre as duas mulheres. O mesmo vale para uma eventual participação conjunta nos assassinatos de Andrew e Abby.
Após os crimes, Bridget prestou depoimento durante as investigações e posteriormente testemunhou no julgamento. Depois desse período, deixou definitivamente a residência dos Borden e seguiu sua vida longe da atenção que cercava o caso.
Bridget posteriormente mudou-se para Montana, onde se casou e passou grande parte do restante de sua vida. Ela morreu em 1948, décadas depois dos assassinatos que fizeram seu nome permanecer ligado à história de Lizzie Borden.
As especulações sobre a vida amorosa de Lizzie também continuaram depois do julgamento, especialmente por causa de sua proximidade posterior com a atriz Nance O’Neil. Mesmo nesse caso, os registros disponíveis não permitem estabelecer como fato que as duas tiveram um relacionamento amoroso.
Lizzie tinha 32 anos quando Andrew e Abby foram assassinados e nunca se casou. Em 1893, ela foi julgada pelos dois assassinatos e absolvida. A autoria dos crimes nunca foi determinada judicialmente, mantendo o caso sem solução definitiva.
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