A história de Theodore “Ted” Kaczynski, matemático norte-americano responsável por uma série de atentados a bomba entre 1978 e 1995, volta a ganhar espaço no audiovisual com “Unabomber”. O filme chegou à Netflix nesta sexta-feira (25) e acompanha diferentes períodos da vida do homem que permaneceu por anos no centro de uma das investigações mais extensas conduzidas pelo FBI.

Na produção, Jacob Tremblay interpreta Kaczynski durante a juventude, incluindo o período em que estudou na Universidade Harvard, enquanto Michael Laurence assume o personagem mais velho. O elenco também conta com Russell Crowe como o psicólogo Henry Murray e Shailene Woodley como Joanne Miller, agente envolvida na investigação apresentada pelo longa.
A história parte da juventude de Kaczynski, que ingressou em Harvard aos 16 anos e posteriormente seguiu carreira acadêmica na matemática. Depois de concluir seus estudos, ele chegou a lecionar na Universidade da Califórnia em Berkeley antes de abandonar a carreira e, posteriormente, estabelecer-se em uma pequena propriedade próxima a Lincoln, no estado de Montana, onde passou a levar uma vida isolada.
O filme também aborda a participação de Kaczynski em experimentos psicológicos conduzidos pelo professor Henry Murray durante seus anos em Harvard. Esse episódio faz parte de sua biografia e é incorporado pela produção ao retrato de sua juventude. Não existe, porém, comprovação de uma relação causal entre a participação nos experimentos e os crimes que Kaczynski cometeria anos depois.
A série de atentados começou em 1978. Durante os 17 anos seguintes, Kaczynski enviou ou deixou diferentes dispositivos explosivos em universidades, empresas e outros locais dos Estados Unidos. O caso recebeu do FBI o código UNABOM, formado a partir de referências aos alvos ligados inicialmente a universidades e companhias aéreas. Foi desse nome utilizado na investigação que surgiu a denominação Unabomber pela qual Kaczynski ficaria conhecido.
Ao longo dos ataques, 16 bombas atribuídas a Kaczynski mataram três pessoas e deixaram mais de 20 feridos. As vítimas fatais foram Hugh Scrutton, proprietário de uma loja de computadores morto em 1985; Thomas Mosser, executivo do setor de publicidade morto em 1994; e Gilbert Murray, presidente da California Forestry Association, morto em 1995.
Paralelamente aos atentados, Kaczynski produziu textos nos quais atacava o desenvolvimento da sociedade industrial e tecnológica. Um dos pontos decisivos para sua identificação aconteceu em 1995, quando um texto de aproximadamente 35 mil palavras escrito pelo Unabomber foi publicado após discussões entre autoridades sobre a possibilidade de a divulgação ajudar a encontrar o responsável pelos crimes.
A estratégia acabou contribuindo diretamente para o avanço da investigação. Linda Patrik, cunhada de Kaczynski, identificou semelhanças entre as ideias apresentadas no manifesto e textos produzidos anteriormente por Ted. David Kaczynski, irmão do matemático, posteriormente forneceu às autoridades documentos e cartas que permitiram a comparação entre os escritos.
A análise linguística realizada pelo FBI encontrou fortes correspondências entre os materiais. Somadas às demais informações levantadas durante a investigação, essas evidências deram suporte ao pedido de busca na propriedade de Kaczynski em Montana. Ele foi preso em 3 de abril de 1996 na cabana onde vivia.
Durante as buscas, investigadores encontraram componentes utilizados na fabricação de bombas, milhares de páginas manuscritas relacionadas aos atentados e um dispositivo explosivo pronto para ser enviado. A descoberta encerrou uma investigação iniciada ainda no final da década de 1970.
Em janeiro de 1998, Kaczynski se declarou culpado pelos crimes e recebeu pena de prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional. Ele permaneceu sob custódia federal durante o restante da vida.
Ted Kaczynski morreu em 10 de junho de 2023, aos 81 anos, enquanto estava em um centro médico prisional federal na Carolina do Norte. Sua morte foi determinada pelas autoridades como suicídio.
Agora, “Unabomber” recupera diferentes momentos dessa história, alternando a juventude de Kaczynski, seu período acadêmico e os acontecimentos relacionados à investigação que terminou com sua prisão. O filme já está disponível no catálogo da Netflix.
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